- O que aconteceu para que isso mudasse? - ela indagou.
Arthur suspirou.
- Uma noite, enquanto procurava um lugar para dormir, eu topei com os
dois, que estavam abraçados. Desculpei-me rapidamente, mas, ao prosseguir,
escutei Jasão conversando com Penélope.
O corpo inteiro de Arthur estava rígido nos braços de Lua, e o coração
dele acelerou-se ainda mais.
- O que ele disse? - Lua instigou-o.
A luz nos olhos verdes se apagou.
- Penélope indagou a ele por que eu nunca ia para as casas dos meus
irmãos. Ele riu e disse: Ninguém quer Arthur. Ele é filho de Afrodite, a deusa
do amor, e nem mesmo ela suporta estar perto dele.
Lua inspirou com dificuldade, ouvindo-o repetir as palavras cruéis. Mal
podia imaginar o que ele sentira ao escutá-las.
Arthur respirou fundo.
- Eu o havia defendido incontáveis vezes. Tinha sofrido numerosos
ferimentos em batalha para protegê-lo, incluindo uma lança que atravessou a
lateral do meu corpo, e lá estava ele zombando de mim para ela. Não consegui
suportar a injustiça. Eu achava que éramos irmãos. E, no final, acredito que
éramos mesmo, uma vez que ele me tratou da mesma forma que o restante da minha
família. Eu nunca havia sido nada além de um enteado bastardo. Sozinho e
indesejável. Não entendia por que ele tinha tantas pessoas para amá-lo, quando
eu queria apenas uma. Zangado e magoado pelas palavras dele, eu fiz o que nunca
fizera antes. Apelei a Eros.
Lua podia facilmente imaginar o que acontecera depois.
- Ele fez Penélope apaixonar-se por você.
- Sim. Eros atingiu Jasão com uma flecha de chumbo para matar o amor
dele por Penélope, e ela foi contemplada com a flecha dourada para que me
amasse. Teoricamente, esse seria o fim de tudo...
Embalando-o gentilmente em seus braços, ela esperou que Arthur
encontrasse as próximas palavras.
- Levei dois anos para convencer o pai dela a permitir que se casasse
com um bastardo deserdado e sem a influência da família. Na época, minha lenda havia
crescido e eu tinha sido promovido. Finalmente, eu acumulara riqueza suficiente
para oferecer-lhe acomodações dignas da realeza. E eu não poupava despesas no
que se referia a ela. Tínhamos jardins, escravos, tudo o que ela desejava. Eu
lhe dei uma liberdade da qual nenhuma outra mulher na época desfrutava.
- E não foi o suficiente?
Ele meneou a cabeça.
Continua...

linda to loca para mais capitulos bjss
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