sábado, 21 de novembro de 2015

Casamento por conveniência - Cap. 56




Obs.: Estamos chagando na reta final...

Tinha que estar. Não suportaria se não estivesse.


Logo a família estava de pé e em atividade. Lua podia ouvir a movimentação de Teresa na cozinha, podia sentir o cheiro do café fresco e do pão assado, e ouvir o baixo murmúrio de vozes.


Então, Teresa deu uma olhadela por entre a porta.


— Ti kani? — ela perguntou.


— Melhor, eu acho — respondeu Lua em inglês.


— Eisai kourasmeni — disse Teresa, e Lua compreendeu o bastante para perceber que ela estava dizendo que ela devia estar cansada.


Só então ela notou que seus braços estavam tensos e suas pernas latejavam ligeiramente. Teresa fez sinal indicando que ela devia descansar. Mas antes, deu a Lua uma xícara de café quente, que bebeu, agradecida. Recusara toda a comida oferecida na noite ante­rior, incapaz de digerir qualquer coisa. Porém, vendo Arthur pálido, mas melhor, e certa de que ele estava se recuperando, relaxou um pouco e percebeu que estava com fome.

Teresa indicou o caminho da cozinha e insistiu para que Lua se unisse à família para o café da manhã. Enquanto comia, Lua agrade­cia pelo resgate providencial que os salvara do que poderia ter sido um acidente fatal.


Então ela voltou para o lado de Arthur, observando-o com cari­nho, esperando que ele abrisse logo aqueles maravilhosos olhos cas­tanhos e sorrisse para ela como só ele sabia fazer.


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— Não acredito que estamos aqui há três semanas — afirmou Lua em uma das noites em que eles estavam sentados no terraço. Arthur tinha se recuperado muito rapidamente, mas ainda precisava repousar.


— Passou tão rápido — concordou Arthur, apertando os dedos dela. — Obrigado, meu amor, por cuidar de mim. Eu não podia ter esposa melhor. — Ele sorriu para ela, com o corte do queixo pratica­mente cicatrizado.


— Você não é um paciente dos mais fáceis — ela repreendeu, lembrando dos primeiros dias depois do acidente, quando Arthur começou a se recuperar e queria se levantar, impaciente por ter que ficar quieto quando queria estar em atividade. Mas Lua insistiu e, por alguma razão que ele não podia compreender, Arthur cedera aos desejos dela.


— Outra taça de vinho? — ele perguntou, olhando para o relógio. — Tenho que fazer algumas ligações em cerca de vinte minutos, só posso ficar aqui por mais um tempo.


— Está bem. — Lua sorriu. Adorava aquelas noites no terraço, passando o tempo juntos, momentos que se tornaram ainda mais pre­ciosos depois do acidente.


O acidente que formara uma ligação silenciosa entre eles. Não precisaram relembrá-lo, mas cada um sabia o quanto estivera próxi­mo de perder o outro, e essa idéia deixava os dois perturbados.


— Ah, ali está o telefone — observou Arthur, levantando da ca­deira e entrando.


Lua ouviu fragmentos da voz dele pela porta de vidro que ficou aberta.


— Sim? Quando você descobriu? Ah, entendo. Bem, teremos que lidar com isso imediatamente. Eu sabia que era ele. Temo que sim... Não, isso seria impossível. Certo. Estarei lá amanhã.


Continua...

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