sábado, 13 de fevereiro de 2016

Amante da fantasia - Cap. 36


Lua arregalou os olhos quando Arthur finalmente saiu do provador, usando calças jeans que pareciam ter sido feitas exclusivamente para ele.


A camiseta regata justa, que Mel lhe emprestara, parava logo abaixo da cintura firme e estreita e o jeans era baixo nos quadris delgados, permitindo um minúsculo vislumbre do abdômen definido e dos pelos escuros que partiam do umbigo e desapareciam sob a calça.


Ela sentiu um forte desejo de aproximar-se dele e deslizar a mão pela convidativa trilha, investigando até onde ia. Então se lembrou vividamente da imagem do corpo nu à sua frente.


Inspirando fundo, teve de admitir que ele ficava bem de jeans. Melhor do que usando shorts, se isso fosse possível.


Sophia estava certa, ele tinha o melhor traseiro que um jeans já envolvera, e tudo o que podia pensar era em correr a mão por ali e apertá-lo com força.


A vendedora e a mulher ao lado dela pararam de falar e o encararam, boquiabertas.


- Estes estão satisfatórios? - ele indagou a Lua.


- Oh, sim, meu bem. - ela respondeu, ofegante, antes que pudesse se controlar.


Arthur deu-lhe um sorriso divertido, mas o sentimento não se refletiu nos olhos. Lua moveu-se ao redor dele até conseguir ver o número da calça.


Oh, sim, era um belo traseiro! Distraída pelas nádegas bem feitas, ela inadvertidamente deixou os dedos roçarem a pele das costas ao tocar a etiqueta. Sentiu Arthur ficar tenso.


- Sabe - disse ele, olhando-a por sobre o ombro -,isso seria muito melhor se estivéssemos sem roupa. E na sua cama.


Ela escutou o arfar da vendedora e da cliente. Com as faces quentes, endireitou-se e o encarou.


- Nós realmente precisamos conversar sobre o tipo de comentário apropriado a quando estamos em público.


- Se me levasse para casa, não precisaria se preocupar com isso.


O homem era implacável.


Meneando a cabeça, Lua pegou mais duas calças jeans, algumas camisetas, um cinto, óculos de sol, meias, sapatos e várias cuecas boxer grandes e feias.


Nenhum homem ficaria bem naquelas cuecas, ela decidiu. E a última coisa que queria era que Arthur fosse ainda mais atraente.


Ela o fez vestir uma das camisetas novas, jeans e tênis ainda na loja.


- Agora você parece quase humano. - provocou-o, quando ele saiu do provador. Ele lhe lançou um olhar frio e apático.


- Apenas por fora. - falou em uma voz tão baixa que ela não teve certeza de ter escutado.


- O quê? - ela indagou.


- Sou humano apenas por fora. - ele repetiu, mais alto. Lua notou-lhe a angústia no olhar, e seu coração se apertou.


- Arthur - disse em tom de censura -, você é humano.


Ele comprimiu os lábios, com um olhar sombrio e cauteloso.


- Sou? É humano viver por mais de dois mil anos? Ter permissão para andar pela terra algumas semanas por vez?


Arthur olhou ao redor, para as mulheres que tentavam espiá-lo por entre as prateleiras. Mulheres que se imobilizavam ao vê-lo.


Agitou a mão, indicando o espetáculo ao redor deles.


- Você as vê fazendo isso com mais alguém? - A face dele se tornou dura e perigosa, e o olhar intenso mergulhou no dela. - Não, Lua, eu nunca fui humano.


Precisando confortá-lo, ela o tocou com gentileza no rosto.


- Você é humano, Arthur.



Continua...

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