SANTORINI, Grécia, 1996
-MEU REINO POR UMA ARMA
Sacudindo a cabeça ante
as hostis palavras do Lua, Chay lhe abriu tranquilamente à porta do carro
enquanto ela se aproximava do pequeno táxi que lhes esperava em meio da lotada
rua grega.
-Você não tem um reino.
Ela se deteve brevemente
sobre a calçada para lhe fulminar com o olhar. Considerando a furiosa que
estava, não podia acreditar que ele se atrevesse a lhe indicar algo tão óbvio.
Ela era conhecida por ferir com as palavras quando só estava um pouco irritada.
Realmente, o homem não tinha instinto de auto-preservação.
-E não tenho uma arma,
parece que sou uma imbecil com sorte até o final, huh?
De todas as formas, ele
sempre estava tranquilo — algo que realmente não a ajudava a melhorar seu
humor. Por uma vez, não poderia incomodar-se ele também?
-Entendo que não conseguiu
as permissões... Outra vez.
Podia ter economizado
essa parte de “outra vez”.
-Qual foi sua primeira
pista?
-Oh, não sei. Talvez
porque caminhava rua abaixo pisando muito forte, apertando os punhos como se
estivesse estrangulando a alguém, ou possivelmente por me olhar, como se quisesse
me arrancar os olhos quando eu não fiz nada para te encher o saco.
-Sim, tem-no feito.
Ela diria que ele estava
tentando ocultar um sorriso. Graças a Deus que ele tinha a sensatez de
ocultá-lo.
-E o que fiz?
-Não tem uma arma.
Ele soprou. -Vamos, não
pode dar um tiro a cada oficial grego que se cruze em seu caminho.
-Quer apostar?
Chay se afastou para
deixá-la entrar primeiro no táxi. Com um metro oitenta e dois e seus quarenta e
tantos anos era um homem arrumado. Muito distinto e inteligente. E o melhor de
tudo, é que era desmesuradamente rico e muito capaz de financiar sua última
louca aventura sem queixar-se muito.
Desgraçadamente, ele não
queria subornar aos oficiais públicos.
Era pedir muito encontrar
um financista corrupto? Sem dúvida Chay tinha que ter algum vício, e nesse
momento ela não podia pensar em nenhum que lhe servisse mais que esse.
-Assim, O que faremos
agora? Perguntou ele enquanto se reunia com ela no carro.
Lua suspirou, desejando
poder lhe responder. Sua equipe estava esperando no navio que ela tinha
atracado no porto, mas sem a autorização que lhes permitia escavar os
montículos onde ela e Sophia acreditavam que havia uma cidade murada, só podiam
mergulhar sobre a superfície do que tinham encontrado e admirá-lo.
Era triste conformar-se
com isso. Essa era a melhor pista que tinham tido em anos. -Quero outra amostra
de lama.
-Já analisou e reanalizou
essas amostras.
-Sei, mas possivelmente
possa nos ajudar a convencê-los de que nos dêem as permissões. Sim, seguro… Ela
não tinha recebido particularmente bem a negativa e as palavras que lhe
disseram em sua última visita ainda ressonavam em seus ouvidos.
-Isto é a Grécia, Dra. Blanco.
Há ruínas por todos os lados e não vou te dar permissão para que comece a
levantar o fundo do Egeu, a qual é uma área com muito tráfico marítimo, quando
tudo o que pode me dar é esta outra-história-sobre-a-Atlântida. A verdade, é
que já tive suficientes caça tesouros tentando roubar nossa história nacional
só para sua própria glória ou riqueza. Não necessito nenhum mais. Nós, na
Grécia, tomamos nossa história com mais seriedade e você está me fazendo perder
um valioso tempo. Bom dia.
Bastava apenas recordar
para desejar rachar a cabeça contra o escritório até que se retratasse ou lhe
concedesse as permissões. Sua busca não era uma caça ao tesouro, mas tentar
convencê-lo disto era tão estúpido quanto tentar voar com asas de cera.
-Tem que haver alguma
forma de sair desta.
Chay ficou rígido. -Não
formarei parte de nada ilegal.
E por desgraça, ela
tampouco. -Não se preocupe, Chay. Não quero ir presa por isso.
Mas tinha que haver algo
que ela pudesse fazer...
Se tão somente
desaparecesse a maldita dor de cabeça, ela poderia pensar. Mas a palpitante
dor, e o desagradável oficial, pareciam decididos a lhe arruinar o dia.
Ela se reclinou no
assento e observou os belos edifícios e a paisagem da cidade, as pessoas iam
para as lojas que haviam nas calçadas. Como desejaria não ter obrigações e
poder vagar pelas lojas, comprando e sorrindo como a maioria desses
transeuntes. Infelizmente, ela nunca tinha podido ser uma turista em nenhum
lugar.
Pois Lua Blanco sempre
trabalhava e nunca brincava.
Nenhum deles falou
enquanto o táxi se dirigia através das estreitas ruas, para o porto onde estava
esperando seu navio. Enquanto Chay pagava o taxista, Lua desceu e se dirigiu à
passarela do navio para enfrentar à equipe atrás de seu estrepitoso fracasso.
Continua...

Maissss
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