segunda-feira, 23 de maio de 2016

Amante da fantasia - Cap. 77


 

Lua ficou quieta durante horas, escutando Arthur respirar calmamente, dormindo atrás dela.


Ele tinha uma das coxas aninhadas entre suas pernas, e um braço envolvia sua cintura. Sentir-lhe o corpo ao redor do seu a fazia pulsar de desejo.


E o perfume... Teve vontade de virar-se e aspirar o aroma agradável daquela pele. Nunca ninguém a fizera sentir-se assim. Querida, segura... Desejada.


Perguntava-se como isso era possível, uma vez que mal se conheciam. Arthur tocava algo em seu íntimo que ultrapassava muito o aspecto físico.


Ele era forte, dominante. E engraçado. Ele a fazia rir e mexia com seu coração.


Passou de leve os dedos sobre a mão que descansava diante de si. Eram mãos tão lindas! Longas e delgadas. Mesmo relaxadas durante o sono, a força era inegável. E a mágica que produziam em seu corpo... Era fenomenal.


Correu o polegar pelo anel de general, imaginando como ele tinha sido naquela época.


A menos que a maldição tivesse alterado a idade física, não parecia muito velho. Certamente, não teria muito mais do que trinta anos. Como liderara um exército sendo tão jovem?


Por outro lado, Alexandre, o Grande, mal tinha idade para se barbear quando iniciara suas campanhas. Arthur devia ter sido prodigioso no campo de batalha.


Fechando os olhos, tentou imaginá-lo cavalgando na direção do inimigo. Visualizou-o vividamente na armadura, com a espada erguida, lutando corpo a corpo contra os romanos.


- Jasão?


Enrijeceu-se ao escutá-lo sussurrar, ainda adormecido, e virou-se para fitá-lo.


- Arthur?


Tenso, ele começou a falar, mesclando palavras em grego antigo.


- Não! Okhee! Okhee! Não!


Ao vê-lo sentar-se na cama, não soube dizer se ele tinha despertado ou não e, por instinto, tocou-o no braço.


Praguejando, Arthur agarrou-a e lançou-a de costas no colchão. Manteve-a presa, com os olhos refletindo fúria e os lábios contraídos.


- Vá para o inferno! - ele rosnou.


- Arthur! - Ela respirou com dificuldade, quando o aperto em seu braço intensificou-se, e tentou fazer com que ele a soltasse. - Sou eu, Lua!


- Lua? - ele repetiu, franzindo profundamente o cenho ao fixar a visão em seu rosto.


Piscando, ele se afastou. Ergueu as mãos e as olhou, como se fossem membros estranhos que ele nunca havia visto. Então, voltou-se para ela.


- Machuquei você?


- Não, estou bem. Como você está?


Ele não se mexeu.


- Arthur? - Estendeu a mão para tocá-lo, mas Arthur retraiu-se como se ela fosse venenosa.


- Estou bem. Foi só um sonho ruim.


- Um sonho ou uma lembrança ruim?


- Uma lembrança ruim que sempre assombra meus sonhos. - ele sussurrou, com a voz carregada de pesar. Depois, ele se levantou e disse: - Vou dormir em outro lugar.



Continua...

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