sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Amante da fantasia - Cap. 3



Mel deu um sorriso irritado.


- O que havia de errado com Gerry?


- Mau hálito.


- Jamie?


- Sua predileção por ficar com o dedo no nariz, especialmente durante o jantar.


- Tony?


Sem dizer nada, Lua fitou-a. Mel ergueu as mãos.


- Certo, talvez ele tivesse um pequeno problema com jogos de azar. Mas todos precisam de um hobby.


Lua continuou encarando-a.


- Ei, Madame Mel, já voltou do almoço? - Sophia perguntou da barraca ao lado, onde vendia seus desenhos e cerâmicas.


Alguns anos mais jovem do que elas, Sophia tinha cabelos negros e longos, e seus trajes faziam Lua se lembrar de uma princesa de contos de fadas. Ela usava uma fina saia branca, que seria obscena se não fosse o collant cor-de-rosa sob ela e a bonita blusa tipo cigana.


- Sim, estou de volta. - Mel respondeu, ajoelhando-se para destrancar as portas de seu carrinho de metal, que ela amarrava todas as manhãs ao portão de ferro com uma corrente de bicicleta.


- Alguém se interessou por mim enquanto estive fora?


- Dois rapazes pegaram seu cartão e disseram que voltariam depois de comer.


- Obrigada.


Após colocar a bolsa dentro do carrinho, Mel pegou a caixa de charutos azul-escura que usava para guardar o dinheiro, as cartas de tarô que mantinha embrulhadas em um lenço de seda negro e um livro com capa de couro marrom bem grande, mas fino, que Lua nunca vira. Então, pôs o chapéu de palha de abas largas e se levantou.


- Você marcou o preço em todas as peças? - perguntou para Sophia.


- Sim. - Sophia retrucou, pegando a bolsa. - Ainda acho que dá azar. Mas, pelo menos, se alguém quiser saber o preço de alguma coisa enquanto eu estiver fora, estará lá.


Um motociclista de aparência rude parou perto da calçada.


- Ei, Sophia! - ele gritou. - Traga seu traseiro até aqui. Estou com fome.


Ela fez um gesto, desconsiderando o jeito grosseiro do motociclista.


- Trate de se comportar, Micael, ou vai comer sozinho. - Sophia o alertou enquanto caminhava lentamente na direção dele. Por fim, subiu na garupa da moto.


Lua meneou a cabeça, pensando que Sophia precisava de mais ajuda com homens do que ela. Observou-os passar pelo Cafe du Monde.


- Ah, seria ótimo comer um beignet como sobremesa.


- Comida não substitui sexo. - afirmou Mel, colocando as cartas e o livro sobre a mesa. - Não é o que você vive dizendo...


- Certo você tem razão. Mas, sinceramente, Mel, por que, de repente, você está tão interessada na minha vida sexual? Ou, mais importante, na falta dela?


Mel entregou-lhe o livro.


- Porque eu tenho uma idéia.


Ali estava algo que a fazia gelar até os ossos, mesmo naquele calor miserável. E Lua não se assustava com facilidade.


Bem, a menos que envolvesse Mel e uma de suas idéias despropositadas.


- Outra sessão espírita?


Continua...

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