terça-feira, 24 de maio de 2016

Amante da fantasia - Cap. 82


- O que aconteceu para que isso mudasse? - ela indagou.


Arthur suspirou.


- Uma noite, enquanto procurava um lugar para dormir, eu topei com os dois, que estavam abraçados. Desculpei-me rapidamente, mas, ao prosseguir, escutei Jasão conversando com Penélope.


O corpo inteiro de Arthur estava rígido nos braços de Lua, e o coração dele acelerou-se ainda mais.


- O que ele disse? - Lua instigou-o.


A luz nos olhos verdes se apagou.


- Penélope indagou a ele por que eu nunca ia para as casas dos meus irmãos. Ele riu e disse: Ninguém quer Arthur. Ele é filho de Afrodite, a deusa do amor, e nem mesmo ela suporta estar perto dele.


Lua inspirou com dificuldade, ouvindo-o repetir as palavras cruéis. Mal podia imaginar o que ele sentira ao escutá-las.


Arthur respirou fundo.


- Eu o havia defendido incontáveis vezes. Tinha sofrido numerosos ferimentos em batalha para protegê-lo, incluindo uma lança que atravessou a lateral do meu corpo, e lá estava ele zombando de mim para ela. Não consegui suportar a injustiça. Eu achava que éramos irmãos. E, no final, acredito que éramos mesmo, uma vez que ele me tratou da mesma forma que o restante da minha família. Eu nunca havia sido nada além de um enteado bastardo. Sozinho e indesejável. Não entendia por que ele tinha tantas pessoas para amá-lo, quando eu queria apenas uma. Zangado e magoado pelas palavras dele, eu fiz o que nunca fizera antes. Apelei a Eros.


Lua podia facilmente imaginar o que acontecera depois.


- Ele fez Penélope apaixonar-se por você.


- Sim. Eros atingiu Jasão com uma flecha de chumbo para matar o amor dele por Penélope, e ela foi contemplada com a flecha dourada para que me amasse. Teoricamente, esse seria o fim de tudo...


Embalando-o gentilmente em seus braços, ela esperou que Arthur encontrasse as próximas palavras.


- Levei dois anos para convencer o pai dela a permitir que se casasse com um bastardo deserdado e sem a influência da família. Na época, minha lenda havia crescido e eu tinha sido promovido. Finalmente, eu acumulara riqueza suficiente para oferecer-lhe acomodações dignas da realeza. E eu não poupava despesas no que se referia a ela. Tínhamos jardins, escravos, tudo o que ela desejava. Eu lhe dei uma liberdade da qual nenhuma outra mulher na época desfrutava.


- E não foi o suficiente?


Ele meneou a cabeça.



Continua...

Um comentário:

Prometida a um Vampiro - Cap.71