sábado, 2 de janeiro de 2016

Amante da fantasia - Cap. 21



#maratonaparte4/10

- Que horrível. - ela sussurrou.


- Você se acostuma. Com o tempo.


- É mesmo? - ela não sabia o porquê, mas duvidava disso.


Quando sua mãe a soltara do quartinho de ferramentas, ela descobrira que havia passado apenas meia hora ali, mas para ela parecera uma eternidade.


Como seria passar realmente a eternidade daquela forma?


- Você já tentou fugir? - O olhar que ele lhe lançou foi bastante expressivo. - O que aconteceu? - perguntou.


- Obviamente, eu fracassei.


Lua sentiu-se péssima por ele.


Mais de dois mil anos passados em uma cripta escura. Era um milagre que ele ainda estivesse são. Que fosse capaz de sentar-se ali com ela e falar.


Não era de surpreender que ele quisesse comida. Aquele tipo de privação sensorial era uma tortura impiedosa. Naquele instante, soube que iria ajudá-lo.


Não imaginava como, mas devia haver algum modo de acabar com aquilo.


- E se conseguíssemos achar um jeito de libertá-lo?


- Eu lhe garanto que não existe nenhum.


- Fatalista, não é? - Ele lhe lançou um olhar jocoso.


- Ficar preso por mais de dois mil anos faz isso com uma pessoa.


Lua continuou observando-o comer, enquanto sua cabeça funcionava rapidamente.


A otimista que havia nela recusava-se a levar a sério aquele pessimismo, assim como sua parte terapeuta negava-se a deixar de ajudá-lo. Fizera um juramento de aliviar o sofrimento quando pudesse, e levava muito a sério seus juramentos.


Quando se decidia, sempre havia um jeito. Chovesse ou fizesse sol, ela encontraria um jeito de libertá-lo! Enquanto isso, faria por ele algo que duvidava que alguém tivesse feito.


Providenciaria para que ele desfrutasse da liberdade temporária em Nova Orleans. As outras mulheres podiam tê-lo mantido confinado em seus quartos ou closets, mas ela não acorrentaria ninguém.


- Bem, então vamos dizer que esta encarnação é para você, companheiro. - Ele desviou os olhos da comida e fitou-a com um súbito interesse.


- Eu vou servir a você. - Lua prosseguiu. - Faremos o que você quiser fazer, veremos o que você quiser ver.


Um canto da boca de Arthur ergueu-se, revelando uma estranha diversão, enquanto ele tomava um gole de vinho.


- Tire a blusa.


- O quê? - ela indagou. Ele pôs o cálice de vinho de lado e encarou-a com um olhar sensual.


- Você disse que eu posso ver o que eu quiser ver e fazer o que eu quiser fazer. Bem, eu quero ver os seus seios e depois quero passar minha língua...


- Ei, grandalhão, pode esfriar. - Lua o interrompeu, com as bochechas ardendo e o corpo quente. - Acho que devemos estabelecer algumas regras básicas enquanto você está aqui. Número um: não haverá nada daquilo.


- E por que não?


Sim, seu corpo exigiu em uma voz interior e, ao mesmo tempo, implorativa e zangada, por que não?


- Porque eu não sou uma gata vira-lata com a cauda erguida, esperando que o macho mais próximo monte, se satisfaça e vá embora.



Continua...

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