Mel deu um sorriso irritado.
- O que havia de errado com Gerry?
- Mau hálito.
- Jamie?
- Sua predileção por ficar com o dedo no nariz, especialmente durante o
jantar.
- Tony?
Sem dizer nada, Lua fitou-a. Mel ergueu as mãos.
- Certo, talvez ele tivesse um pequeno problema com jogos de azar. Mas
todos precisam de um hobby.
Lua continuou encarando-a.
- Ei, Madame Mel, já voltou do almoço? - Sophia perguntou da barraca ao
lado, onde vendia seus desenhos e cerâmicas.
Alguns anos mais jovem do que elas, Sophia tinha cabelos negros e
longos, e seus trajes faziam Lua se lembrar de uma princesa de contos de fadas.
Ela usava uma fina saia branca, que seria obscena se não fosse o collant
cor-de-rosa sob ela e a bonita blusa tipo cigana.
- Sim, estou de volta. - Mel respondeu, ajoelhando-se para destrancar as
portas de seu carrinho de metal, que ela amarrava todas as manhãs ao portão de
ferro com uma corrente de bicicleta.
- Alguém se interessou por mim enquanto estive fora?
- Dois rapazes pegaram seu cartão e disseram que voltariam depois de
comer.
- Obrigada.
Após colocar a bolsa dentro do carrinho, Mel pegou a caixa de charutos
azul-escura que usava para guardar o dinheiro, as cartas de tarô que mantinha
embrulhadas em um lenço de seda negro e um livro com capa de couro marrom bem
grande, mas fino, que Lua nunca vira. Então, pôs o chapéu de palha de abas
largas e se levantou.
- Você marcou o preço em todas as peças? - perguntou para Sophia.
- Sim. - Sophia retrucou, pegando a bolsa. - Ainda acho que dá azar.
Mas, pelo menos, se alguém quiser saber o preço de alguma coisa enquanto eu
estiver fora, estará lá.
Um motociclista de aparência rude parou perto da calçada.
- Ei, Sophia! - ele gritou. - Traga seu traseiro até aqui. Estou com
fome.
Ela fez um gesto, desconsiderando o jeito grosseiro do motociclista.
- Trate de se comportar, Micael, ou vai comer sozinho. - Sophia o
alertou enquanto caminhava lentamente na direção dele. Por fim, subiu na garupa
da moto.
Lua meneou a cabeça, pensando que Sophia precisava de mais ajuda com
homens do que ela. Observou-os passar pelo Cafe du Monde.
- Ah, seria ótimo comer um beignet como sobremesa.
- Comida não substitui sexo. - afirmou Mel, colocando as cartas e o
livro sobre a mesa. - Não é o que você vive dizendo...
- Certo você tem razão. Mas, sinceramente, Mel, por que, de repente,
você está tão interessada na minha vida sexual? Ou, mais importante, na falta
dela?
Mel entregou-lhe o livro.
- Porque eu tenho uma idéia.
Ali estava algo que a fazia gelar até os ossos, mesmo naquele calor
miserável. E Lua não se assustava com facilidade.
Bem, a menos que envolvesse Mel e uma de suas idéias despropositadas.
- Outra sessão espírita?
Continua...

Mais mais maissssssss
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