quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Amante da fantasia - Cap.17


Lua levantou-se de repente e foi até o outro lado da mesinha de centro.


- Está me dizendo que estou presa a você pelo próximo mês?


- Sim.


Atordoada, ela esfregou os olhos.


Não podia entretê-lo por um mês. Um mês inteiro! Tinha responsabilidades, obrigações. Precisava encontrar um novo hobby.


- Veja bem - ela disse -, acredite você ou não, eu tenho uma vida. Uma vida que não inclui você.


Lua soube, pela expressão no belo rosto, que ele não apreciou suas palavras. Nem um pouco.


- Se acha que eu estou animado por estar aqui com você, está tristemente enganada. Asseguro-lhe que não estou aqui por opção.


As palavras a feriram.


- Bem, não é você por inteiro que se sente assim. - Ela dirigiu o olhar para a parte dele que ainda estava ereta.


Olhando para a protuberância sob a toalha, ele suspirou.


- Infelizmente, eu não tenho controle sobre isto da mesma forma que não tenho sobre o fato de estar aqui.


- Ali está a porta. - ela falou, apontando na direção da saída. - Não deixe que ela bata em seu traseiro quando sair.


- Acredite em mim, se eu pudesse ir embora, eu iria.


Lua hesitou diante daquelas palavras e de seu significado.


- Está me dizendo que eu não posso desejar que você vá embora? Ou fazer com que volte para o livro?


- Acho que a palavra que você usou foi bingo.


Ela ficou em silêncio.


Levantando-se devagar, Arthur encarou-a.


Durante todos os séculos em que estivera amaldiçoado, era a primeira vez que algo desse tipo acontecia. Todas as outras mulheres que o haviam evocado sabiam o que ele era e estavam mais do que desejosas de passar o mês em seus braços, usando alegremente o corpo dele para o prazer.


Nunca em sua vida, nesta ou na mortal, encontrara uma mulher que não o desejasse fisicamente. Era... Estranho. Humilhante. Quase embaraçoso.


A maldição poderia estar enfraquecendo? Talvez, por fim, ele pudesse ser livre? Assim que a ideia cruzou sua mente, ele soube que não poderia ser possível. Quando os deuses gregos decidiam punir, eles o faziam com estilo e com um ímpeto que nem mesmo dois milênios abrandariam.


Houvera uma vez, muito tempo atrás, em que ele tinha lutado contra a maldição. Uma época em que acreditara que podia ser livre. Contudo, mais de dois mil anos de confinamento e impiedosa tortura lhe haviam ensinado uma coisa... resignação.


Ele merecera seu inferno e, como o soldado que fora uma vez, aceitara sua punição. Engolindo a bile presa na garganta, Arthur abriu os braços, oferecendo a ela o seu corpo.


- Pode fazer o que quiser comigo. Apenas me diga como agradá-la.


- Então, eu desejo que vá embora.


Ele abaixou os braços.


- Exceto isso.


Frustrada, Lua começou a andar de um lado para o outro. Com os hormônios finalmente sob controle e a cabeça mais livre, ela buscava uma solução. Porém, por mais que se esforçasse, não parecia haver saída.


Uma dor terrível começou a pulsar em suas têmporas. O que iria fazer um mês inteiro com ele?


De novo, foi torturada por uma imagem de Arthur sobre seu corpo, e dos cabelos negros e macios dele envolvendo ambos, enquanto ele a penetrava profundamente.


- Preciso de algo... - A voz dele sumiu.


Ela se virou para encará-lo, ainda desejando-o. Seria tão fácil ceder... Mas seria errado. Recusava-se a usá-lo daquela forma. Como... Não, ela não pensaria naquilo.


Ela se recusava a pensar naquilo.


- De quê? - ela indagou.


- De comida. - disse Arthur. - Se não vai me usar agora, você se importaria se eu comesse?


O olhar encabulado e um pouco raivoso no rosto dele revelava que não gostava de pedir nada. Então, por mais estranho e difícil que aquilo tudo fosse para ela, Lua imaginou como ele se sentia.


Ser arrastado de onde vive para ser atirado em sua vida devia ser terrível.


Continua...

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