Eu queria morrer.
Agora mesmo. Eu quis correr para a gaveta de
facas, agarrar a maior que eu pudesse encontrar, e afundá-lo em meu coração. Que contassem a
alguém que eu
nunca tinha beijado – era quase pior que ser uma
princesa vampira. Vampiros era uma ridícula fantasia, mas minha total falta de experiência
– era real.
-Mamãe! Isto é
muito embaraçoso! Tinha que contar isso?
-Bom, Roberta, é a
verdade. Eu não quero que Arthur pense que você é algum tipo de mulher jovem com experiência, preparada para o casamento.
-Eu não vou me
aproveitar dela – prometeu Arthur com seriedade. – E, é claro, não posso força-la a se casar comigo. Estamos em um novo século. Infelizmente.
Entretanto, temo
que me vejo obrigado a cortejá-la até que
Dulce Maria se dê conta de que seu lugar é ao meu lado. E ela perceberá.
-Eu não
perceberei.
Arthur passou
totalmente do que disse.
-A união de nossos
clãs foi encomendada por membros mais
velhos, mais poderosos: os Anciões das famílias Vladescu e Dragomir. E os anciãos sempre
conseguem o que
propõe.
Mamãe se levantou.
-Será decisão da
Roberta, Arthur.
-É claro – mas o
condescendente meio sorriso no rosto de Arthur
dizia outra coisa. – Bom, onde eu vou ficar?
-Ficar? – meu pai
perguntou, confuso.
-Sim. Dormir –
explicou Arthur. – Tive uma longa viagem,
tive que aguentar meu primeiro sufocante dia na chamada escola pública daqui, e estou cansado.
-Não vai voltar a escola
– me opôs, presa ao pânico. Eu tinha
esquecido da escola. – Simplesmente não pode!
-É claro que eu
vou a escola – respondeu Arthur.
-Como você se
matriculou? – perguntei minha mãe.
-Estou aqui no que
chamam de “visto de estudante” – explicoi
Arthur. – Os Anciãos acharam que seria difícil explicar minha presença a longo prazo de outra
maneira. Os
vampiros não gostam de levantar suspeitas, como
pode imaginar.
Nós gostamos de
nos harmonizar.
Harmonizar? Usando veludo no verão? No condado de Lebanon,
Pensilvania? No conservador
coração do condado das granjas, onde as pessoas robustas de
descendência germânica ainda acham orelhas furadas é coisa de
radicais e, possivelmente,
portais do inferno?
-É realmente um
estudante estrangeiro de intercâmbio? –
perguntou papai franzindo o cenho.
-Sim. Seu estudante estrangeiro de intercâmbio, para ser exato – explicou Arthur.
Mamãe levantou uma
mão em advertência.
-Nunca estivemos
de acordo com isso.
-Sim – acrescentou
papai. – Não tínhamos que assinar algo? Não
há uma papelada?
Arthur riu.
-Ah, a papelada.
Um pequeno detalhe resolvido na Romênia.
Ninguém com senso comum recusa um pedido do clã Vladescu. É só uma má forma. E as
conseqüências de
recusar um favor... bom, vamos dizer que as
pessoas têm que oferecer seus
pescoços.
-Arthur, deveria
ter nos consultado primeiro – se opôs
mamãe,
Os ombros de Arthur baixaram, mas só ligeiramente.
-Sim. Bom, talvez
tenhamos passado do limite. Entretanto, você
devem admitir, que sua honra obriga a me dar boas-vindas. Vocês sabiam que este dia – e eu –
chegaria.
Papai limpou sua
garganta e olhou para mamãe.
-Prometemos aos
Dragomirs há anos que quando chegasse o momento
ajudaríamos...
-Oh, Ned, eu sei!
Você tem que considerar os sentimentos de
Roberta...
-Fizeram um
juramento a minha família – recordou Arthur de
novo. – Além do mais, não tenho outro lugar para ir. Não voltarei a pousada de campo no centro,
onde dormi ontem a
noite. Pelo amor de Deus, o quarto tinha uma
temática de porco. Papel de parede de porco e miniaturas de porco por todas as partes. E um
Vladescu não dorme
com os porcos.
Mamãe suspirou,
colocando as mãos sobre meus ombros de forma
tranqüilizadora.
-Suponho que dessa
forma, Arthur pode ficar no
apartamento de hóspedes sob a garagem, enquanto resolvemos isso. Ok, Roberta? Será algo temporário, tenho
certeza.
-Hey, está fazenda
é sua – murmurei, sabendo que tinha sido
derrotada. Meus pais sempre deixavam para os vadios. Gatos repugnantes, cachorros ativos... se
fosse um sem-teto,
podia viver em nossa fazenda, mesmo se
este ameaçasse morder.
E assim é que um
adolescente que dizia ser um vampiro veio a
morar na nossa garagem no início do meu último e único ano escolar. E não qualquer vampiro.
Meu arrogante e
dominante prometido vampiro. A última pessoa no inferno – ou do inferno – com a que queria compartilhar um passeio na escola, para não falar
de estar obrigada
a passar toda a eternidade.
Fiquei sem
conseguir dormir metade da noite pensando em minha arruinada vida. Meus pais biológicos; um culto de membros que juravam que bebiam sangue, algo que eu não faria
nunca, nem sequer pensaria. Não
havia nada que eu pudesse fazer a respeito agora, a não ser mantê-lo fora da minha mente. Sua história podia
– e permaneceria –
escondida no passado.
Mas o futuro...
tudo o que eu sempre quis é uma oportunidade
para sair com
Jake Zinn, um
garoto normal, e em seu lugar chegou um namorado
caprichoso, diretamente na minha garagem. Como se todos na escola não achassem que
minha família não
era o suficiente estranha, com a yoga do meu
pai e sua improdutiva, orgânica, e anti-carne fazendo, e minha mãe que era a cabeça da
família, e
estudava o imaginário mumbo-jumbo como os americanos chamamcoisas
inacreditáveis Agora... agora seria uma pária. Uma garota da escola secundária que
estava prometida a um ghoul.
E que ghoul.
Na cama, não podia
deixar de lembrar do cheiro da colônia de Arthur,
enquanto se inclinava perto de mim. O poder que tinha derrotado quando caminhava pela
aula de literatura
inglesa. O toque de seus dedos contra minha
bochecha. Sua afirmação de que um dia, afundaria seus dentes em mim.
Deus, que
psicopata.
Me afastando dos
lençóis, me sentei e afastei a cortina, olhando
para janela da
garagem. Ainda
havia uma luz no segundo andar. Arthur estava
acordado. O queele estaria fazendo?
Respirando com
força, me deixei cair sobre a almofada e com os
lençóis, cobri energicamente meu pescoço – meu delicado, vulnerável, e ainda não beijado
pescoço – meio
desejando e meio temendo o
amanhã...

Faz uma maratona dessa web por favor
ResponderExcluirBjss