#MaratonaParte4/10
– E estes eram os meus pais.
Senti vontade de dizer alguma coisa. A
coisa certa. Mas não sabia o que poderia ser, para qualquer um de nós.
– Arthur...
– Está vendo essa data? – continuou
ele, sem me olhar. – Embaixo dos nossos nomes? Isso marca nossa cerimônia de
noivado. Nossos pais escreveram essa data. Pelo menos um deles escreveu. – Um
lampejo de sorriso melancólico brincou em seus lábios. – Foi um grande dia para
os Vladescu e os Dragomir. Nossos dois clãs guerreiros em paz. Preparados para
se unirem. Quanto poder num só lugar! Quantas vezes ouvi essa história!
– Mas é só isso... uma história.
– É um édito. – Arthur fechou o livro
com um baque surdo. – Nosso destino é ficarmos juntos. Independentemente do que
sentimos um pelo outro. De quanto você me despreze.
– Não desprezo você...
– Não? – Suas sobrancelhas se arquearam
e sua boca se retorceu num sorriso malicioso. – Você quase me enganou.
Decidi virar a mesa.
– Você fala um bocado sobre obrigação,
dever e cavalheirismo, mas também não tenho a impressão de que gosta tanto
assim de mim. Nunca disse que quer se casar comigo. Acabou de me chamar de
criança!
Arthur demorou um tempo enorme
escolhendo as palavras.
– Você é um enigma para mim, Roberta –
disse por fim. – Um mistério. Mas pelo menos estou aberto à possibilidade de
explorar as coisas que não entendo.
A luz fraca brilhou em seus olhos
negros. Estávamos tão perto que pude ver a leve sombra de barba que havia em
seu rosto. A maioria dos caras que eu conhecia estava mais para garoto do que
para homem. Será que Jake fazia a barba? Mas Arthur havia ultrapassado esse limite.
E eu estava sentada numa cama com ele. Sozinha. Num quarto escuro. Falando de “explorar”
meus supostos “mistérios”. Eu me afastei um pouquinho.
– O que aconteceria se a gente não se
casasse? – perguntei, tentando mudar de assunto. Distanciando-nos de novo. –
Seria muito ruim?
Arthur se afastou também, reclinando-se
na cama, apoiado nos cotovelos.
– Provavelmente haveria uma guerra
geral, sua família contra a minha, cerca de 5 milhões de vampiros lutando para
ocupar o vácuo de poder, montando coalizões, líderes surgindo e caindo, destruição
e derramamento de sangue em larga escala. E quando os vampiros entram em
guerra... Bem, os exércitos precisam se alimentar.
–
E isso significa...
Continua...

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