terça-feira, 24 de maio de 2016

Amante da fantasia - Cap. 81


- E o pior - disse ele, afagando de leve seu braço -, era que ela estava apaixonada por ele. A cada vez que visitávamos, lá estava ela para atirar-se nos braços de Jasão e beijá-lo. Para dizer-lhe o quanto ele era importante. Quando partíamos, ela implorava baixinho que ele tivesse cuidado. Então, ela também começou a deixar coisas para que ele encontrasse.


Arthur interrompeu-se por instantes para se lembrar da aparência de Jasão ao retornar para o quartel com os presentes de Penélope.


"Você pode se casar um dia, Arthur." , Jasão dizia ao ostentar os regalos de Penélope, "Mas nunca terá uma esposa como ela aquecendo a sua cama."


Embora Jasão não explicitasse o motivo, Arthur o conhecia bem. Nenhum pai digno consentiria em entregar a filha a um homem bastardo e deserdado, sem uma família que o reconhecesse.


Sempre que Jasão proferia essas palavras, elas o destroçavam. Houvera épocas em que suspeitara que Jasão jogasse sal na ferida devido ao ciúme, por causa do modo como Penélope detinha nele o olhar por tempo demais, quando achava que o noivo não estava olhando.


Jasão podia ter-lhe conquistado o coração, mas, como as outras mulheres, ela cobiçava Arthur quando ele se aproximava. Por esse motivo, Jasão parou de convidá-lo para as visitas.


E ser banido do único lar que conhecera o arruinara.


- Eu deveria ter permitido que se casassem. - Arthur virou-se e envolveu a cabeça de Lua com o braço, enterrando o rosto em seu pescoço para inalar o doce conforto de seu aroma. - Eu sabia disso já naquela época, mas não conseguia suportar. Ano após ano, eu a via amá-lo. Eu via a família dele cercá-lo de carinho e de preocupação, enquanto eu não tinha nem mesmo uma casa à qual ir.


- Por quê? Você disse que tinha irmãos. Por que não permitiam que ficasse com eles?


Arthur meneou a cabeça.


- Os filhos do meu pai me odiavam com todas as forças. A mãe deles teria me deixado entrar, mas eu recusei pagar o preço que ela exigia. Eu não tinha muito naquele tempo, mas ainda tinha a minha dignidade.


- Você tem dignidade agora também. - ela sussurrou, aumentando o aperto ao redor da cintura dele.


- Eu vi o suficiente para saber. - Soltando-a, ele desviou o olhar, com a mandíbula tensa.


- O que aconteceu com Jasão? - ela perguntou, querendo que ele continuasse falando enquanto estivesse disposto.


- Ele morreu em batalha? - Arthur riu amargamente.


- Não. Quando chegamos à idade de nos unirmos ao exército, eu o mantinha a salvo no campo de batalha. Eu tinha prometido a Penélope e à família dele que não deixaria que nada lhe acontecesse.


Lua sentia o coração de Arthur acelerado de encontro aos seus braços.


- Conforme os anos passavam, era o meu nome que as pessoas sussurravam com respeito e medo. Minhas lendas e vitórias eram recontadas diversas vezes. E, quando eu retornava a Thymaria, acabava dormindo nas ruas ou na cama de qualquer mulher que abrisse a porta para que eu passasse a noite, esperando a hora de voltar para a batalha.


Ela sentiu lágrimas nos olhos com a dor refletida na voz de Arthur.


Como alguém podia tê-lo tratado daquela forma?


Continua...

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