Lua segurou-se no barco e olhou
aterrorizada para o homem que pegava Arthur por debaixo do queixo e o trazia em
posição de resgate ao barco pesqueiro. Os homens gritavam e falavam alto ao
içar Arthur para o barco, e Tasso começou imediatamente a massagear seu peito.
Lua ficou parada por perto, com medo
de interferir e atrapalhar. Ande, implorava em silêncio. Por
favor. Deus faça com que ele fique bem. Por favor, não permita que ele morra.
Depois de uns trinta segundos ela
ouviu uma tosse e observou quando Arthur balbuciou algumas palavras, em estado
deplorável.
— Oh, querido — ela gritou, se
atirando ao lado dele no convés.
Arthur balbuciou algo novamente e
engoliu, tentando abrir os olhos. Fora atingido duramente na cabeça e estava
confuso com o choque e a dor.
— Respire fundo, querido — pedia Lua,
enquanto o barco apontava na direção de Agapos.
Ela o tomou em seus braços,
sentindo-o fraco. Ele estava exausto demais para fazer qualquer coisa além de
tentar respirar. Logo eles atracaram no pequeno porto de Agapos e alguns homens
correram a bordo e carregaram Arthur.
Lua os seguiu de perto enquanto eles
levavam Arthur para a casa mais próxima e o deitavam em uma cama.
As mulheres entraram e começaram a
cuidar dele. A dona da casa chamava-se Teresa. Por sorte o filho dela, que era
médico em Atenas, estava visitando a família no fim de semana, e logo chegou
com sua maleta. Lentamente a respiração de Arthur começou a melhorar. O médico
prosseguiu com o exame e aos poucos ele foi recobrando a consciência.
— Lua? — ele sussurrou quase
inaudível. — Onde ela está? Ela está bem?
— Estou aqui, querido, e estou bem. —
Ela sentou-se ao lado dele e acariciou sua sobrancelha, estremecendo ao ver o
corte no seu queixo, onde provavelmente o barco o atingiu. — Querido, você
está bem. Tudo está bem agora.
Os olhos de Arthur fitaram os dela
por um momento e ele tentou sorrir.
— Pensei que tivesse perdido você —
ele sussurrou, esforçando-se para falar.
— Não fale agora, querido, fique
quieto — repreendeu Lua, com os dedos entrelaçados aos dele.
O médico a tranqüilizou.
— Ele ficará bem melhor em algumas horas, depois que descansar
— Mas eu pensava que as pessoas que
sofrem uma concussão devessem permanecer acordadas — falou Lua, olhando para
ele em dúvida.
— Não se preocupe — respondeu o
médico. — Vamos ficar atentos. Agora, recomendo que você me deixe examiná-la.
Vejo que também têm alguns cortes e machucados.
Lua olhou para seus braços e pernas.
Era verdade. Tinha alguns machucados no braço e um corte bem acima do joelho.
— Deixe-me cuidar deles — disse o
médico, vendo sua relutância: em sair do lado de
Ramon. — Seu marido ficará bem. Ele só precisa descansar.
Relutantemente, Lua levantou e
permitiu que ele desinfetasse o corte e colocasse um curativo. Mas jamais tirou
os olhos de Arthur.
Eles ficaram lá a noite toda, Arthur
dormindo em paz na pequena cama e Lua sentada em um banco ao seu lado, sem
descuidar dele.
Quando amanheceu, ela viu o quanto
ele estava pálido e seu coração saltou novamente de medo. Estaria realmente
bem?
Continua...

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