domingo, 3 de janeiro de 2016

O Caçador de sonhos- Cap. 2



Sophia se aproximou primeiro. Com quinze anos e muito alta para sua idade, a prima do Lua tinha o cabelo comprido de uma insípida cor marrom e óculos grossos. Era uma adolescente torpe que tinha mais interesse por seus livros que por qualquer outra coisa. Embora Sophia não recordasse a seu pai, Theron, ela era como ele. Encontrar a Atlântida era sua única ambição.
-E bem? Perguntou ela, com seu jovem rosto espectador.
Lua negou com a cabeça.
Sophia deixou escapar uma maldição que fez bloquear o passo de Lua.
-Por que não nos deixam escavar? O que está mal com essas pessoas?
-Eles pensam que é uma perda de tempo.
Sophia enrugou a cara com aversão.
-Isso é estúpido! Eles são estúpidos!
-Sim-, disse Lua secamente. -Todos somos estúpidos.
Sophia se burlou de seu comentário.
-Eu não sou estúpida. Sou um autêntico gênio. Mas o resto... Estúpidos...
-Disse que não se incomodasse.
Lua olhou por cima do ombro de Sophia e viu sua outra prima, Melaine, aproximando-se. Chamada assim pela deusa grega da caça, Artemis, Mel odiava tudo relacionado com a Grécia. A única razão pela que estava aqui era para conseguir créditos na universidade e seguir a sua última fixação, Scott, o que pensava que seria uma atividade do verão divertida. Sem mencionar o pequeno detalhe de que se Mel ficasse em Nova Iorque, seria obrigada a trabalhar na tabacaria de sua mãe, algo que ela odiava até mais que a Grécia.
Com um metro e oitenta e dois, a beleza de cabelo acobreado era uma das poucas mulheres mais altas que Lua – algo que era realmente uma façanha, já que Mel mal tinha dezoito anos.
Lua franziu o cenho enquanto olhava a larga saia azul da Mel e a camisa branca de manga larga, bordada ao estilo grego.
-Pensei que estava tomando sol, disse Lua.
Sophia se inclinou para adiante e lhe sussurrou ao ouvido. -Ela fez cedinho e tirou a parte superior do biquíni, esperando que Scott visse seus peitos nus e se unisse a ela. Ele não o fez, mas os homens que passeavam em um bote quase caem pela amurada antes que Justina a enviasse abaixo da coberta.
Mel apertou os lábios. –Você, pequena moléstia, em lugar de estar contando coisas sobre mim, deveria lhe contar a Lua como quase colocou fogo aos seus papéis porque seu gato te assustou e derrubou o acendedor Bunsen do Teddy.
Sophia se ruborizou antes de arrumar bem os óculos sobre o nariz. -Sou um gênio, mas não sou graciosa e sim muito estabanada. C’est moi.
Lua lhe sorriu enquanto esta admitia a terrível verdade. A graça nunca tinha sido uma virtude que Sophia tivesse, ao contrário de Mel, que tinha de sobra para repartir. -Está bem, Soph. Ajudarei-te a refazê-los.
Mel deu um pesado suspiro enquanto olhava ao redor da coberta. -Não é o lugar mais aborrecido da terra? Não posso conseguir que Scott me dê atenção nem um maldito segundo.
Obviamente. Se sua nudez não tinha conseguido. Nada o faria.
-Ele está aí abaixo com o Teddy, -continuou Mel com irritação, -em cima de um mapa de escavação, como se algo fosse acontecer. O que tem este país abandonado por Deus que cada vez que trago um menino aqui este perde a cabeça?
-Possivelmente é por ter estado tanto tempo com você ao redor-, disse Sophia, colocando uma mecha de cabelo solto detrás da orelha. Ela se inclinou lentamente sobre a Lua para lhe sussurrar em seu próprio e único idioma entre o grego antigo e o latim. -Penso que ela lhes absorve a testosterona.
Lua sorriu.
Imediatamente Mel ficou rígida. -O que disse de mim?
Lua sacudiu a cabeça para Sophia antes de responder. -Por que sempre tem tudo que girar em torno de você, Mel?
-Por que é assim. E com isso partiu airadamente.
Sophia deixou escapar um cansado suspiro. -Um dia espero que encontre a alguém que a ponha em seu lugar. Estou cansada de ver como amassa o pobre Scott. Juro que ela tem uma parte de súcubo.
-Espero que não. Não desejo a ninguém essa carga.
-Bom ponto. Sophia parou antes de girar-se e examinar fixamente a Lua. –Assim agora diga o que aconteceu.
Como se ela queria reviver aquela merda. - Não há muito que contar. Eles se negaram a dar as permissões... Outra vez.
Sophia deu um forte pisão no chão. -Vamos, homem. Isso não é justo.
-Sei -, disse ela, dando um tapinha no braço da Sophia. -Temos que ter paciência.
-Ao inferno com a paciência. Eles serão racionais quando eu esteja aposentada e tenha que escavar usando bengalas. Deixou escapar um som de desgosto. -Esta é a vez que mais perto estivemos de encontrar a cidade. Eu sei que a Atlântida está aqui. Posso senti-la!
Um calafrio percorreu a espinha dorsal da Lua.  Sophia se parecia muito a seus pais para seu gosto. A mesma loucura que lhes havia possuído conduzia Sophia também.  Uma loucura em seu sangue que a fazia ficar trabalhando até tarde da noite depois que todo mundo saía.
Havia vezes nas que realmente assustava a Lua. Todas as pessoas de sua família que tinham o mesmo nível de dedicação que Sophia tinham encontrado a morte cedo demais.  Algo que não só destruiria a Lua, mas também a seu avô que faria qualquer coisa pelo membro mais jovem de sua família.
Ela era a razão pela que eles viviam.
De vez em quando, Lua suspeitava que Sophia usasse o projeto como uma forma de distrair-se e esquecer a dor que sentia por haver ficado órfã. A pobre não tinha lembranças de seus pais. Seu trabalho era o mais perto que Sophia poderia estar deles. Era tudo o que tinham deixado à sua filha.



Continua...

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