domingo, 29 de novembro de 2015

Amante da fantasia - Cap. 1


- Querida, você precisa transar.


Lua Blanco sobressaltou-se ao ouvir a voz excessivamente alta de Mel, na pequena cafeteria em Nova Orleans na qual se encontravam, enquanto terminavam o almoço composto por arroz e feijão-vermelho.


Infelizmente, para ela, a voz de Mel possuía um encantador tom agudo que seria claro até mesmo em meio a um furacão. O comentário foi seguido por um súbito silêncio no espaço repleto de gente.


Olhando de relance para as mesas próximas, Lua notou que os homens tinham parado de falar e haviam se virado para encará-las com um interesse muito maior do que ela apreciaria.


Ah, Deus! Será que Mel algum dia aprenderá a falar baixo? Pior ainda, o que ela vai fazer em seguida, tirar as roupas e dançar sobre a mesa? De novo.


Pela milionésima vez desde que haviam se conhecido, Lua desejou que Mel conseguisse ficar embaraçada. Mas sua exagerada e, com frequência, extravagante amiga não conhecia o significado dessa palavra.


Ela cobriu o rosto com as mãos, tentando ao máximo ignorar os curiosos espectadores. Um ímpeto de se enfiar sob a mesa e um impulso ainda maior de chutar sua companheira a consumiram.


- Por que você não fala um pouco mais alto, Mel? - ela sussurrou. - Acho que as pessoas no Canadá não escutaram.


- Ah, eu não sei, não. - disse o bonito garçom de cabelos castanhos, ao parar ao lado da mesa. - Provavelmente estão vindo para o sul neste exato momento.


Lua ruborizou-se quando o rapaz, obviamente com idade para frequentar a universidade, sorriu com malícia.


- Há algo mais que eu possa trazer para as senhoritas? - ele perguntou, e então encarou Lua. - Ou melhor, há algo que eu possa fazer pela senhorita?


Que tal trazer um saco para que eu cubra a cabeça, ou um bastão com o qual eu possa bater em Mel?


- Não, obrigada. - respondeu Lua, com o rosto ainda mais quente. Ela definitivamente mataria Mel. - Precisamos apenas da conta.


- Está bem. - Ele pegou a conta e rabiscou algo na parte de superior do papel, antes de colocá-lo diante de Lua. - É só me ligar, se eu puder ajudar em algo.


Apenas depois que ele se afastou, Lua viu seu nome e telefone escritos na conta. Mel olhou e riu alto.


- Você me paga. - Lua falou, suprimindo um sorriso enquanto calculava sua parte da conta no Palm Pilot. - Eu vou me vingar por isso.



 Continua...

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