sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap.14


#MaratonaParte4/10


– Não queria que a gelatina ficasse ainda menos palatável de tanto esperar – disse Arthur atrás de mim, inclinando-se de novo por cima do meu ombro, arrumando meus talheres na bandeja. Garfo à esquerda do sanduíche de carne moída. Faca e colher à direita. – Esse é o modo americano também, não é?
 – E o que você faz na Romênia além de frequentar, tipo, a melhor escola de etiqueta do mundo? – perguntou Mel enquanto Arthur se sentava. Ele se recostou na cadeira dobrável de metal e esticou as pernas compridas pelo corredor, empurrando para o lado as batatas fritas intocadas.
 – Bom, minha formação é bastante rigorosa, embora eu tenha tutores particulares. Quando sinto vontade, desfruto de viagens a Bucareste e Viena. A caça é popular nos Cárpatos. E também a equitação.
– Olha, você e Ro têm algo em comum! – exclamou Mel. Lancei-lhe um olhar de reprovação. – Têm, sim! Arthur arqueou as sobrancelhas, intrigado.
– Verdade, Roberta? Achei que toda a sua atividade equestre se resumisse a limpar os estábulos – provocou ele. – Não fazia ideia de que era familiarizada com a visão que se tem de cima de um cavalo. Por que guardou segredo?
– Eu não queria você espreitando no estábulo, assustando minha égua – respondi antes de dar uma mordida no sanduíche de carne moída proibido.
 – Ro vai saltar no concurso do Clube da Juventude no outono – acrescentou Mel. Arthur sorriu em sinal de aprovação.
– Sabe, sou conhecido como o melhor cavaleiro de minha cidade natal, Sighişoara. Talvez possa ajudá-la a mon...
 – Não! – exclamei, mais alto do que pretendia. Baixei a voz. – Não preciso de ajuda, tá?
 – Tem certeza? Fui capitão da seleção amadora de polo da Romênia.
 – Ah, qual é – gemi, enfiando uma colherada de gelatina na boca. – Melhor pegar leve com a sobremesa, Pacotão – gritou alguém. – Você já balança feito uma tigela cheia de gelatina. Ah, não... Era o gorducho do Frank Dormand que, acompanhado por Faith Crosse e Ethan Strausser, seu namorado atleta, passava gargalhando perto da nossa mesa.
– Olha quem fala Dormand – alertei. – Pelo menos a minha gordura não está toda dentro da cabeça. Mas eles já estavam se afastando, rindo juntos.
 – Inaceitável. – Arthur se endireitou na cadeira, com incredulidade na voz. – Ele acabou de zombar de você, Roberta? – perguntou, começando a se levantar.
– Arthur, deixa pra lá – falei, apertando seu braço. – Já cuidei disso. Como sempre faço. Arthur me olhou com desconfiança.
– Devo permitir que aquele... Aquele... Quadrúpede zombe de você? Segurei com força a manga de sua camisa, sentindo os músculos retesados, mesmo através do tecido.
 – É só Frank Dormand bancando o panaca, como de costume – respondi. – Não comece uma briga por causa disso. Por um momento Arthur pareceu esquecer Frank enquanto voltava a se sentar, claramente perplexo, examinando meu rosto.
 – Roberta, eu não entendo. Logo você, suportar zombarias...
– Chega, Arthur – alertei, implorando em silêncio, encarando seus olhos escuros. Por favor, não mencione vampiros, noivados nem nada sobre eu ser uma princesa. Não com a Mel aqui. Nem agora nem nunca. – Sei como cuidar disso. Arthur desistiu, embora com óbvia relutância.
– Como quiser. Mas só vou ceder uma vez. A atitude desses imbecis com relação a você, Roberta, não ficará sem resposta de novo.

Ele se recostou na cadeira, cruzando os braços, olhando a porta pela qual Frank, Faith e Ethan haviam partido. Ele observava atentamente, como se desejasse que os três voltassem para testá-lo. Parecia estar tramando, criando estratégias, imaginando a briga. Seu olhar era tão frio e amedrontador que até Mel ficou quieta, pela primeira vez na vida. Terminamos o almoço em silêncio. Arthur não comeu nada, só tinha dado alguns goles no Morango Julius de vez em quando, distraído, enquanto olhava para a porta. Quando saímos do refeitório, ele jogou o copo vazio na lata de lixo.
 – Espero que ele arrebente a cara do Frank um dia desses – sussurrou Mel, esvaziando sua bandeja. – Seria moleza. Arthur parecia pronto para matar por você.

 Do jeito que Mel falou, aquilo pareceu quase romântico. Mas eu também tinha visto a expressão de Arthur e sentido sua raiva mal contida nos músculos tensos sob minha mão. Não, a perspectiva de Arthur Vladescu me vingar por qualquer coisa não era nem um pouco romântica. Pelo contrário, havia acabado de me encher de uma apreensão que beirava o pavor. Quanto mais eu pensava na combinação Ethan, Frank, Faith, Arthur e eu, mais eu tinha certeza de que era algo que só poderia terminar em desastre.


Continua...

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