— Eu não acredito que esteja ouvindo
isso — ele murmurou, com uma fúria interior disfarçada pela fria fachada.
— Não? Bem, isso é porque você está
muito habituado a que as coisas sejam feitas do seu jeito.
— Está bem, então é isso. — A
expressão de Arthur era proibitiva agora e Lua engoliu em seco, imaginando se
teria ido longe demais. Mas aquilo caíra bem para ele. Ele não tinha o direito
de tratá-la como vinha tratando, daquela forma autoritária.
— Garçom. Não vamos mais jantar.
Ponha na minha conta. — Ele fez menção de se levantar.
— Mas acabamos de pedir! — exclamou Lua.
— Levante Lua, e venha comigo.
Lua hesitou, quase recusou, mas
percebeu que não poderia fazer uma cena no meio do Relais e o acompanhou.
Arthur levou-a para fora do
restaurante e de volta para o hotel. Chamou o elevador. Eles o tomaram em
gélido silêncio. Lua mantinha seu ar orgulhoso e fingia não estar se
importando com nada, mas não podia evitar lançar alguns olhares furtivos para a
furiosa face dele. O que ele planejava fazer? Arrumar as malas e voltar para
Londres àquela hora mesmo?
Arthur abriu a porta da suíte e tirou
o paletó. Finalmente, ele virou para ela e a fitou, com o olhar severo.
— Estou farto desses jogos.
— Que jogos? Não estou jogando. Se
alguém aqui faz isso é você — ela disparou.
— Ah, é? Você acha que eu jogo? Que
passo a melhor parte do meu tempo com alguma outra mulher em vez de ficar com
você, é isso? — ele perguntou.
Lua respirou fundo, determinada a não
se render, quando ele caminhou na direção dela.
— S... Sim. Acho que...
— O que você acha exatamente, Lua?
Fale — ele pediu, andando ao redor dela agora, explodindo de raiva.
— Que você está... Bem, que você...
— É? Fale. Continue... Ou você tem
medo?
— Claro que não tenho medo — ela
balbuciou, forçando-se a encará-lo. — É só que...
— O quê?
— Tudo isso está errado desde o
começo — ela murmurou, desviando o olhar.
— É mesmo? Bem, então me deixe
mostrar como eu acho que está errado.
Antes que ela pudesse reagir, os
braços dele estavam sobre ela, seu corpo cravado no dela. A mão dele deslizou
para a curva do pescoço dela e ele puxou seu cabelo, forçando-a a encará-lo.
— Vou mostrar de uma vez por todas o
que está certo e o que está errado, senora mia — ele murmurou
com a voz baixa, praticamente atirando-a na cama.
E então ele começou a beijá-la,
tirando a roupa dela e deixando-a nua diante dele.
— Não, Arthur — ela sussurrava,
sentindo aquele desejo incontrolável que surgia em algum lugar dentro dela e
tentava resistir desesperadamente. — Não, por favor... Precisamos ser sensatos.
— Sensatos? Ah! — Com alguns
movimentos rápidos, ele tirou suas próprias roupas e voltou para a cama. Sua
boca roçava nos seios dela, fazendo-a gemer. Então os lábios dele continuaram a
procurar, descendo até encontrar o lugar mais vulnerável, aquela pequena
protuberância, atormentando-a, deixando-a gemendo, com um prazer indescritível
e mais intenso do que jamais sentira, mesmo nas noites mais ardentes deles em
Agapos.
Ele não parou, mas continuou
implacavelmente até que ela atingisse o clímax várias vezes, incapaz de evitar
a excitante onda de prazer e completitude.
Lua não podia fazer nada para
interromper a ardente ofensiva, esquecendo-se de todos os pensamentos enquanto
seu corpo se rendia ao assédio implacável de Arthur. Quando ele finalmente a
penetrou, não gentilmente, mas rígida e rapidamente, apesar de determinado a
possuir cada centímetro dela, ela se curvou ao redor dele, aquecida no prazer
dele, sem ar, respondendo agora beijo a beijo, se curvando para recebê-lo,
esquecendo todas as razões.
Quando eles finalmente terminaram e
se deitaram no lençol de linho amarrotado, Arthur de um lado da cama e Lua do
outro, ele virou e olhou severamente para ela.
— É isso que você diz que está
errado, Lua? Você seria capaz de fazer isso com outro homem?
— Claro que eu não pensaria em fazer
amor com outro homem — ela disse, desejando que ele a tomasse em seus braços
como sempre fazia, não a deixando sozinha e abandonada do outro lado da cama.

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