— Sei. E
você pensa que eu acharia perfeitamente natural fazer amor com outra mulher da
mesma forma que faço com você. É isso?
— Já me
passou pela cabeça — ela resmungou, sentindo-se tola diante do interrogatório
dele.— Afinal, você estava lá com Luísa.
— Luísa!
Sempre a maldita Luísa! Não podemos esquecê-la? Eu já esqueci! Ela não passa de
uma amiga agora.
— Não foi o
que me pareceu — murmurou Lua, se curvando no travesseiro, com dor nas pernas.
— Então
você está com ciúme? — ele disse, sentando e olhando para ela mais de perto.
— Claro que
não — ela falou, sentando também e apoiando o queixo nos joelhos. — Sou
realista, é isso. Você teve um caso com a mulher por dois anos. Suponho que
você não fosse simplesmente terminar com ela por causa de um casamento por
conveniência que lhe foi imposto quando você menos esperava.
— Hummm. —
O olhar dele era especulativo. — E só por curiosidade, querida, como você
descobriu sobre meu caso com Luísa?
— Eu li uma
reportagem — ela respondeu. — Na revista Hola!.
— Sei. E
agora você acredita que eu devo ter continuado meu caso com Luísa—uma idéia
interessante, já que estamos separados por quilômetros de distância — ou que
tenha me apaixonado por outra pessoa?
— Eu não
disse isso.
— Não com
todas as palavras — ele disse —, mas deixou implícito.
— Bem, você
tem que admitir que passou mais tempo fora de casa do que dentro — ela
disparou, encarando-o, sem saber o quão adorável, jovem e vulnerável parecia,
agachada contra os travesseiros, fazendo beicinho.
— Então,
meu amor, talvez seja hora de eu explicar a você por que venho passando tanto
tempo longe. Não é por prazer, eu garanto.
— Não?
Então o que é? — ela desafiou, imaginando o tipo de desculpa que ele usaria,
apesar de estar se sentindo menos segura sobre sua teoria inicial.
— Vamos levantar agora e tomar um banho. Vou pedir comida aqui
no quarto — respondeu Arthur, ajudando-a a se levantar. — Depois, prometo
prestar contas por eu ter estado tão ocupado.
— Mas...
— Shhh — ele mandou. — Uma vez, faça o que eu pedi e não me
aborreça novamente, ou dessa vez eu vou deitar você sobre meus joelhos e dar as
palmadas que você merece por suspeitar tanto de seu marido — ele disse, rindo
antes de se inclinar e beijar a sobrancelha dela. — Agora, vamos para o
chuveiro.
Ele deu uma palmadinha no bumbum dela e Lua sentiu o rosto se
desarmar em um sorriso, apesar das dúvidas que persistiam.
Mais tarde, depois de os dois tomarem banho, Lua sentou-se à
mesa com Arthur, onde havia ovos mexidos com bacon, torradas e chá. Lua notou que
estava com fome, e exatamente do que ele pedira. Aos diabos com o vinho e a
culinária fina, ela estava se deliciando em poder comer algo substancial.
— Espero que isso a satisfaça — disse Arthur. — Pessoalmente,
estou com fome.
— Eu também — concordou Lua.
Mas ainda não ouvira o que ele tinha a dizer e estava
determinada a, antes de se permitir mais fugas, simplesmente saber o que Arthur
vinha fazendo nas últimas semanas. Mesmo tendo as próprias idéias, o mínimo que
podia fazer era ouvir a versão dele da história antes de fazer o julgamento
final.
— Você... Vai me contar? — ela perguntou. Melhor ir direto ao
assunto do que passar o jantar todo conjeturando.
— Eu disse que vou contar, Lua, e realmente vou. Pode ser uma
surpresa e você pode ficar decepcionada, mas a realidade deve ser enfrentada.
Continua...

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