Lua estremeceu ao notar a dor por trás daquele simples pedido.
Seu pobre Arthur. O que tinham feito com ele? Como alguém era capaz de
fazer algo assim a uma pessoa como ele?
Ele pegou o livro e colocou-o nas mãos dela.
- Leia para mim.
Lua abriu o livro enquanto Arthur empilhava os travesseiros contra a
cabeceira. Então, ele apoiou as costas e puxou-a para perto.
Sem dizer uma palavra, ele aninhou-a carinhosamente entre os braços. O
aroma de sândalo envolveu-a conforme ela começava a ler para ele a respeito de
Wendy e Peter Pan.
Passaram mais de uma hora daquela forma.
- Eu adoro o som da sua voz. A forma como você fala. - ele comentou,
quando ela parou para virar a página.
Lua sorriu.
- Tenho que dizer o mesmo a seu respeito. Você tem o sotaque mais letal
que eu já escutei.
Retirando o livro de suas mãos, ele o colocou no criado-mudo. Lua
fitou-o.
O desejo refletia nos belos olhos enquanto ele a encarava com um apetite
que roubava seu fôlego.
Então, para seu espanto, ele a beijou de leve na ponta do nariz. Depois,
pegou o controle remoto e regulou a iluminação para a claridade mais baixa.
Lua não sabia o que dizer ao senti-lo aconchegar-se de encontro às suas
costas e abraçá-la. Ele afastou-lhe o cabelo do rosto e apoiou a cabeça acima
da sua.
- Adoro seu cheiro. - ele sussurrou, abraçando-a com mais força.
- Obrigada. - ela murmurou.
Ela não podia saber com certeza, mas achou que ele estivesse sorrindo.
Aconchegou-se ainda mais ao calor de Arthur, mas o jeans roçou suas pernas
nuas.
- Você está confortável com essas roupas? Não deveria se trocar?
- Não. - ele respondeu calmamente. - Desta forma, eu sei que minha
colher vai ficar longe do seu pote de...
- Não diga isso! - ela exclamou, rindo. - Sem querer ofender, mas seu
irmão é odioso.
- Sabia que eu gostava de você por alguma razão.
Lua pegou o controle remoto das mãos dele.
- Boa Noite, Arthur.
- Boa Noite, querida.
Ela apagou a luz. De imediato, sentiu-o enrijecer-se.
Respirando de forma rápida e superficial, ele se afastou.
- Arthur?
Ele não respondeu.
Preocupada, Lua acendeu as luzes e o viu apoiando-se nos braços
retesados. A testa estava úmida de suor, e os olhos revelavam perturbação e
pânico, enquanto ele se esforçava para respirar.
- Arthur?
Ele olhou ao redor do aposento como se tivesse acabado de acordar de um
pesadelo horripilante.
Ergueu uma das mãos e apoiou-a na parede acima da cabeceira. Parecia
querer certificar-se de que era real, e não uma alucinação. P
assando a língua pelos lábios, ele esfregou a mão no peito e engoliu com dificuldade. Foi então que ela soube.
assando a língua pelos lábios, ele esfregou a mão no peito e engoliu com dificuldade. Foi então que ela soube.
Era a escuridão. Era por isso que ele apenas diminuíra a luz.
- Desculpe-me, Arthur. Eu não pensei...
Ele não disse nada.
Lua puxou-o para seus braços, espantada com o modo como um homem forte
como aquele se agarrava a ela, como se não pudesse soltá-la. Arthur deitou a
cabeça em seus seios.
Cerrando os dentes, ela sentiu lágrimas nos olhos. Nesse instante, soube
que nunca poderia deixá-lo voltar para aquele livro.
Nunca. De algum jeito, eles romperiam a maldição.
E, quando tudo acabasse, esperava que Arthur conseguisse se vingar dos
responsáveis.
Continua...

Web linda , esperando os próximos cap.💓
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