#MaratonaParte3/10
– Ei, Ro. – Mel sorriu quando chegamos. Ficou vermelha.
– Oi, Arthur.
– Melaine, que bom ver você – disse Arthur, pondo nossas bandejas
sobre a mesa. – Você está estonteante hoje. Minha melhor amiga ficou ruborizada
de prazer.
– Bom, obrigada. Deve ser a blusa nova. É Abercrombie, do
outlet. – Ela apontou para a calça preta e justa de Arthur. – E, por falar em
roupa, essa calça é show. Todo mundo em Roma se veste como você? Ou só os caras
da família real?
– Romênia – corrigi. – Não é Roma.
– Ah, é tudo na Europa. – Mel fez pouco caso do que falei,
ainda olhando para Arthur com uma expressão que só poderia ser descrita como
embasbacada. – De qualquer jeito, essa calça é maneiríssima. Arthur sorriu.
– Vou dizer ao meu alfaiate que a obra dele é “show” e
“maneiríssima”. Tenho certeza de que ele ficará agradecido em saber que pode
competir com a Gap. Ele fez menção de puxar uma cadeira para mim, mas foi minha
vez de segurar sua mão.
– Eu puxo.
– Como quiser – respondeu ele, recuando.
– Ah, eu gostaria de morar na Romênia – suspirou Mel,
apoiando o queixo nas mãos gorduchas. – Seus modos são tão...
– Impecáveis. – Arthur forneceu a palavra a ela.
– Ah, que ótimo – murmurei, examinando minha bandeja. – Esqueci de
pegar uma colher.
– Já volto – ofereceu Arthur, levantando-se.
– Não, eu pego – insisti, levantando-me também. Arthur
passou por trás de mim, apertou meus ombros com aquelas mãos poderosas e me
guiou de modo delicado porém firme de volta para a cadeira. Ele se inclinou por
cima de mim, falando baixinho, ainda me segurando. Seu hálito frio roçou minha
orelha e mais uma vez tive aquela sensação traidora, de frio na barriga. – Roberta,
pelo amor de Deus – disse ele. – Permita que eu faça ao menos uma gentileza
comum por você. Apesar do que prega o feminismo, o cavalheirismo não sugere que
as mulheres sejam impotentes. Ao contrário: ele é uma admissão da superioridade
das mulheres. Um reconhecimento do poder que vocês têm sobre nós. Essa é a
única forma de servidão que um Vladescu se permite e eu faço isso com prazer
por você. Sua obrigação é aceitar com graciosidade. Arthur soltou meus ombros e
saiu andando antes que eu pudesse responder.
– Não faço ideia do que ele quis dizer, mas foi, tipo, a
coisa mais excitante que alguém já falou. – Mel seguiu Arthur com o olhar. –
Como você é sortuda! Por que meus pais não recebem estudantes de intercâmbio?
– Eu gostaria que ele fosse problema seu – respondi. Ah,
como gostaria! Se ao menos Mel soubesse como Arthur Vladescu era maluco! Se
soubesse o que ele dizia ser... – Por que ele precisa agir assim? Só quero que
me deixe em paz. Mel enfiou um canudinho em sua caixinha de achocolatado.
– Não entendo você, Ro. Quando a gente tinha 5 anos, você só
queria se vestir de princesa. Agora um príncipe encantado de verdade fica de
quatro por sua causa e você reclama!
– Ah, Mel, só não fique encorajando o cara, beleza?
– Está vidrada demais no Jake Zinn para ver que a realeza
europeia está dando em cima de você, Ro. Vai perder seu tempo com um cara que
se diverte tirando leite de vaca?
– A família do Jake nem tem vacas – protestei. – Eles mexem com agricultura.
Ei, achei que você gostasse do Jake. Ficou babando pelos músculos dele outro
dia!
– Ah, ei, Arthur – disfarçou Mel, me chutando por baixo da mesa. –
Você voltou depressa.
Continua...

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