quinta-feira, 12 de maio de 2016

Amante da fantasia - Cap. 76




Lua estremeceu ao notar a dor por trás daquele simples pedido.


Seu pobre Arthur. O que tinham feito com ele? Como alguém era capaz de fazer algo assim a uma pessoa como ele?


Ele pegou o livro e colocou-o nas mãos dela.


- Leia para mim.


Lua abriu o livro enquanto Arthur empilhava os travesseiros contra a cabeceira. Então, ele apoiou as costas e puxou-a para perto.


Sem dizer uma palavra, ele aninhou-a carinhosamente entre os braços. O aroma de sândalo envolveu-a conforme ela começava a ler para ele a respeito de Wendy e Peter Pan.


Passaram mais de uma hora daquela forma.


- Eu adoro o som da sua voz. A forma como você fala. - ele comentou, quando ela parou para virar a página.


Lua sorriu.


- Tenho que dizer o mesmo a seu respeito. Você tem o sotaque mais letal que eu já escutei.


Retirando o livro de suas mãos, ele o colocou no criado-mudo. Lua fitou-o.


O desejo refletia nos belos olhos enquanto ele a encarava com um apetite que roubava seu fôlego.


Então, para seu espanto, ele a beijou de leve na ponta do nariz. Depois, pegou o controle remoto e regulou a iluminação para a claridade mais baixa.


Lua não sabia o que dizer ao senti-lo aconchegar-se de encontro às suas costas e abraçá-la. Ele afastou-lhe o cabelo do rosto e apoiou a cabeça acima da sua.


- Adoro seu cheiro. - ele sussurrou, abraçando-a com mais força.


- Obrigada. - ela murmurou.


Ela não podia saber com certeza, mas achou que ele estivesse sorrindo. Aconchegou-se ainda mais ao calor de Arthur, mas o jeans roçou suas pernas nuas.


- Você está confortável com essas roupas? Não deveria se trocar?


- Não. - ele respondeu calmamente. - Desta forma, eu sei que minha colher vai ficar longe do seu pote de...


- Não diga isso! - ela exclamou, rindo. - Sem querer ofender, mas seu irmão é odioso.


- Sabia que eu gostava de você por alguma razão.


Lua pegou o controle remoto das mãos dele.


- Boa Noite, Arthur.


- Boa Noite, querida.


Ela apagou a luz. De imediato, sentiu-o enrijecer-se.


Respirando de forma rápida e superficial, ele se afastou.


- Arthur?


Ele não respondeu.


Preocupada, Lua acendeu as luzes e o viu apoiando-se nos braços retesados. A testa estava úmida de suor, e os olhos revelavam perturbação e pânico, enquanto ele se esforçava para respirar.


- Arthur?


Ele olhou ao redor do aposento como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo horripilante.


Ergueu uma das mãos e apoiou-a na parede acima da cabeceira. Parecia querer certificar-se de que era real, e não uma alucinação. P
assando a língua pelos lábios, ele esfregou a mão no peito e engoliu com dificuldade. Foi então que ela soube.


Era a escuridão. Era por isso que ele apenas diminuíra a luz.


- Desculpe-me, Arthur. Eu não pensei...


Ele não disse nada.


Lua puxou-o para seus braços, espantada com o modo como um homem forte como aquele se agarrava a ela, como se não pudesse soltá-la. Arthur deitou a cabeça em seus seios.


Cerrando os dentes, ela sentiu lágrimas nos olhos. Nesse instante, soube que nunca poderia deixá-lo voltar para aquele livro.


Nunca. De algum jeito, eles romperiam a maldição.


E, quando tudo acabasse, esperava que Arthur conseguisse se vingar dos responsáveis.



Continua...

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