— Quer jogar, Lu? — Arthur chamou. —
Acabei de ser derrotado por Petros. Mas ainda temos tempo para mais uma
partida.
Então ele olhou para o mar e falou
alguma coisa em grego para Petros. O velho homem forçou os olhos e observou a
água.
— Na realidade, acho melhor partirmos
logo. Petros disse que uma tempestade pode estar se aproximando. Estamos no
outono e essas coisas podem acontecer repentinamente nesta época do ano. Eu
jogo com você em casa, mi hermosa, que tal?
Lua podia imaginar a quais jogos se
dedicariam em casa, mas concordou, seguindo com Arthur para o barco.
Eles já haviam percorrido três
quartos do caminho quando a tempestade começou. O céu ficou roxo e escuro,
nuvens pretas pesadas começaram a surgir, assim como relâmpagos, e o vento
aumentou até um vendaval. Grandes ondas cruzavam de várias direções, tornando o
controle do pequeno barco quase impossível.
— Segure-se firme — disse Arthur,
abrindo caminho pelas águas. — Já vamos chegar. Você está bem? — Ele olhou para
ela preocupado e concentrou-se novamente no barco.
— Estou bem! — gritou Lua,
disfarçando o medo.
Então, de repente, uma onda imensa
desequilibrou o barco, quase os arrastando para as profundezas.
— Segure-se! — gritou Arthur, enquanto
eles se agarravam no barco, encharcados. — Vista um colete salva-vidas!
Lua fez o que ele pediu e com
dificuldade pegou um colete. Arthur estava fazendo a mesma coisa, quando um
estrondo fez-se ouvir e outra onda gigante os atingiu. Antes que ele pudesse
fazer qualquer coisa, eles emborcaram.
Lua sentiu seu corpo ser arremessado
nas águas do Egeu. Onde estava Arthur? Ela tentou desesperadamente agarrar-se
ao barco, que ainda estava por perto.
— Arthur! — ela gritou em desespero assim
que veio à tona. — Arthur, onde você está? Responda. — Ela conseguiu visualizar
Agapos e notou que não estavam longe. Mas será que alguém os veria? Haveria
alguém fora de casa naquele tempo inclemente para salvá-los? E onde estava Arthur?
Por que não respondia?
Um medo apavorante tomou-a por
completo quando tentou nadar em torno do barco emborcado para encontrá-lo.
Talvez tivesse desmaiado na queda. Talvez... Oh, Deus, não... por
favor, faça com que ele esteja seguro, faça com que esteja vivo.
Estava difícil manter-se na
superfície com as ondas batendo contra ela, arrastando a ela e ao barco em seu
rastro. Mal podia respirar, pois os pulmões estavam cheios de água e mais uma
vez afundou, antes de emergir novamente, desesperada atrás dele.
Então, de repente ela ouviu um ruído
distante de um motor e sentiu um grande alívio. Alguém os avistara e vinha
resgatá-los. Obrigado Senhor. Se ao menos pudesse achar Arthur...
Mas e se ele tivesse sido arrastado e...?
Não, não podia pensar assim. Ele estava ali, por perto, ela tinha absoluta
certeza. Só não podia chamá-la.
Finalmente ela distinguiu os homens
da ilha se inclinando em um dos lados de um pequeno e robusto barco pesqueiro,
imune ao mar revolto. Eles se aproximaram e um deles jogou uma corda com uma
bóia, que ela deveria segurar enquanto ele puxava.
Ela subiu a bordo tremendo, sem notar
seus cortes e machucados, olhando para a água à procura de qualquer sinal do homem
que amava.
Que ela amava!
De repente, as palavras brotaram.
Como não reconhecera isso antes? Por que não admitira para si mesma o quanto
ele era importante?
Então ela ouviu um grito e olhou
congelada para o local, quando um dos homens, vestindo um colete salva-vidas e
segurando uma corda, pulou e nadou na direção de um corpo inerte flutuando nas
redondezas.
Continua..?

Maisssss
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