- Que estilo de roupas você prefere? - ela indagou, parando diante do
mostrador sobre o qual estavam expostos os jeans dobrados.
- Para o que eu tenho em mente, a nudez funciona melhor.
Lua revirou os olhos.
- Você está tentando me chocar, não é?
- Talvez. Tenho de admitir que eu gosto do rubor em seu rosto. - disse
ele, adiantando-se um passo em sua direção. Lua recuou, colocando o mostrador
entre eles.
- Acho que você vai precisar de pelos menos três calças jeans enquanto
estiver aqui.
Arthur suspirou, olhando para a roupa.
- Por que vai se dar ao trabalho de fazer isso, se eu irei embora em
algumas semanas?
Ela o encarou.
- Céus, Arthur! - ela exclamou, irritada. - Você age como se ninguém o
tivesse vestido nas encarnações passadas.
- Elas não me vestiram.
Assombrada com o tom vazio e o significado daquelas palavras, ela o
fitou com ceticismo.
- Está me dizendo que nos últimos dois mil anos ninguém se incomodou em
pôr roupas em você?
- Apenas duas vezes. - disse ele, no mesmo tom monótono. - Uma vez,
durante uma nevasca, no período de regência na Inglaterra, uma das mulheres que
me evocou me cobriu com um vestido cor-de-rosa de babados e me empurrou para a
sacada, a fim de evitar que o marido me encontrasse na cama. E a segunda vez é
embaraçosa demais para ser mencionada.
- Você não é engraçado. E eu sei que nenhuma mulher ficaria com um homem
durante um mês inteiro sem vesti-lo.
- Olhe para mim, Lua. - Ele abriu os braços para mostrar-lhe o corpo
firme e deleitável. - Sou um escravo sexual. Ninguém, antes de você, pensou que
eu precisava de roupas para cumprir minha obrigação.
O olhar exaltado de Arthur prendeu o dela, mas o que a magoou foi a dor
naqueles intensos olhos verdes, que ele tanto se esforçava em ocultar.
Uma dor que a tocava profundamente.
- Eu lhe asseguro - ele falou tranquilamente - que, assim que elas me
tinham dentro de seus corpos, faziam todo o possível para me manter ali,
incluindo uma mulher na Idade
Média que trancou a porta do quarto e disse a todos que ela estava com a peste negra.
Média que trancou a porta do quarto e disse a todos que ela estava com a peste negra.
Lua desviou o olhar conforme as palavras a atingiam.
As coisas que ele descrevia eram inacreditáveis e, ainda assim, pela
expressão no rosto dele, sabia que ele não estava exagerando.
Não podia imaginar as degradações que ele sofrera ao longo dos séculos.
Deus! As pessoas tratavam animais de uma forma melhor.
- Elas o evocavam, mas nenhuma sequer conversou com você ou o vestiu?
- A fantasia de todo homem, não é? Ter um milhão de mulheres se atirando
em cima dele, sem desejar compromissos ou promessas. Sem desejar nada dele,
além de seu corpo e algumas semanas de prazer.
As palavras levianas não mascaravam o tom ácido.
Aquela podia ser a fantasia de outros homens, mas Lua sabia que não era
a dele.
Continua...

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