sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 16



#MaratonaParte6/10

– Por que Arthur não ajuda com os pratos? – reclamei, entregando a mamãe um prato que pingava. – Ele come com a gente. Poderia ajudar na limpeza. E, além disso, estou cansada de cuidar da roupa suja desse cara. Ele sempre reclama e pede goma. Quem usa goma, afinal?
– Entendo sua frustração, Roberta. – Mamãe enxugou o prato com um pano. – Mas seu pai e eu discutimos isso e ambos achamos que Arthur já tem dificuldades suficientes em se adaptar à vida nos Estados Unidos
. – Ele se adaptou muito bem. Bem demais, se você quer saber.
– Não confunda a presunção de Arthur com felicidade. A vida dele sofreu mudanças bastante drásticas, isso sem termos que forçá-lo a um trabalho extra que, na casa dele, seria feito pelos serviçais.
– Pelo menos é o que ele diz. Mamãe riu.
– Independentemente do que esteja pensando sobre a... É... A vampirice de Arthur...
 – Acho que isso não passa de um monte de mer... Quero dizer, de papo-furado.  A verdade é que Arthur vem de uma família muito rica, privilegiada. –  Mergulhei as mãos na água com detergente, procurando talheres submersos. – Privilegiada até que ponto? Às vezes fico em dúvida sobre os cavalos de polo e as viagens a Viena.
 – Ah, eu não ficaria surpresa, Roberta. A família Vladescu mora numa propriedade bem impressionante. É um castelo, na verdade. No alto dos montes Cárpatos.
 – Um castelo? – Ninguém mora em castelos, a não ser nos filmes da Disney. – E você viu esse “castelo”?
– Só pelo lado de fora e era bem imponente. Não tivemos permissão para entrar. Os Vladescu não eram os vampiros mais acessíveis... – Pareceu que ela iria se aprofundar nisso, mas mudou de ideia. – Os Dragomir foram mais receptivos. Estávamos chegando muito perto de uma discussão sobre meus pais biológicos.
 – Como era? O castelo? Mamãe sorriu.
– Essa é a primeira vez que vejo você intrigada com alguma coisa relativa a Arthur. Lavei algumas facas. – Só com a casa dele. Mamãe jogou o pano de prato no ombro e se encostou na bancada.
 – Não com Arthur? Nem um pouquinho? Percebi a sugestão sutil em sua voz.
– Mãe! Não!
 – Roberta, admita: Arthur é um rapaz atraente e sem dúvida está interessado em você. Seria natural se você demonstrasse algum interesse também. Não seria algo do que se envergonhar. Enfiei um pirex embaixo d’água e o esfreguei um pouco para soltar a lentilha grudada nas laterais.
 – Ele acha que é um vampiro, mamãe.
– Isso não muda o fato de que Arthur Vladescu é um rapaz charmoso, poderoso, rico e bonito. Lembrei-me da sensação da mão forte de Arthur roçando meu rosto na noite em que nos conhecemos. Daquela sensação de frio na barriga. E do fato de ele ter verbalizado a intenção de morder meu pescoço.
– Alguma vez você me viu olhar para Arthur com algo que não fosse aversão? Fala sério! Mamãe sorriu.
 – Você ficaria surpresa com a frequência com que a aversão vira desejo. Havia uma expressão sabichona em seus olhos, como se ela tivesse acabado de ler minha mente enquanto eu me lembrava de Arthur tocando meu rosto. Fiquei vermelha.
– Isso parece alquimia, que é tão real quanto os vampiros.
– Ah, Roberta. – Mamãe suspirou. – O que é o amor, senão uma forma de alquimia? 


Continua...

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