terça-feira, 17 de novembro de 2015

Casamento por conveniência - Cap. 55


Lua segurou-se no barco e olhou aterrorizada para o homem que pegava Arthur por debaixo do queixo e o trazia em posição de resgate ao barco pesqueiro. Os homens gritavam e falavam alto ao içar Arthur para o barco, e Tasso começou imediatamente a massagear seu peito.


Lua ficou parada por perto, com medo de interferir e atrapalhar. Ande, implorava em silêncio. Por favor. Deus faça com que ele fique bem. Por favor, não permita que ele morra.

Depois de uns trinta segundos ela ouviu uma tosse e observou quando Arthur balbuciou algumas palavras, em estado deplorável.


— Oh, querido — ela gritou, se atirando ao lado dele no convés.


Arthur balbuciou algo novamente e engoliu, tentando abrir os olhos. Fora atingido duramente na cabeça e estava confuso com o choque e a dor.


— Respire fundo, querido — pedia Lua, enquanto o barco apon­tava na direção de Agapos.


Ela o tomou em seus braços, sentindo-o fraco. Ele estava exausto demais para fazer qualquer coisa além de tentar respirar. Logo eles atracaram no pequeno porto de Agapos e alguns homens correram a bordo e carregaram Arthur.


Lua os seguiu de perto enquanto eles levavam Arthur para a casa mais próxima e o deitavam em uma cama.


As mulheres entraram e começaram a cuidar dele. A dona da casa chamava-se Teresa. Por sorte o filho dela, que era médico em Atenas, estava visitando a família no fim de semana, e logo chegou com sua maleta. Lentamente a respiração de Arthur começou a melhorar. O médico prosseguiu com o exame e aos poucos ele foi recobrando a consciência.


— Lua? — ele sussurrou quase inaudível. — Onde ela está? Ela está bem?


— Estou aqui, querido, e estou bem. — Ela sentou-se ao lado dele e acariciou sua sobrancelha, estremecendo ao ver o corte no seu quei­xo, onde provavelmente o barco o atingiu. — Querido, você está bem. Tudo está bem agora.


Os olhos de Arthur fitaram os dela por um momento e ele tentou sorrir.


— Pensei que tivesse perdido você — ele sussurrou, esforçando-se para falar.


— Não fale agora, querido, fique quieto — repreendeu Lua, com os dedos entrelaçados aos dele.


O médico a tranqüilizou.


— Ele ficará bem melhor em algumas horas, depois que descansar

— Mas eu pensava que as pessoas que sofrem uma concussão devessem permanecer acordadas — falou Lua, olhando para ele em dúvida.


— Não se preocupe — respondeu o médico. — Vamos ficar aten­tos. Agora, recomendo que você me deixe examiná-la. Vejo que tam­bém têm alguns cortes e machucados.


Lua olhou para seus braços e pernas. Era verdade. Tinha alguns machucados no braço e um corte bem acima do joelho.


— Deixe-me cuidar deles — disse o médico, vendo sua relutância: em sair do lado de Ramon. — Seu marido ficará bem. Ele só precisa descansar.


Relutantemente, Lua levantou e permitiu que ele desinfetasse o corte e colocasse um curativo. Mas jamais tirou os olhos de Arthur.


Eles ficaram lá a noite toda, Arthur dormindo em paz na pequena cama e Lua sentada em um banco ao seu lado, sem descuidar dele.


Quando amanheceu, ela viu o quanto ele estava pálido e seu cora­ção saltou novamente de medo. Estaria realmente bem?




Continua...

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