O forte grito a tirou de
seu sonho e acelerou seu coração mais que quando estava com o Arthur. Lua abriu
os olhos, encontrava-se tombada de barriga para baixo sobre a cama.
Sophia entrou como uma
tempestade na cabine. -Será melhor que venha rápido. Mel está afogando o Teddy.
E não estou brincando.
Thur abandonou seu sonho
com uma maldição, enquanto flutuava no Strobilos que não lhe dava forma ou
substância enquanto espiava o reino humano. Sempre que uma pessoa despertava de
seu sonho, deixava sumido a um deus do sonho em um grosseiro vazio. Não havia
som, nem cor, só havia escuridão.
Tudo o que ele podia
sentir eram suas fugazes emoções, e ele estava desesperado para consegui-las.
-Lua... Chamou-a Thur,
esperando voltar para momento que tinham compartilhado. Mas sabia que era muito
tarde. Sua pequena fixação era mais forte que a maioria dos humanos e nem
sempre vinha a ele quando a chamava.
Supunha-se que o soro do
lótus podia induzi-la a dormir até que ela estivesse pronta para lhe responder.
Mas tudo o que estava fazendo era lhe dar dor de cabeça enquanto lutava contra
ele.
Maldita seja. Ele queria
que ela voltasse.
Doía-lhe o corpo pela
necessidade insatisfeita, mas mais que isso, sentia algo estranho em seu peito.
Dor.
Ele a desejava e estava
zangado por sua perda. Nenhuma só vez em sua vida havia sentido algo parecido.
Os deuses do sonho estavam supostamente desprovidos de emoções... De todas,
exceto da dor. Uma só emoção através da qual outros deuses podiam controlá-los
e castigá-los.
Só que ele não sentia dor
em seu peito. Ele ainda podia sentir as emoções da Lua, o que demonstrava o
muito que ela tinha reprimido sua paixão e sua ira.
A princípio ela só tinha
sido uma passageira curiosidade para ele. Seus sonhos tinham sido nítidos e
coloridos. Duas coisas que não eram. A maioria das pessoas sonhava em branco e
negro com muita névoa.
Algo de que muitos deuses
do sonho fugiam especialmente os eróticos, exceto aqueles como ele, Skotis, que
se sentiam atraídos pelos humanos mais audazes. Por que dançar nos sonhos de
uma pessoa pouco imaginativa quando o que queria era experimentar emoções e
sentimentos através do adormecido?
Assim seu tipo saltava
através dos sonhos, procurando refúgio naqueles que podiam criar sonhos bonitos
e que davam aos Skoti aquilo que necessitavam.
Os sonhos da Lua estavam
alagados de inteligentes e brilhantes emoções. A primeira vez que se introduziu
neles, ela estava se banhando em um rio de chocolate.
Flutuando sobre a neblina
que levava a câmara dos sonhos, Thur fechou os olhos para evocar suas
lembranças. Ainda havia vestígios da paixão da Lua dentro dele pensou, mesmo
que sua conexão com seu sonho se houvesse quebrado, e isso lhe fez recordar o
prazer que sentiu ao encontrá-la aquela primeira noite.
Ainda agora podia saborear
o chocolate do sonho em sua língua, chocolate que tinha gasto de seu corpo nu.
Sentir a cálida sensação escorregando por seu corpo enquanto faziam o
amor. Ele ainda se perguntava assombrado
como tinha podido saborear o chocolate como no plano mortal.
Por que lhe tinha dado Lua
tanto prazer?
O melhor de tudo, é que
ele ardia só pensando que ela podia saboreá-lo. Que podia cheirá-lo.
Sua franga deu um salto
pela doce espera.
-Arthur?
Girou a cabeça para fora
ao tempo que uma brilhante luz rompia sua escuridão. -Merda, Micael-, grunhiu
ele reconhecendo a voz de seu velho meio irmão.
-Isso é ira?
Thur se empurrou assim
mesmo para colocar-se ao lado do deus que era igualmente alto. Como ele, Micael
tinha o cabelo negro e os olhos de um azul translúcido. Todos os de sua raça
estavam marcados por essas cores, e por uma beleza sobrenatural.
Esta vez quando Thur
falou seu tom era monótono e liso, como correspondia a um de sua espécie
maldita. -Como podia sê-lo? Não tenho emoções.
Micael estreitou seu
olhar penetrante e se Thur não o conhecesse melhor, teria jurado que seu irmão
estava desconcertado. Embora pensando-o, eles não podiam sentir realmente, eles
tinham aprendido a simular expressões, algo que fazia que outros deuses menores
estivessem nervosos ao redor deles.
-Passou muito tempo com o
humano. Precisa trocá-lo por outro.
Esse era o caminho a
seguir. Um Skotos como Thur era tolerado só para ajudar a drenar os excessos de
emoções humanas. Se um Skoti passava muito tempo com uma pessoa, eles podiam,
em teoria, voltar louca à pessoa ou assassiná-la.
Ao Skoti normalmente
davam uma só advertência e se não fazia conta, um Oneroi devia escolher outro
castigo ou eliminá-los de sua existência. Micael era um dos muitos que vigiavam
o sonho humano e mantinha aos Skoti na linha.
-E se não quiser
deixá-la?
-Está sendo sarcástico?
Thur o olhou fixamente.
-Como poderia?
-Então terminará com ela.
- Disse Micael desvanecendo-se.
O prudente é obvio, seria fazer caso de sua
advertência. Mas Thur estava muito enganchado com sua humana para lhe emprestar
atenção às palavras de Micael. Além de tudo, isso requeria medo... Uma coisa
sobre o qual Thur não sabia nada.
Fechando os olhos, Thur
ainda podia cheirar o perfume da pele de Lua. Ainda podia saborear o salgado,
mas doce sabor, de seu corpo em sua faminta língua. Sentir seu toque em sua
pele.
Não, ele não tinha
terminado com ela. Ele só estava começando.
Continua...

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