Lua pegou-o pelo braço antes que ele fosse embora e puxou-o de volta
para a cama.
- É isso o que você sempre fazia no passado?
Ele anuiu.
- Já contou a alguém a respeito do sonho?
Arthur encarou-a, espantado.
O que Lua achava que ele era? Uma criança chorona que precisava da mãe?
Sempre suportara seu sofrimento sozinho, como fora ensinado. Apenas
quando dormia, as lembranças conseguiam evadir suas defesas, apenas nesse
momento ele era fraco.
No livro, não havia quem ferir ao ser atingido pelo pesadelo. Porém,
assim que era libertado da prisão, sabia que não era prudente dormir ao lado de
alguém que pudesse agarrar em meio ao sofrimento.
Poderia tê-la matado por acidente. A ideia o aterrorizava.
- Não. - ele sussurrou. - Nunca contei a ninguém.
- Então, conte para mim.
- Não. - ele negou com firmeza. - Não quero reviver isso.
- Se você está revivendo toda vez que sonha, qual é a diferença? Permita
que eu me aproxime, Arthur. Deixe-me ver se posso ajudar.
Ele ousaria ter esperança de que Lua pudesse ajudá-lo?
"Você sabe que não deve."
Ainda assim... Queria expurgar os demônios. Queria uma noite de sono
tranquila, livre de tormento.
- Conte-me. - ela insistiu com gentileza.
Lua sentiu a relutância de Arthur enquanto ele se unia outra vez a ela
na cama. Permaneceu sentado na beirada, com a cabeça entre as mãos.
- Você me perguntou como eu fui amaldiçoado. Isso aconteceu porque eu
traí o único irmão que conheci. A única família que tive.
A agonia de Arthur a afetava profundamente. Ansiava por correr a mão
pelas costas largas para confortá-lo. Porém, não ousou tocá-lo, pois não queria
que ele se retraísse de novo.
- O que você fez?
Ele passou a mão pelos cabelos. Com a mandíbula contraída, fitou o
tapete.
- Eu permiti que a inveja me envenenasse.
Continua...

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