Lua levantou-se de repente e foi até o outro lado da mesinha de centro.
- Está me dizendo que estou presa a você pelo próximo mês?
- Sim.
Atordoada, ela esfregou os olhos.
Não podia entretê-lo por um mês. Um mês inteiro! Tinha
responsabilidades, obrigações. Precisava encontrar um novo hobby.
- Veja bem - ela disse -, acredite você ou não, eu tenho uma vida. Uma
vida que não inclui você.
Lua soube, pela expressão no belo rosto, que ele não apreciou suas
palavras. Nem um pouco.
- Se acha que eu estou animado por estar aqui com você, está tristemente
enganada. Asseguro-lhe que não estou aqui por opção.
As palavras a feriram.
- Bem, não é você por inteiro que se sente assim. - Ela dirigiu o olhar
para a parte dele que ainda estava ereta.
Olhando para a protuberância sob a toalha, ele suspirou.
- Infelizmente, eu não tenho controle sobre isto da mesma forma que não
tenho sobre o fato de estar aqui.
- Ali está a porta. - ela falou, apontando na direção da saída. - Não
deixe que ela bata em seu traseiro quando sair.
- Acredite em mim, se eu pudesse ir embora, eu iria.
Lua hesitou diante daquelas palavras e de seu significado.
- Está me dizendo que eu não posso desejar que você vá embora? Ou fazer
com que volte para o livro?
- Acho que a palavra que você usou foi bingo.
Ela ficou em silêncio.
Levantando-se devagar, Arthur encarou-a.
Durante todos os séculos em que estivera amaldiçoado, era a primeira vez
que algo desse tipo acontecia. Todas as outras mulheres que o haviam evocado sabiam
o que ele era e estavam mais do que desejosas de passar o mês em seus braços,
usando alegremente o corpo dele para o prazer.
Nunca em sua vida, nesta ou na mortal, encontrara uma mulher que não o
desejasse fisicamente. Era... Estranho. Humilhante. Quase embaraçoso.
A maldição poderia estar enfraquecendo? Talvez, por fim, ele pudesse ser
livre? Assim que a ideia cruzou sua mente, ele soube que não poderia ser
possível. Quando os deuses gregos decidiam punir, eles o faziam com estilo e
com um ímpeto que nem mesmo dois milênios abrandariam.
Houvera uma vez, muito tempo atrás, em que ele tinha lutado contra a
maldição. Uma época em que acreditara que podia ser livre. Contudo, mais de
dois mil anos de confinamento e impiedosa tortura lhe haviam ensinado uma
coisa... resignação.
Ele merecera seu inferno e, como o soldado que fora uma vez, aceitara
sua punição. Engolindo a bile presa na garganta, Arthur abriu os braços,
oferecendo a ela o seu corpo.
- Pode fazer o que quiser comigo. Apenas me diga como agradá-la.
- Então, eu desejo que vá embora.
Ele abaixou os braços.
- Exceto isso.
Frustrada, Lua começou a andar de um lado para o outro. Com os hormônios
finalmente sob controle e a cabeça mais livre, ela buscava uma solução. Porém,
por mais que se esforçasse, não parecia haver saída.
Uma dor terrível começou a pulsar em suas têmporas. O que iria fazer um
mês inteiro com ele?
De novo, foi torturada por uma imagem de Arthur sobre seu corpo, e dos
cabelos negros e macios dele envolvendo ambos, enquanto ele a penetrava
profundamente.
- Preciso de algo... - A voz dele sumiu.
Ela se virou para encará-lo, ainda desejando-o. Seria tão fácil ceder...
Mas seria errado. Recusava-se a usá-lo daquela forma. Como... Não, ela não
pensaria naquilo.
Ela se recusava a pensar naquilo.
- De quê? - ela indagou.
- De comida. - disse Arthur. - Se não vai me usar agora, você se
importaria se eu comesse?
O olhar encabulado e um pouco raivoso no rosto dele revelava que não
gostava de pedir nada. Então, por mais estranho e difícil que aquilo tudo fosse
para ela, Lua imaginou como ele se sentia.
Ser arrastado de onde vive para ser atirado em sua vida devia ser
terrível.
Continua...

Estou adorando faz uma maratona
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