domingo, 29 de novembro de 2015

Casamento por conveniência - Cap. 60


— Sei. E você pensa que eu acharia perfeitamente natural fazer amor com outra mulher da mesma forma que faço com você. É isso?


— Já me passou pela cabeça — ela resmungou, sentindo-se tola diante do interrogatório dele.— Afinal, você estava lá com Luísa.


— Luísa! Sempre a maldita Luísa! Não podemos esquecê-la? Eu já esqueci! Ela não passa de uma amiga agora.


— Não foi o que me pareceu — murmurou Lua, se curvando no travesseiro, com dor nas pernas.


— Então você está com ciúme? — ele disse, sentando e olhando para ela mais de perto.


— Claro que não — ela falou, sentando também e apoiando o queixo nos joelhos. — Sou realista, é isso. Você teve um caso com a mulher por dois anos. Suponho que você não fosse simplesmente terminar com ela por causa de um casamento por conveniência que lhe foi imposto quando você menos esperava.


— Hummm. — O olhar dele era especulativo. — E só por curiosi­dade, querida, como você descobriu sobre meu caso com Luísa?


— Eu li uma reportagem — ela respondeu. — Na revista Hola!.


— Sei. E agora você acredita que eu devo ter continuado meu caso com Luísa—uma idéia interessante, já que estamos separados por qui­lômetros de distância — ou que tenha me apaixonado por outra pessoa?


— Eu não disse isso.


— Não com todas as palavras — ele disse —, mas deixou implícito.


— Bem, você tem que admitir que passou mais tempo fora de casa do que dentro — ela disparou, encarando-o, sem saber o quão adorá­vel, jovem e vulnerável parecia, agachada contra os travesseiros, fa­zendo beicinho.


— Então, meu amor, talvez seja hora de eu explicar a você por que venho passando tanto tempo longe. Não é por prazer, eu garanto.


— Não? Então o que é? — ela desafiou, imaginando o tipo de desculpa que ele usaria, apesar de estar se sentindo menos segura sobre sua teoria inicial.


— Vamos levantar agora e tomar um banho. Vou pedir comida aqui no quarto — respondeu Arthur, ajudando-a a se levantar. — Depois, prometo prestar contas por eu ter estado tão ocupado.


— Mas...


— Shhh — ele mandou. — Uma vez, faça o que eu pedi e não me aborreça novamente, ou dessa vez eu vou deitar você sobre meus joelhos e dar as palmadas que você merece por suspeitar tanto de seu marido — ele disse, rindo antes de se inclinar e beijar a sobrancelha dela. — Agora, vamos para o chuveiro.


Ele deu uma palmadinha no bumbum dela e Lua sentiu o rosto se desarmar em um sorriso, apesar das dúvidas que persistiam.


Mais tarde, depois de os dois tomarem banho, Lua sentou-se à mesa com Arthur, onde havia ovos mexidos com bacon, torradas e chá. Lua notou que estava com fome, e exatamente do que ele pedi­ra. Aos diabos com o vinho e a culinária fina, ela estava se deliciando em poder comer algo substancial.


— Espero que isso a satisfaça — disse Arthur. — Pessoalmente, estou com fome.


— Eu também — concordou Lua.


Mas ainda não ouvira o que ele tinha a dizer e estava determinada a, antes de se permitir mais fugas, simplesmente saber o que Arthur vinha fazendo nas últimas semanas. Mesmo tendo as próprias idéias, o mínimo que podia fazer era ouvir a versão dele da história antes de fazer o julgamento final.


— Você... Vai me contar? — ela perguntou. Melhor ir direto ao assunto do que passar o jantar todo conjeturando.


— Eu disse que vou contar, Lua, e realmente vou. Pode ser uma surpresa e você pode ficar decepcionada, mas a realidade deve ser enfrentada.

Continua...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71