#MaratonaParte6/10
Houve um momento de silêncio que se
estendeu para sempre, em que acreditei que ele poderia mesmo me machucar. E então,
de repente, Arthur realmente segurou meus braços e me puxou, apertando-me
contra o peito, como havia feito no sonho. Com firmeza, embora de maneira
delicada.
– Lua – murmurou, e sua voz estava
suave de novo. Ele alisou meus cachos e permiti que ele me tranquilizasse,
aliviada demais para protestar. – Desculpe-me. Foi cruel amedrontar você. Eu não
deveria ter feito isso desse jeito. Por favor, perdoe-me.
Hesitante, envolvi o tronco de Arthur
com os braços, sem nem saber por que fazia isso, e ele me apertou ainda mais,
pousando o queixo na minha cabeça. Sua mão cobria toda a parte inferior das
minhas costas, que ele acariciou com suavidade.
Ficamos assim durante cerca de um
minuto. Eu podia sentir seu coração batendo contra o meu rosto. Muito baixinho.
Muito devagar. Quase imperceptivelmente. O meu estava martelando e eu sabia que
ele podia sentir isso. Por fim, recuei e ele me soltou.
– Nunca mais faça esse truque idiota –
reagi, surpresa em descobrir que minha voz estava trêmula. – Nunca. Não é engraçado.
Aquela música louca da Croácia ainda
tocava, fantasmagórica e penetrante. Arthur segurou meu braço e odiei sentir
que uma parte de mim gostou do seu toque outra vez. Odiei a dificuldade que
tive para me afastar. Ele
é um lunático, Ro.
– Por favor, Roberta. Sente-se. – Arthur
indicou a cama. – Você está meio pálida.
Sentar... e depois o
que aconteceria?
– Eu... eu preciso ir.
Arthur não tentou me impedir e eu o
deixei ali parado, no meio do quarto escuro.
Tropecei ao descer a escada e, quando
cheguei ao quintal, corri e só parei só depois de trancar a porta do meu
quarto, ofegante, vermelha e incrivelmente confusa. O que senti não foi só
medo. Foi algo parecido com o que tinha experimentado no sonho com Arthur. Aversão transformada em medo e depois em
desejo... Alquimia.
Insanidade. De repente tudo se misturava no meu cérebro. E aquilo estava muito,
muito errado.
Continua...

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