Sophia se aproximou
primeiro. Com quinze anos e muito alta para sua idade, a prima do Lua tinha o
cabelo comprido de uma insípida cor marrom e óculos grossos. Era uma
adolescente torpe que tinha mais interesse por seus livros que por qualquer
outra coisa. Embora Sophia não recordasse a seu pai, Theron, ela era como ele.
Encontrar a Atlântida era sua única ambição.
-E bem? Perguntou ela,
com seu jovem rosto espectador.
Lua negou com a cabeça.
Sophia deixou escapar uma
maldição que fez bloquear o passo de Lua.
-Por que não nos deixam
escavar? O que está mal com essas pessoas?
-Eles pensam que é uma
perda de tempo.
Sophia enrugou a cara com
aversão.
-Isso é estúpido! Eles
são estúpidos!
-Sim-, disse Lua
secamente. -Todos somos estúpidos.
Sophia se burlou de seu
comentário.
-Eu não sou estúpida. Sou
um autêntico gênio. Mas o resto... Estúpidos...
-Disse que não se
incomodasse.
Lua olhou por cima do
ombro de Sophia e viu sua outra prima, Melaine, aproximando-se. Chamada assim
pela deusa grega da caça, Artemis, Mel odiava tudo relacionado com a Grécia. A
única razão pela que estava aqui era para conseguir créditos na universidade e
seguir a sua última fixação, Scott, o que pensava que seria uma atividade do
verão divertida. Sem mencionar o pequeno detalhe de que se Mel ficasse em Nova
Iorque, seria obrigada a trabalhar na tabacaria de sua mãe, algo que ela odiava
até mais que a Grécia.
Com um metro e oitenta e
dois, a beleza de cabelo acobreado era uma das poucas mulheres mais altas que Lua
– algo que era realmente uma façanha, já que Mel mal tinha dezoito anos.
Lua franziu o cenho
enquanto olhava a larga saia azul da Mel e a camisa branca de manga larga,
bordada ao estilo grego.
-Pensei que estava
tomando sol, disse Lua.
Sophia se inclinou para
adiante e lhe sussurrou ao ouvido. -Ela fez cedinho e tirou a parte superior do
biquíni, esperando que Scott visse seus peitos nus e se unisse a ela. Ele não o
fez, mas os homens que passeavam em um bote quase caem pela amurada antes que
Justina a enviasse abaixo da coberta.
Mel apertou os lábios.
–Você, pequena moléstia, em lugar de estar contando coisas sobre mim, deveria
lhe contar a Lua como quase colocou fogo aos seus papéis porque seu gato te
assustou e derrubou o acendedor Bunsen do Teddy.
Sophia se ruborizou antes
de arrumar bem os óculos sobre o nariz. -Sou um gênio, mas não sou graciosa e
sim muito estabanada. C’est moi.
Lua lhe sorriu enquanto
esta admitia a terrível verdade. A graça nunca tinha sido uma virtude que Sophia
tivesse, ao contrário de Mel, que tinha de sobra para repartir. -Está bem, Soph.
Ajudarei-te a refazê-los.
Mel deu um pesado suspiro
enquanto olhava ao redor da coberta. -Não é o lugar mais aborrecido da terra?
Não posso conseguir que Scott me dê atenção nem um maldito segundo.
Obviamente. Se sua nudez
não tinha conseguido. Nada o faria.
-Ele está aí abaixo com o
Teddy, -continuou Mel com irritação, -em cima de um mapa de escavação, como se
algo fosse acontecer. O que tem este país abandonado por Deus que cada vez que
trago um menino aqui este perde a cabeça?
-Possivelmente é por ter
estado tanto tempo com você ao redor-, disse Sophia, colocando uma mecha de
cabelo solto detrás da orelha. Ela se inclinou lentamente sobre a Lua para lhe
sussurrar em seu próprio e único idioma entre o grego antigo e o latim. -Penso
que ela lhes absorve a testosterona.
Lua sorriu.
Imediatamente Mel ficou
rígida. -O que disse de mim?
Lua sacudiu a cabeça para
Sophia antes de responder. -Por que sempre tem tudo que girar em torno de você,
Mel?
-Por que é assim. E com
isso partiu airadamente.
Sophia deixou escapar um
cansado suspiro. -Um dia espero que encontre a alguém que a ponha em seu lugar.
Estou cansada de ver como amassa o pobre Scott. Juro que ela tem uma parte de súcubo.
-Espero que não. Não
desejo a ninguém essa carga.
-Bom ponto. Sophia parou
antes de girar-se e examinar fixamente a Lua. –Assim agora diga o que
aconteceu.
Como se ela queria
reviver aquela merda. - Não há muito que contar. Eles se negaram a dar as
permissões... Outra vez.
Sophia deu um forte pisão
no chão. -Vamos, homem. Isso não é justo.
-Sei -, disse ela, dando um
tapinha no braço da Sophia. -Temos que ter paciência.
-Ao inferno com a
paciência. Eles serão racionais quando eu esteja aposentada e tenha que escavar
usando bengalas. Deixou escapar um som de desgosto. -Esta é a vez que mais
perto estivemos de encontrar a cidade. Eu sei que a Atlântida está aqui. Posso
senti-la!
Um calafrio percorreu a
espinha dorsal da Lua. Sophia se parecia
muito a seus pais para seu gosto. A mesma loucura que lhes havia possuído
conduzia Sophia também. Uma loucura em
seu sangue que a fazia ficar trabalhando até tarde da noite depois que todo
mundo saía.
Havia vezes nas que
realmente assustava a Lua. Todas as pessoas de sua família que tinham o mesmo
nível de dedicação que Sophia tinham encontrado a morte cedo demais. Algo que não só destruiria a Lua, mas também
a seu avô que faria qualquer coisa pelo membro mais jovem de sua família.
Ela era a razão pela que
eles viviam.
De vez em quando, Lua
suspeitava que Sophia usasse o projeto como uma forma de distrair-se e esquecer
a dor que sentia por haver ficado órfã. A pobre não tinha lembranças de seus
pais. Seu trabalho era o mais perto que Sophia poderia estar deles. Era tudo o
que tinham deixado à sua filha.
Continua...

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