#MaratonaParte5/10
– Que as ruas vão ser lavadas com sangue
humano também. Será o caos. Perdas
incontáveis de vidas. – Arthur parou,
dando de ombros. – Ou talvez nada aconteça. Os vampiros são seres muito
caprichosos. Essa é uma das nossas melhores e piores
características. Mas, de fato, é bom não
arriscar.
– Por que os Vladescu e os Dragomir se
odeiam tanto?
– Por que todas as nações, culturas e
religiões poderosas entram em conflito? Pelo
controle de território. Pelo simples
desejo de dominação. Sempre foi assim entre nossos dois clãs, até que o pacto
garantiu uma promessa de paz por meio da unificação, como iguais. Se você e eu
não pudermos cumprir o acordo, sujaremos nossas mãos de sangue.
Imagens de ruas encharcadas de sangue –
por minha culpa – surgiram em flashes na minha mente, como uma cena de filme
sendo repassadas mil vezes, por isso me levantei, balançando a cabeça.
– É a história mais idiota que já ouvi.
– Verdade? – Agora os olhos de Arthur
eram insondáveis, algo mais amedrontador do que sua raiva. Ele se levantou também.
– Como posso fazer com que acredite nessa “história”?
– Não tem como. – Recuei um pouquinho. –
Porque os vampiros não existem.
– Eu existo. Você existe.
– Eu não sou uma vampira – insisti. –
Essa genealogia não significa nada.
A raiva relampejou nos olhos de Arthur.
– A genealogia significa tudo. É a única posse que
valorizo.
Recuei mais alguns passos. Ele pareceu
ficar mais alto do que nunca.
– Preciso ir agora – falei.
Mas a cada passo Arthur avançava em
minha direção, lentamente, e eu me vi hesitando, enfeitiçada por aqueles olhos negros,
hipnotizada. Senti um arrepio me prendendo ao chão como um choque elétrico.
– Não acredito em vampiros – sussurrei,
mas com menos convicção.
–
Vai acreditar.
– Não. Não é racional.
Agora Arthur estava a centímetros de
mim e inclinou a cabeça para baixo, para nos vermos melhor, olhos nos olhos. E
então mostrou os dentes. Só que não eram mais apenas dentes.
Eram presas. Duas presas, para ser
exata. Duas presas afiadas, sedutoras, brilhantes. Eram as coisas mais
medonhas, perfeitas e inacreditáveis que eu tinha visto na vida. Quis gritar.
Gritar o mais alto que fosse humanamente possível. Ou talvez ter Arthur apertando
meus ombros, me puxando para perto, sentir a autoridade de suas mãos, o toque
de seus lábios, aqueles dentes na minha garganta... Ah, meu Deus. Qual era o problema
comigo? Qual era o problema com ele?
Ele era um vampiro, caramba! De verdade. Não.
Devia ser um truque. Uma ilusão. Fechei os olhos, esfregando-os, xingando-me
por ter caído naquela fraude e, ao mesmo tempo, desejando sentir aqueles dentes
incisivos que pareciam navalhas cortarem minha jugular.
–
Por favor... não!
Continua...

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