– Mel, o que você está fazendo
aqui? – perguntei, abrindo caminho pelas arquibancadas até onde ela estava.
– Eu poderia perguntar a mesma
coisa – retrucou ela, sinalizando para que eu me sentasse ao seu lado.
Larguei a mochila e me sentei.
– Jake me convidou para
assistir ao treino de luta – expliquei, acenando para ele. Jake piscou para
mim, os músculos se avolumando quase como num desenho animado, mal contidos
pelo macacão justo de lycra.
– Por isso repito: o que você
está fazendo aqui?
– Ah, não sei. – Mel sorriu. –
Às vezes eu dou uma passada, só para acompanhar o treino.
O ginásio era dividido para
permitir que equipes de vários esportes partilhassem o espaço. Os tatames de
luta estavam desenrolados num canto, as líderes de torcida saltavam perto dos
lutadores e o time de basquete ocupava metade do piso brilhoso de madeira. O ar
estava cheio de grunhidos e gritos das líderes de torcida, de guinchos dos
tênis e de cheiro de suor. Um apito soprou agudo.
– Aguiar! Na frente, pelo
centro, droga! – A voz retumbante do técnico Ferrin soou acima de todos os
outros barulhos. – Você está há uma hora no bebedouro! Arrasta esse rabo de
volta para o treino!
Fiquei mais empertigada,
olhando quando um romeno alto de cabelos escuros correu vindo do vestiário dos
garotos e entrou na quadra.
– Arthur está jogando?
– Se está... – Mel suspirou,
sonhadora.
– Mel, é por causa do Arthur
que você vem pra cá?
– Não é, tipo, um vício –
protestou ela. – Talvez só uma ou duas vezes por semana. Mas, poxa, olha só
para ele!
Enquanto assistíamos, Arthur
agarrou uma bola atirada contra seu peito, deu alguns passos agressivos em
direção à cesta, saltou aparentemente sem esforço e enterrou a bola.
– Mas ele ainda nem voltou
para as aulas.
– É, eu o encontrei no
corredor antes do treino. Ele disse que vai voltar às aulas amanhã. – Ela me lançou
um olhar curioso. – Achei que você tinha dito que a perna dele estava quebrada.
– Estava machucada... – Ah,
inferno. Eu havia desistido de tentar explicar os mistérios de Arthur Aguiar. –
Acho que agora está melhor.
– E como.
– Mel!
– Ah, olha ele de short, Roberta.
Tem uns caras que a gente quer que fiquem de roupa. Mas Arthur podia até tirar
mais uma camada. Tipo, você não gostaria de ver o que tem por baixo daquilo?
Continua...

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