sábado, 2 de janeiro de 2016

Amante da fantasia - Cap.20


#maratonaparte3/10

O tom monótono a fez parar para pensar enquanto ele voltava a comer. A imagem de Paul feriu seu coração.


Ela conhecera apenas um cretino egoísta e insensível. Aparentemente, Arthur conhecera muito mais pessoas desse tipo.


- Então, me diga, você fica lá no livro até que alguém o chame?


Ele assentiu.


- O que você faz no livro para passar o tempo?


Arthur deu de ombros, e ela reparou que ele não possuía uma gama muito ampla de expressões. Ou de palavras. Lua moveu-se para frente e sentou-se à mesa diante dele.


- Sabe... Se, como você disse, vamos passar um mês juntos, por que não o tornar mais agradável e conversar?


Arthur fitou-a, surpreso.


Não se lembrava da última vez em que alguém, de fato, conversara com ele, exceto para pronunciar palavras estimulantes ou fazer sugestões que ajudassem a intensificar o prazer que ele proporcionava. Ou para chamá-lo de volta para a cama.


Aprendera muito cedo na vida que as mulheres queriam apenas uma coisa dele... Certa parte do seu corpo enterrada profundamente entre suas pernas.


Com isso em mente, correu seu olhar lentamente pelo corpo de Lua, detendo-se nos seios, que se enrijeceram sob o olhar prolongado.


Indignada, ela cruzou os braços sobre os seios e esperou até que ele a encarasse. Arthur quase riu. Quase.


- Sabe... - disse ele, imitando-a - há coisas muito mais agradáveis para se fazer com a língua do que falar... Como deslizá-la por seus seios nus e pela base de seu pescoço. - Ele baixou o olhar para o ventre dela. - Sem mencionar outros lugares...


Por um instante, Lua ficou muda. Depois, divertida. Por fim, muito excitada.


Como terapeuta, ela escutara coisas muito mais chocantes do que aquela, lembrou-se. Sim, mas não de uma língua que ela desejava que fizesse outras coisas com ela além de falar.


- Está certo, há outras coisas a se fazer com uma língua, como arrancá-la. - ela falou, experimentando certa satisfação com a surpresa que lampejou nos olhos de Arthur. - Mas eu sou uma mulher que gosta de falar, e você está aqui para me agradar, não é?


Houve apenas uma sutil tensão no corpo dele, como se resistisse ao papel que precisava desempenhar.


- Sim.


- Então, me diga o que você faz enquanto está no livro.


Ele a fitou com uma intensidade raivosa que ela achou enervante, intrigante e um pouco assustadora.


- É como estar preso em um sarcófago. - por fim, respondeu calmamente. - Escuto vozes, mas não posso ver a luz ou qualquer outra coisa. Só fico ali, incapaz de me mexer. Esperando. Escutando.


Ela se encolheu ante a ideia.


Lembrou-se de uma vez, muito tempo atrás, quando se trancara por acidente no quartinho de ferramentas de seu pai. Não havia luz, nem saída.


Aterrorizada, ela sentira dificuldade para respirar e ficara tonta com o pânico. Gritara e batera na porta até machucar toda a mão. Por fim, sua mãe a ouvira e a libertara.


Lua ainda era ligeiramente claustrofóbica por causa da experiência. Nem conseguia imaginar como seria passar séculos em um local como esse.


Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71