
#maratonaparte1/10
- Claro que não. - Ela gesticulou para que ele a seguisse. - A cozinha
fica aqui.
Conduziu-o pelo corredor curto até o fundo da casa. Abrindo a geladeira,
afastou-se para que ele a examinasse.
- Do que você gostaria?
Contudo, em vez de enfiar o rosto na geladeira, ele se manteve a cerca
de um metro de distância.
- Sobrou alguma pizza?
- Pizza? - ela repetiu, chocada. Como ele conhecia pizza?
Ele deu de ombros.
- É algo que você pareceu gostar bastante de comer.
Lua corou ao lembrar-se da brincadeira que ela e Mel tinham feito.
A amiga comentara alguma coisa a respeito da substituição de sexo por
comida, e ela imitara um orgasmo enquanto saboreava seu último pedaço.
- Você nos escutou?
Com o rosto impassível, ele disse tranquilamente:
- O escravo sexual escuta tudo que é dito perto do livro.
Se suas bochechas ficassem um pouco mais quentes, explodiriam.
- Eu não tenho pizza. - ela falou depressa, querendo enterrar a cabeça
na geladeira para refrescá-la. - Tenho sobras de frango e macarrão.
- E vinho? - Ela assentiu. - Está bom.
O tom autoritário a enraiveceu.
Daqueles tons de Tarzan, que queriam dizer: Sou o homem, meu bem,
traga-me comida. E isso fazia seu sangue ferver.
- Escute aqui, grandalhão, não sou sua cozinheira. Me provoque e eu vou
alimentá-lo com Alpo.
Ele arqueou a sobrancelha.
- Alpo?
- Não importa.
Ainda irritada, ela retirou o frango da geladeira e preparou-o para ser
aquecido no microondas.
Ele se sentou à mesa, transbordando aquela aura de arrogância masculina
que testava sua tolerância. Desejando que tivesse uma lata de ração para cães, Lua
forçou-se a colocar uma grande porção de macarrão em uma tigela.
- Bem, há quanto tempo você está naquele livro? Desde a Idade das
Trevas?
Pelo menos, era assim que ele agia. Ele se manteve imóvel como uma
estátua. Sem emoções, nada.
Se ela não conhecesse a situação, juraria que ele era um androide.
- Fui evocado pela última vez em 1895.
- Deixe disso! - Lua lançou-lhe um olhar embasbacado enquanto punha a
tigela no microondas. - 1895? Está falando sério?
Ele assentiu.
- Em que ano você foi preso pela primeira vez?
A raiva que cruzou o rosto dele foi tão intensa que a assustou.
- 149 a.C., de acordo com o seu calendário.
Os olhos dela se arregalaram.
- 149 a.C.? Cento e quarenta e nove anos antes de Cristo? Céus! Quando
eu falei Arthur da Macedônia, significa que você realmente é da Macedônia.
Daquela Macedônia.
Ele acenou brevemente com a cabeça. Lua tinha os pensamentos como um
turbilhão enquanto fechava o micro-ondas e o ligava.
Isso era impossível. Tinha que ser impossível!
- Como você ficou preso no livro? Quero dizer, os gregos antigos não
tinham livros, não é?
- Originalmente, eu fui sepultado em um pergaminho que, mais tarde, foi
encadernado, a fim de ser protegido. - ele afirmou sombriamente, com o rosto
ainda impassível. - Em relação a como eu acabei sendo amaldiçoado, eu tomei
Alexandria.
Lua franziu o cenho. Aquilo não fazia o menor sentido, não que o
restante fizesse algum sentido para ela.
- Por que tomar uma cidade iria...
- Alexandria não era uma cidade. Ela era uma virgem priápica.
Continua...
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