Acho melhor deixar que se conheçam melhor. Telefono mais
tarde.
— Gostaria que fizesse isso — e, baixando a voz, completou: — Já que não há nada de temporário neste trabalho, e sabe bem disso.
— Ele precisa dela, Lua.
— Eu sei, mas... — Olhando para baixo, viu que a garotinha as observava, curiosa. Lua trocou um olhar com Katherine, indicando que poderiam conversar melhor ao telefone. Katherine sorriu, e inclinou-se para beijar Sofia.
A criança passou os braços em volta do pescoço de Kat, agarrando-se com força por alguns instantes. O coração de Lua apertou-se. Como devia sentir-se insegura e amedrontada, sendo Katherine a única pessoa que conhecia.
Kat acariciou as costas da menina, dizendo que a amava muito, e logo viria visitá-la. Sofia soluçou, correndo para Lua, assim que Katherine soltou-a. Com um sorriso, Lua levou a criança até o carro, colocando-a no banco da frente. Depois de acomodar-se atrás do volante ligou o motor.
— Pronta?
Sofia olhou-a com os olhos muito azuis e assentiu, mordiscando a ponta do suéter. Lua percebeu o brilho das lágrimas e inclinou-se, abraçando-a e sussurrando:
— Tudo vai dar certo, querida. Sei que está com medo. Os dedinhos delicados apertaram-na com força.
— Quero ir para casa.
Os olhos de Lua encheram-se de lágrimas. A menina parecia tão triste e perdida.
— Vou levá-la para casa, e será uma grande aventura descobri-la aos poucos. Não acha que vai ser divertido?
Sofia deu de ombros, e Lua acariciou os cabelos brilhantes. Tinham um longo caminho a percorrer juntas, e imaginou por quanto tempo ficaria ali. Ou se algum dia desejaria partir. Pois percebia que estava começando a amar aquela garotinha perdida.
No instante em que a casa apareceu na frente delas, Lua percebeu que Sofia prendia a respiração, maravilhada, esticando o pescoço para ver melhor. Lua dirigiu pela estrada de terra, cheia de lombadas, até chegar à garagem, esperando que a vista da praia, do estábulo enorme e do grande jardim atraíssem Sofia. E aconteceu, especialmente por causa do escorregador e do balanço, que não se encontravam ali no dia anterior. Parando o carro, desligou o motor.
— Vá, experimente — encorajou ela, e Sofia abriu a porta. Lua apressou-se a ajudá-la a descer, e logo Sofia corria para os brinquedos. Os brinquedos eram grandes e sólidos, e Lua sorriu, ao ver Sofia escorregar uma, duas, três vezes, sem cansar da brincadeira. A menina correu para o balanço, experimentando-o, até ver a caixa de areia, cheia de brinquedos. Ela sentiu a presença de alguém, e viu que Micael se aproximara.
— Vou levar as malas para cima — disse, estendendo a mão para pegar as chaves. Ela entregou-as, mas não se mexeu.
— Ela parece com ele — disse, suavemente. E Lua observou Sofia, imaginando o quanto seria parecida com o pai.
De repente, Sofia saiu correndo para eles e parou em frente de Micael, observando-o atentamente. Lua percebeu que ela imaginava que Micael fosse o pai. Ela apresentou-os, e viu o sorriso da criança desaparecer.
— Como vai, senhorita? — Micael agachou-se na frente da menina, e os velhos joelhos estalaram.
Sofia olhou com surpresa os jeans reforçados nos joelhos.
— Dói?
— Não. Só faz barulho.
— Meu pai foi ferido. Muito ferido.
— Sim, meu bem.
— Conhece o meu pai?
— Claro que sim.
— Acha que ele vai gostar de mim? — A voz dela tremia, e Micael trocou um olhar com Lua.

Continua
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