#MaratonaParte3/10
Ele foi até a estante e estendeu a mão
para a parte mais alta.
– E você é impossível.
Pulei da poltrona.
– O que você está fazendo? O que vai
pegar?
– Um livro. O item que eu queria
mostrar a você. – Arthur pegou na prateleira de cima um volume enorme,
lustroso, encadernado em couro, e jogou-o no colchão, onde afundou na manta
fofa. Apontou para a cama. – Sente-se aqui. Por favor.
– Vou ficar de pé, obrigada.
Arthur arqueou as sobrancelhas,
zombando, sentou-se e deu um tapinha no lugar ao seu lado.
– Está com medo de mim? Com medo de vampiros?
– Não. – Juntei-me a ele. Ele se
esgueirou mais para perto ainda, até que nossas pernas estivessem quase se
tocando, e abriu o livro sobre nosso colo. Dessa vez reconheci as letras romenas
nas páginas e os galhos de uma árvore genealógica. – É a sua família?
– Todas as famílias vampiras. Pelo
menos as nobres.
O papel estalava enquanto ele procurava
o que queria, alisando duas páginas abertas.
– Aqui estamos nós. É onde nós nos
conectamos. – Ele bateu com o dedo na junção de duas linhas. – Arthur Vladescu
e Lua Dragomir.
De novo, não.
– Já vi tudo isso antes, lembra? Eu li
o pergaminho velho e fedorento.
Ele se virou ligeiramente para me
encarar.
– E vai ver de novo. E de novo. Até
parar de falar coisas desrespeitosas como
“pergaminho velho e fedorento” e
entender quem
você é.
Pela primeira vez não contra-ataquei
com uma resposta rápida. Algo em sua expressão me impediu.
Depois de um longo silêncio, Arthur
voltou a atenção ao livro. Percebi que precisava respirar, depois de prender o
fôlego por alguns segundos. Droga.
E minha barriga parecia cheia de gatinhos se revirando. Ignorei por um momento
a árvore genealógica e olhei o perfil de Arthur. Uma mecha dos cabelos cor de ébano
estava caída sobre a testa e um músculo estremecia no maxilar. Uma pequena
cicatriz acompanhava a linha do queixo, onde ele havia coçado.
Honra. Disciplina.
Força. O que aqueles Anciões fizeram com ele?
Eu estava acostumada a homens como meu
pai e os outros pais que conhecia. Caras legais. Caras que usavam mocassins,
jogavam bola com os filhos e colocavam gravatas divertidas no Natal. Arthur era
tão diferente deles quanto sua coleção de armas era diferente dos bonecos de
mamãe. Ele era inegavelmente charmoso quando queria, seus modos eram educados,
mas havia uma aspereza logo abaixo da superfície.
– Estes são seus pais – continuou Arthur,
a voz muito baixa. Olhei para a árvore
genealógica enquanto ele passava os
dedos sobre os nomes Mihaela e Ladislau, logo acima do meu.
Minha mãe verdadeira. E meu pai. A data
da morte dos dois também estava escrita ali. Contive um gemido de frustração e
raiva. Por
que precisamos falar dos meus pais
biológicos?
Este
deveria ser um ano feliz para mim. Um período despreocupado. Mas Arthur havia
chegado e, com ele, o meu passado. Ele não só jogou em cima de mim essa história
absurda sobre vampiros e casamentos, como também cismava em tentar me prender ao
meu passado verdadeiro. Enrolava uma corda no meu
pescoço e me arrastava por um cemitério. A presença de Arthur era uma lembrança
constante de quem eu poderia ter sido na Romênia. Uma lembrança não somente de
vampiros, mas também de fantasmas. Os fantasmas de Mihaela e Ladislau Dragomir.
A tristeza de Arthur fez sua voz ficar
mais suave ainda. Ele seguiu as palavras
desconhecidas
Valeriu
e Reveka.
Continua...

Nossa q três capítulos tensos, será q a lua vai dar o braço a torcer
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