#MaratonaParte9/10
– Seu horóscopo
diz que “hoje é
um bom dia para correr riscos” – leu Mel, encostada nos armários, com o nariz
enfiado no novo exemplar da Cosmopolitan.
– Não acredito que você lê isso –
gargalhei, procurando os livros que eu precisava levar para casa. – Tipo, você
precisa mesmo conhecer “75 truques sexuais para enlouquecer seu homem”? Uns 20
não bastariam para qualquer pessoa?
Mel voltou à superfície com uma careta.
– Algum dia todos eles podem ser úteis.
Não quer estar preparada para o caso de você querer “enlouquecer seu homem”?
Fiquei vermelha, lembrando-me da
conversa com mamãe, do sonho que tinha tido com Arthur, dos sentimentos que vieram
à tona naquela noite no quarto dele, quando fez o truque idiota com os dentes.
E de Jake, sem camisa, parado na carroceria da picape...
– É. Acho que sim. Mas nada indica que
eu vá usar qualquer “truque” tão cedo.
– Ei, nunca se sabe. – Mel apontou para
trás de mim. – Olha quem está ali.
Eu me virei, meio que esperando ver Arthur
no meio da turma de alunos prontos para irem para casa. A paixonite de Mel
estava fugindo ao controle e, se o assunto era sexo, uma menção a Arthur não
podia estar muito longe. Mas não. Era o Jake, tirando do armário a jaqueta
esportiva, com mangas de couro. Desviei o olhar, sentindo um interesse ainda
maior pelo conteúdo do meu armário.
– Você devia ir falar com ele –
aconselhou Mel, um pouco alto demais. – A não ser que finalmente tenha
percebido que Arthur é a melhor opção.
– Arthur não é melhor e não é “opção”.
– Bom, então essa é a sua chance de
convidar Jake para a festa do outono – disse Mel. Em seguida, levantou a
revista. – Ouça seu horóscopo. Corra um risco.
– Eu sei que você lê isso, mas não acredita mesmo nesse negócio de “escrito
nas
estrelas”, não é? – Fui me afastando do
armário, com uma pilha de livros nos braços.
– É claro que sim – respondeu Mel.
Você também, não, Mel...
Será que resta alguma pessoa racional nesse mundo?
– Jake estava obviamente a fim de você
naquela noite na sua casa – acrescentou ela.
–Tipo, ele mal falou comigo.
– É mesmo?
– Ro, eu fiquei invisível. Anda.
Convida ele para a festa. A não ser que você esteja em dúvida com relação ao Arthur.
– Não estou, não – garanti.
– Então convida o Jake. tinha perdido
aqueles dois quilos, para completar.
– Ah, acho que não. Estou horrível e,
bem, não era o Jake que deveria me convidar?
– Não estamos na Idade Média – observou
Mel. – As garotas convidam os garotos. Isso acontece o tempo todo. Algo que você
saberia se lesse a Cosmopolitan.
Mel não estava totalmente errada. Se
havia uma coisa que me aborrecia, era estar com um pé preso na Idade Média.
Imaginei o que ela iria achar caso soubesse que, se eu provavelmente não tinha
escolha no que dizia respeito a um marido, de que adiantaria pensar em um
acompanhante para a festa de outono da escola? Eu não estava convencida de que
era uma boa ideia convidar o Jake.
– Eu posso ir sem acompanhante.
– Mas é mais legal ter um. E é melhor
correr, porque ele está indo embora.
Virei-me de novo e vi Jake trancando a
porta do armário. Mel me deu um
empurrãozinho.
– Vai!
Seu segundo empurrão me deixou sem saída,
principalmente porque Jake vinha na nossa direção.
Continua...

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