Lua arregalou os olhos quando Arthur finalmente saiu do provador, usando
calças jeans que pareciam ter sido feitas exclusivamente para ele.
A camiseta regata justa, que Mel lhe emprestara, parava logo abaixo da
cintura firme e estreita e o jeans era baixo nos quadris delgados, permitindo
um minúsculo vislumbre do abdômen definido e dos pelos escuros que partiam do
umbigo e desapareciam sob a calça.
Ela sentiu um forte desejo de aproximar-se dele e deslizar a mão pela
convidativa trilha, investigando até onde ia. Então se lembrou vividamente da
imagem do corpo nu à sua frente.
Inspirando fundo, teve de admitir que ele ficava bem de jeans. Melhor do
que usando shorts, se isso fosse possível.
Sophia estava certa, ele tinha o melhor traseiro que um jeans já
envolvera, e tudo o que podia pensar era em correr a mão por ali e apertá-lo
com força.
A vendedora e a mulher ao lado dela pararam de falar e o encararam,
boquiabertas.
- Estes estão satisfatórios? - ele indagou a Lua.
- Oh, sim, meu bem. - ela respondeu, ofegante, antes que pudesse se
controlar.
Arthur deu-lhe um sorriso divertido, mas o sentimento não se refletiu
nos olhos. Lua moveu-se ao redor dele até conseguir ver o número da calça.
Oh, sim, era um belo traseiro! Distraída pelas nádegas bem feitas, ela
inadvertidamente deixou os dedos roçarem a pele das costas ao tocar a etiqueta.
Sentiu Arthur ficar tenso.
- Sabe - disse ele, olhando-a por sobre o ombro -,isso seria muito
melhor se estivéssemos sem roupa. E na sua cama.
Ela escutou o arfar da vendedora e da cliente. Com as faces quentes,
endireitou-se e o encarou.
- Nós realmente precisamos conversar sobre o tipo de comentário
apropriado a quando estamos em público.
- Se me levasse para casa, não precisaria se preocupar com isso.
O homem era implacável.
Meneando a cabeça, Lua pegou mais duas calças jeans, algumas camisetas,
um cinto, óculos de sol, meias, sapatos e várias cuecas boxer grandes e feias.
Nenhum homem ficaria bem naquelas cuecas, ela decidiu. E a última coisa
que queria era que Arthur fosse ainda mais atraente.
Ela o fez vestir uma das camisetas novas, jeans e tênis ainda na loja.
- Agora você parece quase humano. - provocou-o, quando ele saiu do
provador. Ele lhe lançou um olhar frio e apático.
- Apenas por fora. - falou em uma voz tão baixa que ela não teve certeza
de ter escutado.
- O quê? - ela indagou.
- Sou humano apenas por fora. - ele repetiu, mais alto. Lua notou-lhe a
angústia no olhar, e seu coração se apertou.
- Arthur - disse em tom de censura -, você é humano.
Ele comprimiu os lábios, com um olhar sombrio e cauteloso.
- Sou? É humano viver por mais de dois mil anos? Ter permissão para
andar pela terra algumas semanas por vez?
Arthur olhou ao redor, para as mulheres que tentavam espiá-lo por entre
as prateleiras. Mulheres que se imobilizavam ao vê-lo.
Agitou a mão, indicando o espetáculo ao redor deles.
- Você as vê fazendo isso com mais alguém? - A face dele se tornou dura
e perigosa, e o olhar intenso mergulhou no dela. - Não, Lua, eu nunca fui humano.
Precisando confortá-lo, ela o tocou com gentileza no rosto.
- Você é humano, Arthur.
Continua...

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