Ele tateou debaixo do
travesseiro e pegou um livro. Prendi a respiração, reconhecendo o exemplar de
Crescendo como morto-vivo – Um guia para o vampiro adolescente sobre namoro,
saúde e emoções.
– Você largou isso embaixo da
cama. – Arthur o estendeu para mim, mantendo a mão estrategicamente posicionada
sobre o título. – Estava esquecido no meio da poeira. Depois de toda a
consideração que coloquei na dedicatória...
Peguei o livro com ele,
apertando-o contra o peito e escondendo-o de Faith.
– Ah, obrigada.
– Acho que você vai achar o
capítulo sete muito útil. Lamento não poder dar mais orientação do que isso.
Mas o livro deve responder à maior parte das suas perguntas.
– Achei que essa fosse sua
especialidade – brinquei, pensando na dedicatória.
– Para ser sincero, sugiro que
satisfaça qualquer curiosidade que possa ter e depois jogue o guia fora. De uma
vez por todas. Na verdade é muito barulho por nada.
Meus olhos se arregalaram.
– O quê?
Desde quando Arthur Aguiar
achava que qualquer coisa relacionada aos vampiros era “muito barulho por
nada”? Eu tinha acabado de ouvir o cara fazer poesia sobre laços de sangue.
Tentei decifrar sua expressão, mas Arthur já estava concentrado de novo em
Faith.
– Estou sendo grosseiro ao
falar de coisas particulares quando tenho uma visita. Por favor, desculpe-me,
Faith.
– Sem problema, Arthur. Tenho
muito tempo. – Faith sorriu para mim e repetiu: – Tchau.
Mas eles nem me notaram. Faith
já havia chegado mais perto de Arthur, demonstrando todas as funções de seu
novo iPod. As cabeças estavam inclinadas sobre a telinha e eles riam.
Olhei mais uma vez para minha
fita idiota de segundo lugar, desejando não ter pendurado nada no quadro de
cortiça. Faith estava sentada praticamente embaixo dela. A fita no quarto dela
era azul. E maior. Fita de vencedora. Minha fita vermelha era de cor mais
forte, mais ousada, brilhando no quarto ensolarado, atraindo o olhar como um
pássaro exótico. Mas aquela faixa de seda carmim era na verdade somente a prima
patética e débil da azul.
– Tchau – falei. Eles não
responderam, já imersos na conversa, por isso saí, levando o livro.
Parei ao pé da escada e abri
no capítulo sete.
O título era: “Então você
sentiu cheiro de sangue? Parabéns!” Li o parágrafo de abertura, não uma, mas
quatro ou cinco vezes: “O aumento da percepção olfativa – às vezes se
aproximando do estímulo sexual – quando você está na presença de sangue é sinal
de que sua natureza vampírica está florescendo!”
Minha natureza vampírica.
Alguns parágrafos adiante o
guia orientava: “Logo você sentirá sede de sangue, em especial quando enfrentar
emoções fortes.” Acima de mim, ouvi Arthur rir com Faith Crosse. Eles riam alto
e intensamente, como se já compartilhassem histórias muito antigas.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário