- Oh, Melaine - Lua sussurrou -, como eu deixo você me enfiar nessas
coisas?
Antes que pudesse ponderar mais sobre o assunto, o interfone tocou.
- Sim, Lisa?
- Seu paciente das onze horas cancelou a consulta e, enquanto estava com
a Sra. Thibideaux, sua amiga Mel Fronckowiak ligou milhões de vezes, e eu não
estou exagerando ou brincando. Ela deixou uma porção de mensagens urgentes,
pedindo que ligue para o celular dela o mais rápido possível.
- Obrigada, Lisa.
Pegando o telefone, Lua ligou para a amiga.
- Graças a Deus! - Mel falou antes que ela pudesse dizer algo. - Você
precisa trazer o seu traseiro até aqui e levar o seu namorado para casa. Agora!
- Ele não é meu namorado, ele é seu...
- Ah, você quer saber o que ele é? - perguntou Mel, com um tom de
histeria na voz. - Ele é um maldito ímã de estrógeno, é isso o que ele é. As
mulheres estão aglomeradas ao redor da minha banca neste instante. Sophia está
adorando. Ela vendeu mais cerâmica esta manhã do que já tinha vendido antes.
Tentei levá-lo para casa, mas não consigo reduzir esta multidão. Juro, você
acharia que temos uma celebridade aqui. Nunca vi nada igual. Agora, traga o seu
traseiro até aqui e me ajude!
O telefone ficou mudo.
Lua amaldiçoou sua sorte. Interfonou para Lisa e pediu-lhe para cancelar
todas as demais consultas do dia.
Assim que chegou à praça, Lua percebeu o que Mel quisera dizer.
Devia haver ao menos vinte mulheres ao redor de Arthur, e outras tantas
o olhavam, embasbacadas, ao passarem por lá. As que estavam mais próximas se
acotovelavam e se empurravam, tentando chamar-lhe a atenção.
No entanto, o mais inacreditável era a cena de três mulheres que tinham
os braços sobre ele enquanto outra tirava uma foto.
- Oh, obrigada. - uma mulher na faixa dos 35 anos murmurou para Arthur,
ao agarrar a câmera das mãos de quem tirara a foto. Ela acomodou a máquina
fotográfica perto dos seios, de forma a desviar a atenção de Arthur para lá,
mas ele não parecia nem um pouco interessado.
- Isso é tão maravilhoso. - ela continuou falando, efusivamente. - Eu
mal posso esperar para chegar em casa e mostrar isto para o meu grupo
literário. Elas nunca vão acreditar que eu encontrei um modelo de capa de
romances no bairro francês.
Algo a respeito da postura rígida de Arthur levou Lua a suspeitar que
ele não gostava daquela atenção toda. Mas precisava reconhecer que ele tinha o
mérito de não estar sendo abertamente rude.
Ainda assim, o sorriso não lhe alcançava os olhos e era muito diferente
daquele que ele lhe dera na noite anterior.
- É um prazer. - disse ele para a mulher. As risadinhas que irromperam
eram ensurdecedoras.
Lua meneou a cabeça, descrente. Mulheres, alguma dignidade, por favor!
No entanto, considerando o rosto, o corpo e o sorriso de Arthur, ela
também se sentia um pouco tonta cada vez que ele a fitava. Portanto, quem
poderia realmente culpá-las por agirem como pré-adolescentes em um show de
rock?
De repente, Arthur olhou através do mar de admiradoras com hormônios
furiosos e encontrou seu olhar. Lua arqueou uma sobrancelha para ele,
divertida.
Imediatamente, o sorriso dele desvaneceu. Os olhos a focalizaram, como
os de um predador faminto que acabara de encontrar a próxima refeição.
- Se me dão licença. - disse ele, abrindo caminho por entre as mulheres
e se dirigindo até ela.
Lua engoliu em seco, notando a hostilidade instantânea das mulheres, que
fecharam a cara em massa para ela. Porém, o pior foi a súbita e intensa
explosão de desejo que sentiu, fazendo seu coração disparar.
E, a cada passo que ele dava, a sensação se multiplicava por dez.
Continua...

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