domingo, 31 de janeiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 25


#MaratonaParte5/10

– Que as ruas vão ser lavadas com sangue humano também. Será o caos. Perdas
incontáveis de vidas. – Arthur parou, dando de ombros. – Ou talvez nada aconteça. Os vampiros são seres muito caprichosos. Essa é uma das nossas melhores e piores
características. Mas, de fato, é bom não arriscar.

– Por que os Vladescu e os Dragomir se odeiam tanto?

– Por que todas as nações, culturas e religiões poderosas entram em conflito? Pelo
controle de território. Pelo simples desejo de dominação. Sempre foi assim entre nossos dois clãs, até que o pacto garantiu uma promessa de paz por meio da unificação, como iguais. Se você e eu não pudermos cumprir o acordo, sujaremos nossas mãos de sangue.

Imagens de ruas encharcadas de sangue – por minha culpa – surgiram em flashes na minha mente, como uma cena de filme sendo repassadas mil vezes, por isso me levantei, balançando a cabeça.

– É a história mais idiota que já ouvi.

– Verdade? – Agora os olhos de Arthur eram insondáveis, algo mais amedrontador do que sua raiva. Ele se levantou também. – Como posso fazer com que acredite nessa “história”?

– Não tem como. – Recuei um pouquinho. – Porque os vampiros não existem.

– Eu existo. Você existe.

– Eu não sou uma vampira – insisti. – Essa genealogia não significa nada.

A raiva relampejou nos olhos de Arthur.

– A genealogia significa tudo. É a única posse que valorizo.

Recuei mais alguns passos. Ele pareceu ficar mais alto do que nunca.

– Preciso ir agora – falei.

Mas a cada passo Arthur avançava em minha direção, lentamente, e eu me vi hesitando, enfeitiçada por aqueles olhos negros, hipnotizada. Senti um arrepio me prendendo ao chão como um choque elétrico.

– Não acredito em vampiros – sussurrei, mas com menos convicção.

– Vai acreditar.
– Não. Não é racional.

Agora Arthur estava a centímetros de mim e inclinou a cabeça para baixo, para nos vermos melhor, olhos nos olhos. E então mostrou os dentes. Só que não eram mais apenas dentes.

Eram presas. Duas presas, para ser exata. Duas presas afiadas, sedutoras, brilhantes. Eram as coisas mais medonhas, perfeitas e inacreditáveis que eu tinha visto na vida. Quis gritar. Gritar o mais alto que fosse humanamente possível. Ou talvez ter Arthur apertando meus ombros, me puxando para perto, sentir a autoridade de suas mãos, o toque de seus lábios, aqueles dentes na minha garganta... Ah, meu Deus. Qual era o problema comigo? Qual era o problema com ele? Ele era um vampiro, caramba! De verdade. Não. Devia ser um truque. Uma ilusão. Fechei os olhos, esfregando-os, xingando-me por ter caído naquela fraude e, ao mesmo tempo, desejando sentir aqueles dentes incisivos que pareciam navalhas cortarem minha jugular.

– Por favor... não!

Continua...

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