#MaratonParte8/10
– Coma. Fique feliz por ter curvas. Por ter uma presença.
Dei um sorrisinho sem graça, mas mesmo assim empurrei sua mão. Pretendia perder
uns dois quilos.
– Não, obrigada. Arthur suspirou irritado e enfiou a colher
de volta no pote.
– Lua, aceite quem
você é. Uma mulher com o poder que você desfrutará não precisa seguir a moda
nem se abalar com a zombaria maliciosa dos inferiores.
– Pode parar com esse papinho de realeza – avisei, batendo
com o pano de limpar a pia. Qualquer pequeno sentimento caloroso que eu pudesse
ter tido pelo Arthur desapareceu. De repente senti raiva. – E não me chame por
esse nome.
– Ah, Roberta. Eu não quis chateá-la – disse ele, pousando o
pote na bancada. Sua voz se suavizou. – Eu só tentei...
– Sei o que você tentou. Você tenta todo dia. Nós estávamos
parados, olhando um para o outro. Arthur começou a estender a mão para mim e de
repente mudou de ideia. – Olha, precisamos ter uma conversa séria – anunciei. –
Sobre todo esse negócio de “pacto”. Esse lance de “fazer a corte”. Arthur fez
uma pausa, pensativo. E então, para minha surpresa, concordou.
– É. Acho que deveríamos.
– Agora.
– Não – respondeu ele, pegando a imitação de sorvete de
novo. – Amanhã à noite. Nos meus aposentos. Tenho algo para lhe mostrar.
– O quê?
– Prefiro que seja
surpresa. É outro dos grandes prazeres da vida. Na maior parte das vezes. Bom,
algumas vezes. Não gostei da ideia. Tinha encarado surpresas o bastante nos
últimos tempos. Mas mesmo assim concordei. Não me importava se Arthur me daria
de presente a escritura do seu castelo, um rebanho de ovelhas – ou o que quer
que usassem como dote na Romênia. Iria convencê-lo de uma vez por todas de que
nosso “noivado” estava rompido.
– Então, até amanhã à noite – falei, enxugando a bancada. –
E lave a tigela quando terminar.
– Boa noite, Roberta.
Eu sabia que
encontraria aquela tigela na pia no dia seguinte.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário