- Querida, você precisa transar.
Lua Blanco sobressaltou-se ao ouvir a voz excessivamente alta de Mel, na
pequena cafeteria em Nova Orleans na qual se encontravam, enquanto terminavam o
almoço composto por arroz e feijão-vermelho.
Infelizmente, para ela, a voz de Mel possuía um encantador tom agudo que
seria claro até mesmo em meio a um furacão. O comentário foi seguido por um
súbito silêncio no espaço repleto de gente.
Olhando de relance para as mesas próximas, Lua notou que os homens
tinham parado de falar e haviam se virado para encará-las com um interesse
muito maior do que ela apreciaria.
Ah, Deus! Será que Mel algum dia aprenderá a falar baixo? Pior ainda, o
que ela vai fazer em seguida, tirar as roupas e dançar sobre a mesa? De novo.
Pela milionésima vez desde que haviam se conhecido, Lua desejou que Mel
conseguisse ficar embaraçada. Mas sua exagerada e, com frequência, extravagante
amiga não conhecia o significado dessa palavra.
Ela cobriu o rosto com as mãos, tentando ao máximo ignorar os curiosos
espectadores. Um ímpeto de se enfiar sob a mesa e um impulso ainda maior de
chutar sua companheira a consumiram.
- Por que você não fala um pouco mais alto, Mel? - ela sussurrou. - Acho
que as pessoas no Canadá não escutaram.
- Ah, eu não sei, não. - disse o bonito garçom de cabelos castanhos, ao
parar ao lado da mesa. - Provavelmente estão vindo para o sul neste exato
momento.
Lua ruborizou-se quando o rapaz, obviamente com idade para frequentar a
universidade, sorriu com malícia.
- Há algo mais que eu possa trazer para as senhoritas? - ele perguntou,
e então encarou Lua. - Ou melhor, há algo que eu possa fazer pela senhorita?
Que tal trazer um saco para que eu cubra a cabeça, ou um bastão com o
qual eu possa bater em Mel?
- Não, obrigada. - respondeu Lua, com o rosto ainda mais quente. Ela
definitivamente mataria Mel. - Precisamos apenas da conta.
- Está bem. - Ele pegou a conta e rabiscou algo na parte de superior do
papel, antes de colocá-lo diante de Lua. - É só me ligar, se eu puder ajudar em
algo.
Apenas depois que ele se afastou, Lua viu seu nome e telefone escritos
na conta. Mel olhou e riu alto.
- Você me paga. - Lua falou, suprimindo um sorriso enquanto calculava
sua parte da conta no Palm Pilot. - Eu vou me vingar por isso.
Continua...

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