#MaratonaParte6/10
– Por que Arthur não ajuda com os pratos? – reclamei,
entregando a mamãe um prato que pingava. – Ele come com a gente. Poderia ajudar
na limpeza. E, além disso, estou cansada de cuidar da roupa suja desse cara.
Ele sempre reclama e pede goma. Quem usa goma, afinal?
– Entendo sua frustração, Roberta. – Mamãe enxugou o prato
com um pano. – Mas seu pai e eu discutimos isso e ambos achamos que Arthur já
tem dificuldades suficientes em se adaptar à vida nos Estados Unidos
. – Ele se adaptou muito bem. Bem demais, se você quer
saber.
– Não confunda a presunção de Arthur com felicidade. A vida
dele sofreu mudanças bastante drásticas, isso sem termos que forçá-lo a um
trabalho extra que, na casa dele, seria feito pelos serviçais.
– Pelo menos é o que ele diz. Mamãe riu.
– Independentemente do que esteja pensando sobre a... É... A
vampirice de Arthur...
– Acho que isso não
passa de um monte de mer... Quero dizer, de papo-furado. A verdade é que Arthur vem de uma família
muito rica, privilegiada. – Mergulhei as
mãos na água com detergente, procurando talheres submersos. – Privilegiada até
que ponto? Às vezes fico em dúvida sobre os cavalos de polo e as viagens a
Viena.
– Ah, eu não ficaria
surpresa, Roberta. A família Vladescu mora numa propriedade bem impressionante.
É um castelo, na verdade. No alto dos montes Cárpatos.
– Um castelo? –
Ninguém mora em castelos, a não ser nos filmes da Disney. – E você viu esse
“castelo”?
– Só pelo lado de fora e era bem imponente. Não tivemos
permissão para entrar. Os Vladescu não eram os vampiros mais acessíveis... –
Pareceu que ela iria se aprofundar nisso, mas mudou de ideia. – Os Dragomir
foram mais receptivos. Estávamos chegando muito perto de uma discussão sobre
meus pais biológicos.
– Como era? O
castelo? Mamãe sorriu.
– Essa é a primeira vez que vejo você intrigada com alguma
coisa relativa a Arthur. Lavei algumas facas. – Só com a casa dele. Mamãe jogou
o pano de prato no ombro e se encostou na bancada.
– Não com Arthur? Nem
um pouquinho? Percebi a sugestão sutil em sua voz.
– Mãe! Não!
– Roberta, admita: Arthur
é um rapaz atraente e sem dúvida está interessado em você. Seria natural se
você demonstrasse algum interesse também. Não seria algo do que se envergonhar.
Enfiei um pirex embaixo d’água e o esfreguei um pouco para soltar a lentilha
grudada nas laterais.
– Ele acha que é um
vampiro, mamãe.
– Isso não muda o fato de que Arthur Vladescu é um rapaz
charmoso, poderoso, rico e bonito. Lembrei-me da sensação da mão forte de Arthur
roçando meu rosto na noite em que nos conhecemos. Daquela sensação de frio na
barriga. E do fato de ele ter verbalizado a intenção de morder meu pescoço.
– Alguma vez você me viu olhar para Arthur com algo que não
fosse aversão? Fala sério! Mamãe sorriu.
– Você ficaria
surpresa com a frequência com que a aversão vira desejo. Havia uma expressão
sabichona em seus olhos, como se ela tivesse acabado de ler minha mente
enquanto eu me lembrava de Arthur tocando meu rosto. Fiquei vermelha.
– Isso parece alquimia, que é tão real quanto os vampiros.
– Ah, Roberta. – Mamãe suspirou. – O que é o amor, senão uma
forma de alquimia?
Continua...

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