- Arthur? - ela o chamou, correndo para alcançá-lo. - Você está bem
mesmo?
- Não se preocupe comigo, Lua. Nada em mim quebra e eu raramente sangro.
- A amargura era evidente na voz. - É uma dádiva da maldição. As Parcas proíbem
que eu morra e escape do meu castigo.
Ela se encolheu ao ver a angústia nos olhos verdes. Porém, o fato de ele
ter sobrevivido não era a única pergunta que desejava fazer.
Queria indagar-lhe a respeito da criança, do modo como ele olhara para o
menino, como se revivesse algum horrível pesadelo. Contudo, as palavras ficaram
presas em sua garganta.
- Gente, ele merece uma recompensa! - Mel exclamou ao alcançá-los. -
Vamos subir até a loja de pralinê.
- Mel, eu não acho...
- O que é pralinê? - Arthur indagou.
- É um manjar dos deuses. - falou Mel. - Você, com certeza, vai
apreciar.
Contra quaisquer argumentos de Lua, Mel conduziu-os para dentro, até a
escada rolante. Ela subiu no primeiro degrau e virou-se para trás, a fim de
fitar Arthur, que estava entre as duas.
- Como você fez aquilo quando saltou sobre o carro? Foi impressionante!
- Arthur deu de ombros. - Ah, homem, não seja modesto. Você parecia o Keanu
Reeves em Matrix. Lu, você viu o movimento que ele fez?
- Eu vi. - ela respondeu suavemente, notando como os elogios de Mel
estavam deixando Arthur desconfortável.
Reparou também na forma como as mulheres ao redor deles o encaravam. Arthur
estava certo. Aquilo não era normal. Porém, com que frequência alguém como ele
surgia em carne e osso?
Um homem que emanava atração sexual? O homem era puro feromônio
ambulante. E, agora, um herói. Mas, acima de tudo, era um grande mistério para Lua.
Havia muito a respeito dele que ela estava louca para saber. E, de uma
forma ou de outra, durante o próximo mês, ela iria descobrir.
Quando chegaram à doceria no andar de cima, Lua comprou dois pralinês de
noz-pecã e uma Coca-Cola. Sem pensar duas vezes, ela estendeu o doce para Arthur.
Em vez de pegá-lo de sua mão, ele se inclinou para a frente e o mordeu
enquanto ela ainda o segurava. Arthur saboreou o confeito açucarado de uma
forma que enviou ondas de calor para o corpo Lua, enquanto os penetrantes olhos
verdes a encaravam como se desejassem que fosse com ela que ele estivesse se deliciando.
- Você tinha razão. - ele falou naquele tom baixo que a deixava
arrepiada. - É delicioso.
- Uau! - exclamou a balconista. - Você tem sotaque. Não deve ser desta
região.
- Não. - Arthur respondeu. - Não sou.
- De onde é?
- Macedônia.
- É na Califórnia? - a garota indagou. - Você parece um daqueles
surfistas que ficam na praia.
Ele franziu o cenho.
- Califórnia?
- Ele é da Grécia - Mel respondeu.
- Ah! - disse a garota.
Arthur arqueou a sobrancelha de um jeito censurador.
- A Macedônia não é...
- Amigo - Mel falou com a boca cheia de pralinê -, por aqui você teria
sorte de encontrar alguém que soubesse a diferença.
Antes que Lua pudesse responder às palavras ásperas de Mel, Arthur pôs
as mãos em sua cintura e a aproximou do peito forte.
Inclinando-se, tomou seu lábio inferior entre os dentes e gentilmente o
acariciou com a língua. Ela ficou zonza com o abraço carinhoso. Ele aprofundou
o beijo um instante antes de soltá-la e afastar-se.
- Você tinha açúcar no lábio. - ele explicou com um sorriso malicioso
que revelava as covinhas perfeitas.
Lua piscou, surpresa com as reações de calor e frio que o toque de Arthur
provocava.
- Você poderia ter dito algo.
- É verdade, mas do meu jeito foi bem mais gostoso.
Continua...

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