domingo, 31 de janeiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 23



#MaratonaParte3/10

Ele foi até a estante e estendeu a mão para a parte mais alta.

– E você é impossível.

Pulei da poltrona.

– O que você está fazendo? O que vai pegar?

– Um livro. O item que eu queria mostrar a você. – Arthur pegou na prateleira de cima um volume enorme, lustroso, encadernado em couro, e jogou-o no colchão, onde afundou na manta fofa. Apontou para a cama. – Sente-se aqui. Por favor.

– Vou ficar de pé, obrigada.

Arthur arqueou as sobrancelhas, zombando, sentou-se e deu um tapinha no lugar ao seu lado.

– Está com medo de mim? Com medo de vampiros?

– Não. – Juntei-me a ele. Ele se esgueirou mais para perto ainda, até que nossas pernas estivessem quase se tocando, e abriu o livro sobre nosso colo. Dessa vez reconheci as letras romenas nas páginas e os galhos de uma árvore genealógica. – É a sua família?

– Todas as famílias vampiras. Pelo menos as nobres.

O papel estalava enquanto ele procurava o que queria, alisando duas páginas abertas.

– Aqui estamos nós. É onde nós nos conectamos. – Ele bateu com o dedo na junção de duas linhas. – Arthur Vladescu e Lua Dragomir.

De novo, não.

– Já vi tudo isso antes, lembra? Eu li o pergaminho velho e fedorento.

Ele se virou ligeiramente para me encarar.

– E vai ver de novo. E de novo. Até parar de falar coisas desrespeitosas como
“pergaminho velho e fedorento” e entender quem você é.

Pela primeira vez não contra-ataquei com uma resposta rápida. Algo em sua expressão me impediu.

Depois de um longo silêncio, Arthur voltou a atenção ao livro. Percebi que precisava respirar, depois de prender o fôlego por alguns segundos. Droga. E minha barriga parecia cheia de gatinhos se revirando. Ignorei por um momento a árvore genealógica e olhei o perfil de Arthur. Uma mecha dos cabelos cor de ébano estava caída sobre a testa e um músculo estremecia no maxilar. Uma pequena cicatriz acompanhava a linha do queixo, onde ele havia coçado.

Honra. Disciplina. Força. O que aqueles Anciões fizeram com ele?

Eu estava acostumada a homens como meu pai e os outros pais que conhecia. Caras legais. Caras que usavam mocassins, jogavam bola com os filhos e colocavam gravatas divertidas no Natal. Arthur era tão diferente deles quanto sua coleção de armas era diferente dos bonecos de mamãe. Ele era inegavelmente charmoso quando queria, seus modos eram educados, mas havia uma aspereza logo abaixo da superfície.

– Estes são seus pais – continuou Arthur, a voz muito baixa. Olhei para a árvore
genealógica enquanto ele passava os dedos sobre os nomes Mihaela e Ladislau, logo acima do meu.

Minha mãe verdadeira. E meu pai. A data da morte dos dois também estava escrita ali. Contive um gemido de frustração e raiva. Por que precisamos falar dos meus pais biológicos? Este deveria ser um ano feliz para mim. Um período despreocupado. Mas Arthur havia chegado e, com ele, o meu passado. Ele não só jogou em cima de mim essa história absurda sobre vampiros e casamentos, como também cismava em tentar me prender ao meu passado verdadeiro. Enrolava uma corda no meu pescoço e me arrastava por um cemitério. A presença de Arthur era uma lembrança constante de quem eu poderia ter sido na Romênia. Uma lembrança não somente de vampiros, mas também de fantasmas. Os fantasmas de Mihaela e Ladislau Dragomir.

A tristeza de Arthur fez sua voz ficar mais suave ainda. Ele seguiu as palavras
desconhecidas Valeriu e Reveka.

Continua...

Um comentário:

  1. Nossa q três capítulos tensos, será q a lua vai dar o braço a torcer

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