terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 9



Eu queria morrer. Agora mesmo. Eu quis correr para a gaveta de facas, agarrar a maior que eu pudesse encontrar, e afundá-lo em meu coração. Que contassem a alguém que eu nunca tinha beijado – era quase pior que ser uma princesa vampira. Vampiros era uma ridícula fantasia, mas minha total falta de experiência – era real.


-Mamãe! Isto é muito embaraçoso! Tinha que contar isso?


-Bom, Roberta, é a verdade. Eu não quero que Arthur pense que você é algum tipo de mulher jovem com experiência, preparada para o casamento.


-Eu não vou me aproveitar dela – prometeu Arthur com seriedade. – E, é claro, não posso força-la a se casar comigo. Estamos em um novo século. Infelizmente. Entretanto, temo que me vejo obrigado a cortejá-la até que Dulce Maria se dê conta de que seu lugar é ao meu lado. E ela perceberá.


-Eu não perceberei.


Arthur passou totalmente do que disse.


-A união de nossos clãs foi encomendada por membros mais velhos, mais poderosos: os Anciões das famílias Vladescu e Dragomir. E os anciãos sempre conseguem o que propõe.


Mamãe se levantou.


-Será decisão da Roberta, Arthur.


-É claro – mas o condescendente meio sorriso no rosto de Arthur dizia outra coisa. – Bom, onde eu vou ficar?


-Ficar? – meu pai perguntou, confuso.


-Sim. Dormir – explicou Arthur. – Tive uma longa viagem, tive que aguentar meu primeiro sufocante dia na chamada escola pública daqui, e estou cansado.


-Não vai voltar a escola – me opôs, presa ao pânico. Eu tinha esquecido da escola. – Simplesmente não pode!
-É claro que eu vou a escola – respondeu Arthur.


-Como você se matriculou? – perguntei minha mãe.


-Estou aqui no que chamam de “visto de estudante” – explicoi Arthur. – Os Anciãos acharam que seria difícil explicar minha presença a longo prazo de outra maneira. Os vampiros não gostam de levantar suspeitas, como pode imaginar.


Nós gostamos de nos harmonizar.


Harmonizar? Usando veludo no verão? No condado de Lebanon, Pensilvania? No conservador coração do condado das granjas, onde as pessoas robustas de descendência germânica ainda acham orelhas furadas é coisa de radicais e, possivelmente, portais do inferno?


-É realmente um estudante estrangeiro de intercâmbio? – perguntou papai franzindo o cenho.


-Sim. Seu estudante estrangeiro de intercâmbio, para ser exato – explicou Arthur.


Mamãe levantou uma mão em advertência.


-Nunca estivemos de acordo com isso.


-Sim – acrescentou papai. – Não tínhamos que assinar algo? Não há uma papelada?


Arthur riu.


-Ah, a papelada. Um pequeno detalhe resolvido na Romênia. Ninguém com senso comum recusa um pedido do clã Vladescu. É só uma má forma. E as conseqüências de recusar um favor... bom, vamos dizer que as pessoas têm que oferecer seus pescoços.


-Arthur, deveria ter nos consultado primeiro – se opôs mamãe,

Os ombros de Arthur baixaram, mas só ligeiramente.


-Sim. Bom, talvez tenhamos passado do limite. Entretanto, você devem admitir, que sua honra obriga a me dar boas-vindas. Vocês sabiam que este dia – e eu – chegaria.


Papai limpou sua garganta e olhou para mamãe.


-Prometemos aos Dragomirs há anos que quando chegasse o momento ajudaríamos...


-Oh, Ned, eu sei! Você tem que considerar os sentimentos de Roberta...


-Fizeram um juramento a minha família – recordou Arthur de novo. – Além do mais, não tenho outro lugar para ir. Não voltarei a pousada de campo no centro, onde dormi ontem a noite. Pelo amor de Deus, o quarto tinha uma temática de porco. Papel de parede de porco e miniaturas de porco por todas as partes. E um Vladescu não dorme com os porcos.


Mamãe suspirou, colocando as mãos sobre meus ombros de forma tranqüilizadora.


-Suponho que dessa forma, Arthur pode ficar no apartamento de hóspedes sob a garagem, enquanto resolvemos isso. Ok, Roberta? Será algo temporário, tenho certeza.


-Hey, está fazenda é sua – murmurei, sabendo que tinha sido derrotada. Meus pais sempre deixavam para os vadios. Gatos repugnantes, cachorros ativos... se fosse um sem-teto, podia viver em nossa fazenda, mesmo se este ameaçasse morder.


E assim é que um adolescente que dizia ser um vampiro veio a morar na nossa garagem no início do meu último e único ano escolar. E não qualquer vampiro.


Meu arrogante e dominante prometido vampiro. A última pessoa no inferno – ou do inferno – com a que queria compartilhar um passeio na escola, para não falar de estar obrigada a passar toda a eternidade.


Fiquei sem conseguir dormir metade da noite pensando em minha arruinada vida. Meus pais biológicos; um culto de membros que juravam que bebiam sangue, algo que eu não faria nunca, nem sequer pensaria. Não havia nada que eu pudesse fazer a respeito agora, a não ser mantê-lo fora da minha mente. Sua história podia – e permaneceria – escondida no passado.


Mas o futuro... tudo o que eu sempre quis é uma oportunidade para sair com
Jake Zinn, um garoto normal, e em seu lugar chegou um namorado caprichoso, diretamente na minha garagem. Como se todos na escola não achassem que minha família não era o suficiente estranha, com a yoga do meu pai e sua improdutiva, orgânica, e anti-carne fazendo, e minha mãe que era a cabeça da família, e estudava o imaginário mumbo-jumbo como os americanos chamamcoisas inacreditáveis Agora... agora seria uma pária. Uma garota da escola secundária que estava prometida a um ghoul.


E que ghoul.


Na cama, não podia deixar de lembrar do cheiro da colônia de Arthur, enquanto se inclinava perto de mim. O poder que tinha derrotado quando caminhava pela aula de literatura inglesa. O toque de seus dedos contra minha bochecha. Sua afirmação de que um dia, afundaria seus dentes em mim.


Deus, que psicopata.


Me afastando dos lençóis, me sentei e afastei a cortina, olhando para janela da
garagem. Ainda havia uma luz no segundo andar. Arthur estava acordado. O queele estaria fazendo?


Respirando com força, me deixei cair sobre a almofada e com os lençóis, cobri energicamente meu pescoço – meu delicado, vulnerável, e ainda não beijado pescoço – meio desejando e meio temendo o amanhã...


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