terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O Caçador de sonhos - Cap. 5


O forte grito a tirou de seu sonho e acelerou seu coração mais que quando estava com o Arthur. Lua abriu os olhos, encontrava-se tombada de barriga para baixo sobre a cama.
Sophia entrou como uma tempestade na cabine. -Será melhor que venha rápido. Mel está afogando o Teddy. E não estou brincando.

Thur abandonou seu sonho com uma maldição, enquanto flutuava no Strobilos que não lhe dava forma ou substância enquanto espiava o reino humano. Sempre que uma pessoa despertava de seu sonho, deixava sumido a um deus do sonho em um grosseiro vazio. Não havia som, nem cor, só havia escuridão.
Tudo o que ele podia sentir eram suas fugazes emoções, e ele estava desesperado para consegui-las.
-Lua... Chamou-a Thur, esperando voltar para momento que tinham compartilhado. Mas sabia que era muito tarde. Sua pequena fixação era mais forte que a maioria dos humanos e nem sempre vinha a ele quando a chamava.
Supunha-se que o soro do lótus podia induzi-la a dormir até que ela estivesse pronta para lhe responder. Mas tudo o que estava fazendo era lhe dar dor de cabeça enquanto lutava contra ele.
Maldita seja. Ele queria que ela voltasse.
Doía-lhe o corpo pela necessidade insatisfeita, mas mais que isso, sentia algo estranho em seu peito.
Dor.
Ele a desejava e estava zangado por sua perda. Nenhuma só vez em sua vida havia sentido algo parecido. Os deuses do sonho estavam supostamente desprovidos de emoções... De todas, exceto da dor. Uma só emoção através da qual outros deuses podiam controlá-los e castigá-los.
Só que ele não sentia dor em seu peito. Ele ainda podia sentir as emoções da Lua, o que demonstrava o muito que ela tinha reprimido sua paixão e sua ira.
A princípio ela só tinha sido uma passageira curiosidade para ele. Seus sonhos tinham sido nítidos e coloridos. Duas coisas que não eram. A maioria das pessoas sonhava em branco e negro com muita névoa.
Algo de que muitos deuses do sonho fugiam especialmente os eróticos, exceto aqueles como ele, Skotis, que se sentiam atraídos pelos humanos mais audazes. Por que dançar nos sonhos de uma pessoa pouco imaginativa quando o que queria era experimentar emoções e sentimentos através do adormecido?
Assim seu tipo saltava através dos sonhos, procurando refúgio naqueles que podiam criar sonhos bonitos e que davam aos Skoti aquilo que necessitavam.
Os sonhos da Lua estavam alagados de inteligentes e brilhantes emoções. A primeira vez que se introduziu neles, ela estava se banhando em um rio de chocolate.
Flutuando sobre a neblina que levava a câmara dos sonhos, Thur fechou os olhos para evocar suas lembranças. Ainda havia vestígios da paixão da Lua dentro dele pensou, mesmo que sua conexão com seu sonho se houvesse quebrado, e isso lhe fez recordar o prazer que sentiu ao encontrá-la aquela primeira noite.
Ainda agora podia saborear o chocolate do sonho em sua língua, chocolate que tinha gasto de seu corpo nu. Sentir a cálida sensação escorregando por seu corpo enquanto faziam o amor.  Ele ainda se perguntava assombrado como tinha podido saborear o chocolate como no plano mortal.
Por que lhe tinha dado Lua tanto prazer?
O melhor de tudo, é que ele ardia só pensando que ela podia saboreá-lo. Que podia cheirá-lo.
Sua franga deu um salto pela doce espera.
-Arthur?
Girou a cabeça para fora ao tempo que uma brilhante luz rompia sua escuridão. -Merda, Micael-, grunhiu ele reconhecendo a voz de seu velho meio irmão.
-Isso é ira?
Thur se empurrou assim mesmo para colocar-se ao lado do deus que era igualmente alto. Como ele, Micael tinha o cabelo negro e os olhos de um azul translúcido. Todos os de sua raça estavam marcados por essas cores, e por uma beleza sobrenatural.
Esta vez quando Thur falou seu tom era monótono e liso, como correspondia a um de sua espécie maldita. -Como podia sê-lo? Não tenho emoções.
Micael estreitou seu olhar penetrante e se Thur não o conhecesse melhor, teria jurado que seu irmão estava desconcertado. Embora pensando-o, eles não podiam sentir realmente, eles tinham aprendido a simular expressões, algo que fazia que outros deuses menores estivessem nervosos ao redor deles.
-Passou muito tempo com o humano. Precisa trocá-lo por outro.
Esse era o caminho a seguir. Um Skotos como Thur era tolerado só para ajudar a drenar os excessos de emoções humanas. Se um Skoti passava muito tempo com uma pessoa, eles podiam, em teoria, voltar louca à pessoa ou assassiná-la.
Ao Skoti normalmente davam uma só advertência e se não fazia conta, um Oneroi devia escolher outro castigo ou eliminá-los de sua existência. Micael era um dos muitos que vigiavam o sonho humano e mantinha aos Skoti na linha.
-E se não quiser deixá-la?
-Está sendo sarcástico?
Thur o olhou fixamente. -Como poderia?
-Então terminará com ela. - Disse Micael desvanecendo-se.
 O prudente é obvio, seria fazer caso de sua advertência. Mas Thur estava muito enganchado com sua humana para lhe emprestar atenção às palavras de Micael. Além de tudo, isso requeria medo... Uma coisa sobre o qual Thur não sabia nada.
Fechando os olhos, Thur ainda podia cheirar o perfume da pele de Lua. Ainda podia saborear o salgado, mas doce sabor, de seu corpo em sua faminta língua. Sentir seu toque em sua pele.
Não, ele não tinha terminado com ela. Ele só estava começando.



Continua...

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