domingo, 31 de janeiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 24



#MaratonaParte4/10

– E estes eram os meus pais.

Senti vontade de dizer alguma coisa. A coisa certa. Mas não sabia o que poderia ser, para qualquer um de nós.

– Arthur...

– Está vendo essa data? – continuou ele, sem me olhar. – Embaixo dos nossos nomes? Isso marca nossa cerimônia de noivado. Nossos pais escreveram essa data. Pelo menos um deles escreveu. – Um lampejo de sorriso melancólico brincou em seus lábios. – Foi um grande dia para os Vladescu e os Dragomir. Nossos dois clãs guerreiros em paz. Preparados para se unirem. Quanto poder num só lugar! Quantas vezes ouvi essa história!

– Mas é só isso... uma história.

– É um édito. – Arthur fechou o livro com um baque surdo. – Nosso destino é ficarmos juntos. Independentemente do que sentimos um pelo outro. De quanto você me despreze.

– Não desprezo você...

– Não? – Suas sobrancelhas se arquearam e sua boca se retorceu num sorriso malicioso. – Você quase me enganou.

Decidi virar a mesa.

– Você fala um bocado sobre obrigação, dever e cavalheirismo, mas também não tenho a impressão de que gosta tanto assim de mim. Nunca disse que quer se casar comigo. Acabou de me chamar de criança!

Arthur demorou um tempo enorme escolhendo as palavras.

– Você é um enigma para mim, Roberta – disse por fim. – Um mistério. Mas pelo menos estou aberto à possibilidade de explorar as coisas que não entendo.

A luz fraca brilhou em seus olhos negros. Estávamos tão perto que pude ver a leve sombra de barba que havia em seu rosto. A maioria dos caras que eu conhecia estava mais para garoto do que para homem. Será que Jake fazia a barba? Mas Arthur havia ultrapassado esse limite. E eu estava sentada numa cama com ele. Sozinha. Num quarto escuro. Falando de “explorar” meus supostos “mistérios”. Eu me afastei um pouquinho.

– O que aconteceria se a gente não se casasse? – perguntei, tentando mudar de assunto. Distanciando-nos de novo. – Seria muito ruim?

Arthur se afastou também, reclinando-se na cama, apoiado nos cotovelos.

– Provavelmente haveria uma guerra geral, sua família contra a minha, cerca de 5 milhões de vampiros lutando para ocupar o vácuo de poder, montando coalizões, líderes surgindo e caindo, destruição e derramamento de sangue em larga escala. E quando os vampiros entram em guerra... Bem, os exércitos precisam se alimentar.

– E isso significa...

Continua...

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