#maratonaparte4/10
- Que horrível. - ela sussurrou.
- Você se acostuma. Com o tempo.
- É mesmo? - ela não sabia o porquê, mas duvidava disso.
Quando sua mãe a soltara do quartinho de ferramentas, ela descobrira que
havia passado apenas meia hora ali, mas para ela parecera uma eternidade.
Como seria passar realmente a eternidade daquela forma?
- Você já tentou fugir? - O olhar que ele lhe lançou foi bastante
expressivo. - O que aconteceu? - perguntou.
- Obviamente, eu fracassei.
Lua sentiu-se péssima por ele.
Mais de dois mil anos passados em uma cripta escura. Era um milagre que
ele ainda estivesse são. Que fosse capaz de sentar-se ali com ela e falar.
Não era de surpreender que ele quisesse comida. Aquele tipo de privação
sensorial era uma tortura impiedosa. Naquele instante, soube que iria ajudá-lo.
Não imaginava como, mas devia haver algum modo de acabar com aquilo.
- E se conseguíssemos achar um jeito de libertá-lo?
- Eu lhe garanto que não existe nenhum.
- Fatalista, não é? - Ele lhe lançou um olhar jocoso.
- Ficar preso por mais de dois mil anos faz isso com uma pessoa.
Lua continuou observando-o comer, enquanto sua cabeça funcionava
rapidamente.
A otimista que havia nela recusava-se a levar a sério aquele pessimismo,
assim como sua parte terapeuta negava-se a deixar de ajudá-lo. Fizera um
juramento de aliviar o sofrimento quando pudesse, e levava muito a sério seus
juramentos.
Quando se decidia, sempre havia um jeito. Chovesse ou fizesse sol, ela
encontraria um jeito de libertá-lo! Enquanto isso, faria por ele algo que
duvidava que alguém tivesse feito.
Providenciaria para que ele desfrutasse da liberdade temporária em Nova
Orleans. As outras mulheres podiam tê-lo mantido confinado em seus quartos ou
closets, mas ela não acorrentaria ninguém.
- Bem, então vamos dizer que esta encarnação é para você, companheiro. -
Ele desviou os olhos da comida e fitou-a com um súbito interesse.
- Eu vou servir a você. - Lua prosseguiu. - Faremos o que você quiser
fazer, veremos o que você quiser ver.
Um canto da boca de Arthur ergueu-se, revelando uma estranha diversão,
enquanto ele tomava um gole de vinho.
- Tire a blusa.
- O quê? - ela indagou. Ele pôs o cálice de vinho de lado e encarou-a
com um olhar sensual.
- Você disse que eu posso ver o que eu quiser ver e fazer o que eu
quiser fazer. Bem, eu quero ver os seus seios e depois quero passar minha
língua...
- Ei, grandalhão, pode esfriar. - Lua o interrompeu, com as bochechas
ardendo e o corpo quente. - Acho que devemos estabelecer algumas regras básicas
enquanto você está aqui. Número um: não haverá nada daquilo.
- E por que não?
Sim, seu corpo exigiu em uma voz interior e, ao mesmo tempo, implorativa
e zangada, por que não?
- Porque eu não sou uma gata vira-lata com a cauda erguida, esperando
que o macho mais próximo monte, se satisfaça e vá embora.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário