sábado, 2 de janeiro de 2016

Amante da fantasia - Cap.18



#maratonaparte1/10

- Claro que não. - Ela gesticulou para que ele a seguisse. - A cozinha fica aqui.


Conduziu-o pelo corredor curto até o fundo da casa. Abrindo a geladeira, afastou-se para que ele a examinasse.


- Do que você gostaria?


Contudo, em vez de enfiar o rosto na geladeira, ele se manteve a cerca de um metro de distância.


- Sobrou alguma pizza?


- Pizza? - ela repetiu, chocada. Como ele conhecia pizza?


Ele deu de ombros.


- É algo que você pareceu gostar bastante de comer.


Lua corou ao lembrar-se da brincadeira que ela e Mel tinham feito.


A amiga comentara alguma coisa a respeito da substituição de sexo por comida, e ela imitara um orgasmo enquanto saboreava seu último pedaço.


- Você nos escutou?


Com o rosto impassível, ele disse tranquilamente:


- O escravo sexual escuta tudo que é dito perto do livro.


Se suas bochechas ficassem um pouco mais quentes, explodiriam.


- Eu não tenho pizza. - ela falou depressa, querendo enterrar a cabeça na geladeira para refrescá-la. - Tenho sobras de frango e macarrão.


- E vinho? - Ela assentiu. - Está bom.


O tom autoritário a enraiveceu.


Daqueles tons de Tarzan, que queriam dizer: Sou o homem, meu bem, traga-me comida. E isso fazia seu sangue ferver.


- Escute aqui, grandalhão, não sou sua cozinheira. Me provoque e eu vou alimentá-lo com Alpo.


Ele arqueou a sobrancelha.


- Alpo?


- Não importa.


Ainda irritada, ela retirou o frango da geladeira e preparou-o para ser aquecido no microondas.


Ele se sentou à mesa, transbordando aquela aura de arrogância masculina que testava sua tolerância. Desejando que tivesse uma lata de ração para cães, Lua forçou-se a colocar uma grande porção de macarrão em uma tigela.


- Bem, há quanto tempo você está naquele livro? Desde a Idade das Trevas?


Pelo menos, era assim que ele agia. Ele se manteve imóvel como uma estátua. Sem emoções, nada.


Se ela não conhecesse a situação, juraria que ele era um androide.


- Fui evocado pela última vez em 1895.


- Deixe disso! - Lua lançou-lhe um olhar embasbacado enquanto punha a tigela no microondas. - 1895? Está falando sério?


Ele assentiu.


- Em que ano você foi preso pela primeira vez?


A raiva que cruzou o rosto dele foi tão intensa que a assustou.


- 149 a.C., de acordo com o seu calendário.


Os olhos dela se arregalaram.


- 149 a.C.? Cento e quarenta e nove anos antes de Cristo? Céus! Quando eu falei Arthur da Macedônia, significa que você realmente é da Macedônia. Daquela Macedônia.


Ele acenou brevemente com a cabeça. Lua tinha os pensamentos como um turbilhão enquanto fechava o micro-ondas e o ligava.


Isso era impossível. Tinha que ser impossível!


- Como você ficou preso no livro? Quero dizer, os gregos antigos não tinham livros, não é?


- Originalmente, eu fui sepultado em um pergaminho que, mais tarde, foi encadernado, a fim de ser protegido. - ele afirmou sombriamente, com o rosto ainda impassível. - Em relação a como eu acabei sendo amaldiçoado, eu tomei Alexandria.


Lua franziu o cenho. Aquilo não fazia o menor sentido, não que o restante fizesse algum sentido para ela.


- Por que tomar uma cidade iria...


- Alexandria não era uma cidade. Ela era uma virgem priápica.


Continua...



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