quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap.31



– Ei, Pacotão!

Um braço pesado bateu nos meus ombros e de repente eu estava cara a cara com Frank Dormand, que me segurava, exibindo um sorriso gosmento no rosto gordo. Revoltada, tentei me soltar, mas Frank me agarrou com força, me sacudindo um pouco.

– Será que escutei você convidar o Jake para a festa? Que negócio é esse?

– Cai fora, Frank – implorei, apertando os livros contra o peito. – Não é da sua conta.

– É, Frank – disse Jake. – Não enche.

– Ah, suas crianças malucas – disse Frank, despenteando meu cabelo.

Tentei afastar a mão dele e ajeitar o cabelo, mas estava tão nervosa que deixei os livros caírem das mãos quentes e úmidas. Meu dever de casa despencou no chão, com os papéis se espalhando por toda parte.

– Vai se catar, Frank – esbravejei furiosa. Uma coisa era gritar uma provocação rápida no refeitório, mas dessa vez ele tinha ido longe demais...

Frank olhou para Jake.

– E aí? O que vai ser, Jake? Vai levar o Pacotão? Porque o papo que corre é que ela está namorando aquele coveiro estrangeiro que mora na garagem dela. Você está dando para ele, não é, Ro?

Girei sob o braço de Dormand, tentando de novo me afastar, quando, de repente, fui libertada. Frank estava grudado num armário, a garganta pressionada pela mão de um estudante romeno de intercâmbio muito calmo porém muito determinado.

Os calcanhares de Frank bateram no metal.

– Ei!

Mas Arthur apenas levantou Frank um pouco mais.

– Cavalheiros não fazem perguntas impertinentes sobre assuntos delicados às mulheres. – Sua voz estava tranquila, quase entediada. – E nunca, jamais, usam expressões grosseiras diante do sexo oposto. A não ser que estejam prontos para enfrentar as consequências.

– Arthur, não! – gritei.

– Me so-solta – gaguejou Frank, o rosto ficando tão vermelho quanto o meu. Ele tentava inutilmente segurar o braço de Arthur enquanto uma multidão se reunia no corredor. – Está me sufocando, cara.
– Solta, Arthur – implorei, olhando Frank passar de vermelho para azul. – Ele está
sufocando!

Arthur afrouxou o aperto, permitindo que Frank tocasse o chão com as pontas dos dedos,embora ainda o segurasse com firmeza.

– Diga o que quer que eu faça com ele, Roberta – insistiu Arthur, por sobre o ombro. – Determine o castigo e eu farei cumprir.

– Nada, Arthur! – respondi, meu rosto em chamas. Ele não é meu guarda-costas. – Essa briga não é sua!

– Não – concordou Arthur. – O prazer é meu. – Em seguida voltou a atenção para Frank, que havia parado de lutar e permanecia imóvel contra o armário, os olhos arregalados. – Você vai apanhar os livros da moça, entregá-los a ela gentilmente e lhe pedir desculpas – ordenou Arthur. – Depois, nós vamos lá fora concluir nossos negócios.

Ele largou Frank, que tombou para a frente, lutando para respirar.

– Não vou brigar com você – chiou Frank, esfregando o pescoço.

– Vai ser uma lição, não uma briga – prometeu Arthur. – E, quando eu terminar, você não vai incomodar Roberta de novo.

Compartilhei um olhar preocupado com Jake, que estava parado, em silêncio, cauteloso.

– A gente só estava de brincadeira – reclamou Frank.

Arthur lhe lançou um olhar furioso, empertigado com toda a sua altura. Ele parecia fechar o corredor.

– No lugar de onde venho, perturbar uma mulher não é divertido. Eu deveria ter deixado isso claro no outro dia. Não deixarei outra oportunidade passar.

– De onde você vem? – desafiou Frank, estufando o peito, um pouco mais ousado agora que podia respirar. – A gente está começando a desconfiar.

– Venho da civilização – retrucou Arthur. – Você não deve estar familiarizado com o território. Agora pegue os livros.

Frank deve ter ouvido o alerta final no rosnado baixo de Arthur, porque se abaixou e obedeceu, resmungando o tempo todo. Jogou os livros em minhas mãos e começou a se esgueirar para longe. Arthur o agarrou de novo.

– Você se esqueceu de pedir desculpas.

– Desculpa – disse Frank, com os dentes trincados.

Arthur deu um leve empurrão em Dormand.
– Agora, vamos lá fora.

– Arthur – falei, segurando seu braço. Os músculos estavam rígidos embaixo dos meus dedos. Ele iria destruir o gorducho do Dormand, que não era capaz de fazer 10 flexões nem que sua vida dependesse disso. – Para. Agora.

Arthur me olhou.

– Você merece isso, Roberta. Ele não vai desrespeitá-la. Não na minha presença.

– Não pode fazer isso aqui. Não desse jeito – alertei. – Aqui não é a Romênia. – Não pode agir como a sua família, que sai impondo suas regras brutais. – Você já foi longe demais.

Ficamos nos encarando por um longo momento. Então Arthur olhou para Frank.

– Saia daqui. Fique grato por ter obtido uma anistia. Mas não haverá outra, mesmo que Roberta me peça.

– Sua aberração – murmurou Frank. Depois saiu correndo pelo meio da multidão, que se dissolveu atrás dele, restando apenas Arthur, Jake e eu. Jake começou a recuar também, mas Arthur não havia terminado.

– Acho que vocês dois estavam conversando. Por favor, continuem.

– Já terminamos – garanti, empurrando Arthur para longe. Ele ficou no lugar, sem afastar os olhos de Jake.

– É verdade? – perguntou Arthur a Jake. – Vocês terminaram?

– Eu... nós estávamos falando sobre... – Jake arrastou os pés, olhando para baixo. – Olha, Ro, falo com você mais tarde.

– Tudo bem, Jake, já entendi. Por favor, não precisa dizer mais nada.

As lágrimas que tinham se formado nos meus olhos havia uns cinco minutos começaram a se derramar.

– Por que ela está chorando? – perguntou Arthur. – Você disse alguma coisa a ela?

Jake levantou as mãos.

– Não. Juro.

– Só vai embora, Arthur – insisti.

Arthur hesitou.

– Por favor.

Ele me encarou. Vi piedade em seu olhar e essa foi provavelmente a pior parte de todo o dia. Um ser bizarro sentindo pena de mim.

– Como quiser – disse ele e recuou. Mas não antes de acrescentar: – Estou de olho em você também, Zinn.

Quando Arthur já estava longe, Jake falou, em tom de consolo:

– Poxa, o lance foi intenso, hein?

Funguei, enxugando os olhos.

– Que parte? Quando Arthur quase matou o Frank ou quando ameaçou você?

– A coisa toda.

– Foi mal, Jake.

– Não, tudo bem. Frank é um otário. Ele mereceu.

– Que vergonha... Olha, não se preocupa com a festa. Foi idiotice minha convidar você.

– Não foi. Eu ia dizer sim. – Jake olhou pelo corredor, na direção por onde Arthur havia partido. – A não ser que vocês dois estejam juntos ou sei lá o quê. É o que estão dizendo por aí. E Arthur pareceu meio possessivo.



Continua...

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