segunda-feira, 4 de julho de 2016

Amante da fantasia - Cap. 85


Lua despertou com a luz do sol penetrando pelas janelas e levou um instante para recordar a noite anterior. Sentando-se, estendeu a mão, procurando Arthur, mas encontrou a cama vazia.


- Arthur? - ela o chamou. Ninguém respondeu. Afastando as cobertas, levantou-se e vestiu-se depressa. - Arthur? - chamou de novo ao descer as escadas.


Nada. Nem um único som, além das batidas de seu coração. Começou a sentir pânico.


Algo teria acontecido com ele?


Correu até a sala de estar, onde o livro se encontrava sobre a mesinha de centro. Folheando-o, viu a página em branco onde Arthur estivera. Aliviada por ele não ter, de alguma forma, retornado ao livro, continuou procurando pela casa.


Onde ele estava?


Ao chegar à cozinha, notou que a porta dos fundos estava entreaberta. Franzindo o cenho, saiu e foi até o deque. Olhando ao redor, ela finalmente avistou os filhos dos vizinhos na grama entre a sua casa e a deles. Contudo, o que mais a atordoou foi ver Arthur sentado com eles enquanto lhes mostrava um jogo com pedras e gravetos.


Os dois meninos e a menina estavam sentados perto dele, escutando atentamente, enquanto a irmãzinha de dois anos andava em meio ao grupo.


Lua sorriu, apreciando a imagem plácida. Inundada por um sentimento terno, ela imaginou se era assim que Arthur ficava com os próprios filhos. Deixando o deque, andou até eles.


Bobby era o mais velho, com nove anos. O irmão, Tommy, era um ano mais novo, e Katie tinha seis. Os pais haviam se mudado para aquela casa fazia quase uma década, quando eram recém-casados e, apesar de serem amigáveis, nunca tinham se tornado mais do que apenas conhecidos de Lua.


- Então, o que aconteceu? - Bobby perguntou, quando foi a vez de Arthur jogar.


- Bem, o exército estava em uma armadilha. - disse Arthur, movendo uma das pedras por cima de um graveto. - Fora traído por um dos seus. Um jovem soldado de infantaria que entregou os companheiros porque queria ser um centurião romano.


- Eles eram os melhores. - Bobby interrompeu-o.


Arthur fez uma carranca.


- Eles não eram nada, comparados aos espartanos.


- Vão espartanos! - Tommy gritou. - Um espartano é nosso mascote na escola.


Bobby empurrou o irmão, derrubando-o.


- Você está interrompendo a história.


- Você nunca deve bater no seu irmão.


Arthur falou com a voz severa e, ainda assim, estranhamente gentil.


- Irmãos devem se proteger, e não se machucar.


A ironia das palavras entristeceu o coração de Lua. Era uma pena que ninguém tivesse ensinado essa lição aos irmãos dele.



Continua...



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