domingo, 31 de janeiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 21


#MaratonaParte1/10


– Nada muito inteligível. Mas devia ser um sonho bem agradável. Você parecia em êxtase.

– Não fique espreitando perto do meu quarto – ordenei. – Estou falando sério.

– Como quiser. – Arthur baixou o volume de uma vitrola antiga, em que um disco de vinil empenado girava e gemia uma música estranha, cheia de arranhados e guinchos, como gatos brigando. Ou como um caixão com dobradiças enferrujadas se abrindo e se fechando repetidamente num mausoléu deserto. – Gosta de música folclórica croata? – perguntou ele, vendo o meu interesse. – Faz com que eu me lembre de casa.

– Prefiro música normal.

– Ah, sim, a sua MTV com todos os bate-estacas e rebolados. Como uma dose de
hormônios adolescentes descontrolados administrada pela televisão. Não me oponho. – Ele indicou uma poltrona que com certeza não pertencia aos meus pais.

Eles não compravam nada de couro.

 – Sente-se, por favor. Diga por que reivindicou esse encontro.

Sentei-me e a poltrona quase me engoliu. Era supermacia.

– Arthur, você precisa parar de me seguir. E precisa ir para casa.

– Você é direta. Gosto disso, Lu... Roberta.

– Eu já me decidi – continuei. – O “casamento” está oficialmente cancelado. Não me
importa o que diz o pergaminho. Não me importa o que os velhos do Velho País...

– Os Anciões.

–... O que os Anciões esperam. Isso não vai acontecer. Estou dizendo agora para você não perder mais tempo. Tenho certeza de que quer voltar para seu castelo.

Arthur balançou a cabeça.

– Não. Precisamos aprender a conviver, Roberta. Não tenho opção quanto a isso, nem você. Assim, sugiro que pelo menos tente cooperar comigo nessa questão.

– Não.

Arthur abriu um pequeno sorriso.

– Você tem mesmo vontade própria. – O sorriso sumiu. – Este não é o momento para usa lá.

– Ele começou a andar de um lado para o outro, como tinha feito na aula da Sra. Wilhelm.

– Não cumprir o pacto, além de resultar numa crise política, desonraria a memória de nossos pais. Eles queriam isso, em nome da paz.

Olhei para Arthur um pouco surpresa.

– O que aconteceu com seus pais?

– Foram destruídos no expurgo, como os seus. O que você achava?

– Foi mal. Eu... Eu não sabia.

Arthur se sentou na cama, inclinando-se para frente, entrelaçando os dedos.

– Mas, diferente, de você, Roberta, fui criado dentro da nossa raça, com modelos de comportamento adequados.

– Os tais Anciões?


Continua...

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