sábado, 15 de abril de 2017

Prometida a um vampiro - Cap. 69


Ele tateou debaixo do travesseiro e pegou um livro. Prendi a respiração, reconhecendo o exemplar de Crescendo como morto-vivo – Um guia para o vampiro adolescente sobre namoro, saúde e emoções.
– Você largou isso embaixo da cama. – Arthur o estendeu para mim, mantendo a mão estrategicamente posicionada sobre o título. – Estava esquecido no meio da poeira. Depois de toda a consideração que coloquei na dedicatória...
Peguei o livro com ele, apertando-o contra o peito e escondendo-o de Faith.
– Ah, obrigada.
– Acho que você vai achar o capítulo sete muito útil. Lamento não poder dar mais orientação do que isso. Mas o livro deve responder à maior parte das suas perguntas.
– Achei que essa fosse sua especialidade – brinquei, pensando na dedicatória.
– Para ser sincero, sugiro que satisfaça qualquer curiosidade que possa ter e depois jogue o guia fora. De uma vez por todas. Na verdade é muito barulho por nada.
Meus olhos se arregalaram.
– O quê?
Desde quando Arthur Aguiar achava que qualquer coisa relacionada aos vampiros era “muito barulho por nada”? Eu tinha acabado de ouvir o cara fazer poesia sobre laços de sangue. Tentei decifrar sua expressão, mas Arthur já estava concentrado de novo em Faith.
– Estou sendo grosseiro ao falar de coisas particulares quando tenho uma visita. Por favor, desculpe-me, Faith.
– Sem problema, Arthur. Tenho muito tempo. – Faith sorriu para mim e repetiu: – Tchau.
Mas eles nem me notaram. Faith já havia chegado mais perto de Arthur, demonstrando todas as funções de seu novo iPod. As cabeças estavam inclinadas sobre a telinha e eles riam.
Olhei mais uma vez para minha fita idiota de segundo lugar, desejando não ter pendurado nada no quadro de cortiça. Faith estava sentada praticamente embaixo dela. A fita no quarto dela era azul. E maior. Fita de vencedora. Minha fita vermelha era de cor mais forte, mais ousada, brilhando no quarto ensolarado, atraindo o olhar como um pássaro exótico. Mas aquela faixa de seda carmim era na verdade somente a prima patética e débil da azul.
– Tchau – falei. Eles não responderam, já imersos na conversa, por isso saí, levando o livro.
Parei ao pé da escada e abri no capítulo sete.
O título era: “Então você sentiu cheiro de sangue? Parabéns!” Li o parágrafo de abertura, não uma, mas quatro ou cinco vezes: “O aumento da percepção olfativa – às vezes se aproximando do estímulo sexual – quando você está na presença de sangue é sinal de que sua natureza vampírica está florescendo!”
Minha natureza vampírica.
Alguns parágrafos adiante o guia orientava: “Logo você sentirá sede de sangue, em especial quando enfrentar emoções fortes.” Acima de mim, ouvi Arthur rir com Faith Crosse. Eles riam alto e intensamente, como se já compartilhassem histórias muito antigas.


Continua...

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