- E o pior - disse ele, afagando de leve seu braço -, era que ela estava
apaixonada por ele. A cada vez que visitávamos, lá estava ela para atirar-se
nos braços de Jasão e beijá-lo. Para dizer-lhe o quanto ele era importante.
Quando partíamos, ela implorava baixinho que ele tivesse cuidado. Então, ela
também começou a deixar coisas para que ele encontrasse.
Arthur interrompeu-se por instantes para se lembrar da aparência de
Jasão ao retornar para o quartel com os presentes de Penélope.
"Você pode se casar um dia, Arthur." , Jasão dizia ao ostentar
os regalos de Penélope, "Mas nunca terá uma esposa como ela aquecendo a
sua cama."
Embora Jasão não explicitasse o motivo, Arthur o conhecia bem. Nenhum
pai digno consentiria em entregar a filha a um homem bastardo e deserdado, sem
uma família que o reconhecesse.
Sempre que Jasão proferia essas palavras, elas o destroçavam. Houvera
épocas em que suspeitara que Jasão jogasse sal na ferida devido ao ciúme, por
causa do modo como Penélope detinha nele o olhar por tempo demais, quando
achava que o noivo não estava olhando.
Jasão podia ter-lhe conquistado o coração, mas, como as outras mulheres,
ela cobiçava Arthur quando ele se aproximava. Por esse motivo, Jasão parou de
convidá-lo para as visitas.
E ser banido do único lar que conhecera o arruinara.
- Eu deveria ter permitido que se casassem. - Arthur virou-se e envolveu
a cabeça de Lua com o braço, enterrando o rosto em seu pescoço para inalar o
doce conforto de seu aroma. - Eu sabia disso já naquela época, mas não
conseguia suportar. Ano após ano, eu a via amá-lo. Eu via a família dele
cercá-lo de carinho e de preocupação, enquanto eu não tinha nem mesmo uma casa
à qual ir.
- Por quê? Você disse que tinha irmãos. Por que não permitiam que
ficasse com eles?
Arthur meneou a cabeça.
- Os filhos do meu pai me odiavam com todas as forças. A mãe deles teria
me deixado entrar, mas eu recusei pagar o preço que ela exigia. Eu não tinha
muito naquele tempo, mas ainda tinha a minha dignidade.
- Você tem dignidade agora também. - ela sussurrou, aumentando o aperto
ao redor da cintura dele.
- Eu vi o suficiente para saber. - Soltando-a, ele desviou o olhar, com
a mandíbula tensa.
- O que aconteceu com Jasão? - ela perguntou, querendo que ele
continuasse falando enquanto estivesse disposto.
- Ele morreu em batalha? - Arthur riu amargamente.
- Não. Quando chegamos à idade de nos unirmos ao exército, eu o mantinha
a salvo no campo de batalha. Eu tinha prometido a Penélope e à família dele que
não deixaria que nada lhe acontecesse.
Lua sentia o coração de Arthur acelerado de encontro aos seus braços.
- Conforme os anos passavam, era o meu nome que as pessoas sussurravam
com respeito e medo. Minhas lendas e vitórias eram recontadas diversas vezes.
E, quando eu retornava a Thymaria, acabava dormindo nas ruas ou na cama de
qualquer mulher que abrisse a porta para que eu passasse a noite, esperando a
hora de voltar para a batalha.
Ela sentiu lágrimas nos olhos com a dor refletida na voz de Arthur.
Como alguém podia tê-lo tratado daquela forma?
Continua...

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