terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Amante da fantasia - Cap. 41


- Arthur? - ela o chamou, correndo para alcançá-lo. - Você está bem mesmo?


- Não se preocupe comigo, Lua. Nada em mim quebra e eu raramente sangro. - A amargura era evidente na voz. - É uma dádiva da maldição. As Parcas proíbem que eu morra e escape do meu castigo.


Ela se encolheu ao ver a angústia nos olhos verdes. Porém, o fato de ele ter sobrevivido não era a única pergunta que desejava fazer.


Queria indagar-lhe a respeito da criança, do modo como ele olhara para o menino, como se revivesse algum horrível pesadelo. Contudo, as palavras ficaram presas em sua garganta.


- Gente, ele merece uma recompensa! - Mel exclamou ao alcançá-los. - Vamos subir até a loja de pralinê.


- Mel, eu não acho...


- O que é pralinê? - Arthur indagou.


- É um manjar dos deuses. - falou Mel. - Você, com certeza, vai apreciar.


Contra quaisquer argumentos de Lua, Mel conduziu-os para dentro, até a escada rolante. Ela subiu no primeiro degrau e virou-se para trás, a fim de fitar Arthur, que estava entre as duas.


- Como você fez aquilo quando saltou sobre o carro? Foi impressionante! - Arthur deu de ombros. - Ah, homem, não seja modesto. Você parecia o Keanu Reeves em Matrix. Lu, você viu o movimento que ele fez?


- Eu vi. - ela respondeu suavemente, notando como os elogios de Mel estavam deixando Arthur desconfortável.


Reparou também na forma como as mulheres ao redor deles o encaravam. Arthur estava certo. Aquilo não era normal. Porém, com que frequência alguém como ele surgia em carne e osso?


Um homem que emanava atração sexual? O homem era puro feromônio ambulante. E, agora, um herói. Mas, acima de tudo, era um grande mistério para Lua.


Havia muito a respeito dele que ela estava louca para saber. E, de uma forma ou de outra, durante o próximo mês, ela iria descobrir.


Quando chegaram à doceria no andar de cima, Lua comprou dois pralinês de noz-pecã e uma Coca-Cola. Sem pensar duas vezes, ela estendeu o doce para Arthur.


Em vez de pegá-lo de sua mão, ele se inclinou para a frente e o mordeu enquanto ela ainda o segurava. Arthur saboreou o confeito açucarado de uma forma que enviou ondas de calor para o corpo Lua, enquanto os penetrantes olhos verdes a encaravam como se desejassem que fosse com ela que ele estivesse se deliciando.


- Você tinha razão. - ele falou naquele tom baixo que a deixava arrepiada. - É delicioso.


- Uau! - exclamou a balconista. - Você tem sotaque. Não deve ser desta região.


- Não. - Arthur respondeu. - Não sou.


- De onde é?


- Macedônia.


- É na Califórnia? - a garota indagou. - Você parece um daqueles surfistas que ficam na praia.


Ele franziu o cenho.


- Califórnia?


- Ele é da Grécia - Mel respondeu.


- Ah! - disse a garota.


Arthur arqueou a sobrancelha de um jeito censurador.


- A Macedônia não é...


- Amigo - Mel falou com a boca cheia de pralinê -, por aqui você teria sorte de encontrar alguém que soubesse a diferença.


Antes que Lua pudesse responder às palavras ásperas de Mel, Arthur pôs as mãos em sua cintura e a aproximou do peito forte.


Inclinando-se, tomou seu lábio inferior entre os dentes e gentilmente o acariciou com a língua. Ela ficou zonza com o abraço carinhoso. Ele aprofundou o beijo um instante antes de soltá-la e afastar-se.


- Você tinha açúcar no lábio. - ele explicou com um sorriso malicioso que revelava as covinhas perfeitas.


Lua piscou, surpresa com as reações de calor e frio que o toque de Arthur provocava.


- Você poderia ter dito algo.


- É verdade, mas do meu jeito foi bem mais gostoso.



Continua...

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