quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Casamento por Conveniência - Cap. 58


Desde que eles voltaram para casa, Lua mal via Arthur. Ele parecia extraordinariamente ocupado, sempre voltando para Eaton Square perto das dez da noite. Ela não questionava suas ausências, mas sen­tia-as. Certamente não havia tanta coisa assim para fazer no escritó­rio que exigisse que ficasse até tão tarde. Numa noite ela chegou a ligar para o celular dele, mas ele a atendera muito brevemente e ela jamais repetira a ação.


— Estou em uma reunião — ele disse. — Ligo para você assim que terminar.


Mas passava da meia-noite quando ele chegou em casa e Lua já tinha ido dormir há muito tempo.


Não tinha jeito. Seria sempre assim. As poucas semanas que eles passaram na Grécia foram pura ilusão, sustentável apenas por um tempo. Agora ele voltara para o seu mundo — um mundo de negócios e possivelmente romances casuais — e tudo nele incluído.


A outra coisa que a preocupava era que eles quase não fizeram amor desde que voltaram. Isso, somado ao fato de Arthur estar che­gando em casa tarde e estar com os nervos cada vez mais à flor da pele, contribuía para aumentar seus medos.


Ela percebeu que deveria decidir se continuaria ou não com o casamento ou se acabaria com ele de uma vez por todas.


A vida não estava totalmente interessante e Lua sentia-se mur­chando.


E não parecia haver muita luz no fim do túnel.


Conforme aprofundava suas investigações, Arthur ficava cada vez mais irritado com as discrepâncias que descobria não somente na contabilidade da Carvajal, mas na forma como alguns dos grandes negócios eram conduzidos. Era um trabalho extenuante tentar chegar à origem de tudo sem alertar os principais suspeitos, e tudo tinha que ser feito muito cuidadosamente, sempre depois do expediente. Ele tinha o bastante para manter-se ocupado durante o dia, gerenciando não só seus empreendimentos como se certificando de que os ne­gócios de Fernando voltassem aos trilhos.


Os dias eram longos e as noites curtas. Queria poder explicar a Lua, mas sentia que era impossível. Tudo era muito delicado e com­plicado para ser divulgado antes que ele tivesse as respostas definiti­vas e a prova das negociatas de que suspeitava.

Em um fim de semana, quando ele sugeriu que eles fossem a Paris descansar, ela pareceu sem entusiasmo. Não queria abrir o aparta­mento do avô lá e sugeriu que fossem para um hotel.


Arthur concordou e reservou uma suíte no Plaza Athénée.


Eles chegaram a Paris sexta-feira à noite e se arrumaram para jantar no Relais Plaza, ao lado do hotel. Talvez mais tarde fossem dançar ou tomar um drinque em algum lugar, ele refletiu.


Mas Lua estava estranhamente silenciosa, indisposta até para conversar.


— Lua, está acontecendo alguma coisa? — ele perguntou, irrita­do, apesar do desejo de se divertir com ela. Ela certamente não estava tornando as coisas fáceis. Ele não ficara a seu inteiro dispor por três semanas? Certamente ela devia entender que ele tinha muito trabalho para colocar em dia agora, assim como outras responsabilidades.


— Não, não tem nada errado. Só tudo — ela murmurou.


— O que você quer dizer, mi hermosa? Pensei que tivéssemos superado tudo, que as coisas estivessem acertadas entre nós.


— Mesmo? — ela disse, fitando-o. — Bem, pensou errado. Talvez você ache que possa simplesmente me enfiar em um armário no mo­mento em que tiver outras prioridades, mas acho que mereço alguma consideração.


Arthur suspirou. Não seria fácil. As investigações haviam chega­do a um ponto crucial em que qualquer tipo de revelação poderia ser fatal ao resultado final.


— Olha, Lua, eu sei que estive muito ausente...


— Muito? Isso é pouco.


— Por favor — ele pediu. — Não posso explicar tudo o que está acontecendo no escritório, mas agora há alguns incêndios a serem apagados.


— Com certeza. Especialmente das seis em diante.


— Lua, o que você quer dizer?


— Que você parece ter uma incrível lista de afazeres depois do expediente, Arthur.


Ele olhou para ela insolentemente.


— Se você quer saber, tenho.


— Ótimo. Bem, isso esclarece tudo que eu preciso saber, certo?


— O que você está insinuando? — ele perguntou, forçando os olhos e formando uma expressão de raiva.


— Que você tem uma amante. E é por isso que acho que a melhor coisa a fazermos é finalmente colocar um fim nesse problema.


— Você quer terminar o casamento? — ele perguntou.


— Sim, acho que agora cheguei ao limite das minhas forças, Arthur. Primeiro foi Luísa e agora... Bem, não sei quem é agora, mas só posso deduzir que existe outra pessoa com quem você vem passando todas as noites. — Os olhos dela estavam brilhando, mas ela se man­teve no lugar, resolvida a não ser feita de boba novamente.


— Isso é um absurdo — ele disparou.


— Não, não é. Você pensa que pode me tratar como se eu fosse parte de uma propriedade pessoal que pode tirar e pôr na prateleira sempre que quiser. Bem, não sou. E quanto mais cedo você perceber isso, melhor. O problema é que eu não acho que você seja capaz de ver isso de outra forma, então o melhor será nos divorciarmos e vol­tarmos para nossas respectivas vidas.



Continua...


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