Lua ficou quieta durante horas, escutando Arthur respirar calmamente,
dormindo atrás dela.
Ele tinha uma das coxas aninhadas entre suas pernas, e um braço envolvia
sua cintura. Sentir-lhe o corpo ao redor do seu a fazia pulsar de desejo.
E o perfume... Teve vontade de virar-se e aspirar o aroma agradável
daquela pele. Nunca ninguém a fizera sentir-se assim. Querida, segura...
Desejada.
Perguntava-se como isso era possível, uma vez que mal se conheciam. Arthur
tocava algo em seu íntimo que ultrapassava muito o aspecto físico.
Ele era forte, dominante. E engraçado. Ele a fazia rir e mexia com seu
coração.
Passou de leve os dedos sobre a mão que descansava diante de si. Eram
mãos tão lindas! Longas e delgadas. Mesmo relaxadas durante o sono, a força era
inegável. E a mágica que produziam em seu corpo... Era fenomenal.
Correu o polegar pelo anel de general, imaginando como ele tinha sido
naquela época.
A menos que a maldição tivesse alterado a idade física, não parecia
muito velho. Certamente, não teria muito mais do que trinta anos. Como liderara
um exército sendo tão jovem?
Por outro lado, Alexandre, o Grande, mal tinha idade para se barbear
quando iniciara suas campanhas. Arthur devia ter sido prodigioso no campo de
batalha.
Fechando os olhos, tentou imaginá-lo cavalgando na direção do inimigo.
Visualizou-o vividamente na armadura, com a espada erguida, lutando corpo a
corpo contra os romanos.
- Jasão?
Enrijeceu-se ao escutá-lo sussurrar, ainda adormecido, e virou-se para
fitá-lo.
- Arthur?
Tenso, ele começou a falar, mesclando palavras em grego antigo.
- Não! Okhee! Okhee! Não!
Ao vê-lo sentar-se na cama, não soube dizer se ele tinha despertado ou
não e, por instinto, tocou-o no braço.
Praguejando, Arthur agarrou-a e lançou-a de costas no colchão. Manteve-a
presa, com os olhos refletindo fúria e os lábios contraídos.
- Vá para o inferno! - ele rosnou.
- Arthur! - Ela respirou com dificuldade, quando o aperto em seu braço
intensificou-se, e tentou fazer com que ele a soltasse. - Sou eu, Lua!
- Lua? - ele repetiu, franzindo profundamente o cenho ao fixar a visão
em seu rosto.
Piscando, ele se afastou. Ergueu as mãos e as olhou, como se fossem
membros estranhos que ele nunca havia visto. Então, voltou-se para ela.
- Machuquei você?
- Não, estou bem. Como você está?
Ele não se mexeu.
- Arthur? - Estendeu a mão para tocá-lo, mas Arthur retraiu-se como se
ela fosse venenosa.
- Estou bem. Foi só um sonho ruim.
- Um sonho ou uma lembrança ruim?
- Uma lembrança ruim que sempre assombra meus sonhos. - ele sussurrou,
com a voz carregada de pesar. Depois, ele se levantou e disse: - Vou dormir em
outro lugar.
Continua...

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