#maratonaparte9/10
- Se você não se comportar, vou fazê-lo sair do quarto.
Ao virar-se para fitá-lo, viu a descrença nos belos olhos.
- Não entendo por que você me mandaria embora. - disse ele.
- Porque não vou usá-lo como um brinquedinho anônimo que não tem outro
propósito exceto servir a mim. Certo? Não quero ser íntima de um homem que eu
não conheço.
Com os olhos atormentados, Arthur por fim afastou-se e acomodou-se ao
lado dela.
Lua respirou fundo, tentando acalmar o coração acelerado e domar o fogo
em seu sangue. Deus, ele era um homem difícil de recusar!
Acha mesmo que vai conseguir dormir com esse sujeito deitado ao seu
lado? Você tem pedras no lugar do cérebro?
Fechando os olhos, ela recitou sua aborrecida ladainha. Ela precisava
dormir. Não havia espaço para desculpas ou dúvidas. E nem mesmo para lindos
como Arthur.
Colocando as almofadas nas costas, ele olhou para Lua. Seria a primeira
vez em sua excepcionalmente longa vida que passava a noite com uma mulher sem
fazer amor com ela.
Era inconcebível. Nenhuma delas o rejeitara antes.
Ela se virou com outro controle, parecido com o que lhe mostrara no
andar de baixo. Apertou um botão e ligou a TV, depois abaixou o som das pessoas
falando.
- Este é para as luzes. - ela explicou, pressionando outro botão. De
imediato, as luzes se apagaram, deixando apenas a TV iluminando a parede e formando
sombras atrás dele. -
Durmo profundamente, então não acho que você vai me acordar. - Ela entregou-lhe o controle remoto. - Boa-noite, Arthur da Macedônia.
Durmo profundamente, então não acho que você vai me acordar. - Ela entregou-lhe o controle remoto. - Boa-noite, Arthur da Macedônia.
- Boa-noite, Lua. - ele sussurrou, vendo como os cabelos macios se
espalhavam sobre o travesseiro enquanto ela se aconchegava para dormir.
Ele pôs o controle remoto de lado e a observou por um longo tempo
enquanto a luz da TV bruxuleava sobre o rosto relaxado. Soube o instante exato
em que ela adormeceu, pela regularidade da respiração.
Apenas então ousou tocá-la, traçando o delicado contorno da face com a
ponta do dedo indicador. Seu corpo reagiu com tamanha intensidade que ele
mordeu o lábio para reprimir uma imprecação.
Fogo corria por seu sangue.
Conhecera apetites dolorosos durante toda a sua vida, primeiro, a
necessidade de comida em seu ventre, então, uma sede de amor e respeito, por
fim, o exigente anseio de sua virilha pela maciez úmida de um corpo feminino.
Mas nunca experimentara algo semelhante.
Era um desejo tão forte e brutal que chegava a ameaçar sua sanidade. Só
conseguia pensar em afastar as coxas sedosas e alvas dela e afundar-se no corpo
suave. Em mover-se repetidas vezes até que ambos gritassem ao atingir, juntos,
o clímax. No entanto, isso nunca aconteceria.
Arthur afastou-se, mantendo-se a uma distância segura na cama, de onde
não conseguia sentir o doce aroma feminino, nem o calor do corpo sob as
cobertas. Ele podia proporcionar a ela prazer ininterrupto durante dias, mas,
para ele, nunca haveria paz.
- Maldito seja, Príapo! - ele rosnou, mencionando o nome do deus que o
condenara àquele destino. - Espero que Hades esteja lhe dando o que merece.
Com a raiva atenuada, ele suspirou, percebendo que isso era o que ele
certamente estava recebendo das Parcas e Fúrias.
Lua despertou com uma sensação incomum de calor e segurança, algo que
não experimentava havia anos. De repente, sentiu um beijo delicado nas
pálpebras, como se alguém estivesse roçando os lábios em seus cílios. Mãos
quentes e fortes acariciavam seus cabelos.
Arthur! Ergueu-se tão rapidamente que bateu sua cabeça na dele, e o
escutou emitir um ruído de dor. Esfregando a testa, ela abriu os olhos e o viu
fazendo uma carranca.
- Desculpe. - disse Lua, sentando-se. - Você me assustou.
Ele abriu a boca e pôs a ponta do polegar no dente da frente, para
verificar se ela o derrubara com o golpe. Lua não deixou de notar o movimento
da língua quando ele checou o dente.
A visão dos dentes incrivelmente brancos e perfeitos que ela amaria que
a mordiscassem...
- O que você quer para o café da manhã? - ela indagou, distraindo-se dos
próprios pensamentos.
Ele olhou para o profundo decote de sua camiseta de dormir. Acompanhando
o olhar dele, ela percebeu que, pela forma como estava sentada, ele podia ver tudo,
inclusive sua embaraçosa roupa de baixo cor-de-rosa com estampa do Mickey
Mouse.
Antes que pudesse se mexer, ele a puxou para o seu colo e tomou-lhe os
lábios. Lua gemeu de prazer de encontro à boca macia e quente enquanto a língua
de Arthur fazia as coisas mais pecaminosas com a dela.
Ficou zonza com o beijo intenso, com o hálito mesclando-se ao seu. E,
quem diria, ela nunca gostara de beijar. Devia ter estado louca!
Ele a apertou entre seus braços. Milhares de chamas percorriam seu corpo,
queimando-a, estimulando-a e concentrando-se entre suas coxas, onde ansiava por
ele.
Arthur afastou os lábios e percorreu sua pele com a língua, traçando um
caminho ardente ao longo do pescoço, chegando ao lóbulo da orelha... O homem
parecia conhecer cada zona erógena do corpo de uma mulher! E, melhor ainda,
sabia como usar a língua e as mãos para massagear todos, extraindo o máximo de
prazer.
Ele respirou de leve em seu ouvido, enviando arrepios por todo o corpo
dela, fazendo-a tremer enquanto ele acariciava a parte interna de sua orelha
com a língua. Seus seios formigaram e incharam e enrijeceram, implorando por um
beijo.
- Arthur. - ela murmurou, incapaz de reconhecer a própria voz.
Sua mente queria que o mandasse parar, mas as palavras ficaram presas na
garganta. Havia tanto poder naquele toque. Tanta mágica. Ela desejava mais.
Continua...

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