Ele não disse mais nada até que Mel retornasse e lhe entregasse a
sacola.
- Agora - disse ela -, estou pensando em luz de velas, boa música e...
- Mel - Lua interrompeu-a -, eu aprecio o que está tentando fazer, mas
em vez de focar em mim, por um minuto, podemos falar sobre Arthur?
Mel fitou-o.
- Claro. O que tem ele?
- Você sabe como tirá-lo do livro? Para sempre?
- Não tenho nem ideia. - Mel voltou-se para ele: - Você sabe?
- Eu já disse para ela que é impossível.
Mel assentiu.
- Ela é teimosa. Nunca escuta uma palavra, a menos que seja a palavra
que ela quer ouvir.
- Teimosa ou não - Lua falou, virando-se para Arthur -, não posso
imaginar por que você iria querer ficar amaldiçoado em um livro.
Ele desviou o olhar.
- Lua, dê um tempo ao homem.
- É o que estou tentando fazer.
- Ótimo! - Mel cedeu, por fim.
- Arthur, que terrível e vil ato você cometeu para ser sugado para o
livro? Hubris.
- Oh... - disse Mel, de forma sinistra. - Isso é bem ruim. Lua, ele pode
ter razão. Eles costumavam fazer coisas como retalhar as pessoas por causa
disso. Você devia ter prestado atenção às suas aulas de estudos clássicos. Os
deuses gregos são realmente maus no que se refere às punições.
Lua apertou os olhos.
- Eu me recuso a acreditar que não haja uma forma de libertá-lo. Não
podemos destruir o livro ou invocar um de seus espíritos ou algo para ajudar?
- Ah, então agora você acredita na minha magia vodu?
- Não de verdade, mas você conseguiu trazê-lo até aqui. Você consegue
ajudá-lo?
Mel mordeu a unha enquanto refletia.
- Arthur, que deus era mais favorável a você?
Ele inspirou profundamente, como se estivesse entediado com as
perguntas.
- Na verdade, nenhum deles gostava muito de mim. Como era um soldado, eu
fazia sacrifícios especialmente a Atena, mas tinha um contato mais direto com
Eros.
Mel sorriu com malícia.
- O deus da luxúria e do amor. Entendo.
- Não é pelas razões que você imagina. - disse ele.
Ela o ignorou.
- Então, você já tentou apelar a Eros?
- Não estamos nos falando.
Lua revirou os olhos ante o sarcasmo impertinente.
- Por que você não tenta chamá-lo? - sugeriu Mel.
Lua a encarou.
- Você poderia tentar ser um pouco mais séria, Mel. Sei que zombei das
suas crenças ao longo dos anos, mas estamos falando da vida de Arthur.
- Eu estou sendo séria. - disse Mel, com ênfase. - O melhor jeito seria Arthur
evocá-lo diretamente e perguntar se ele pode ajudar.
Que diabos!, Lua pensou. Na noite anterior, ela nunca teria acreditado
que alguém pudesse evocar Arthur. Talvez Mel estivesse certa.
Continua...

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