sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 36


– Nunca.

Retiro o que eu disse sobre a vergonha. Estávamos indo para o carro, fazendo malabarismos com todas aquelas sacolas de compras, quando Arthur parou e segurou meu braço, largando uma sacola.

Eu me virei.

– O que foi?

Ele estava olhando a vitrine de uma loja chamada Boulevard St. Michel, uma butique de alto nível com roupas muito, muito caras. O tipo de roupa que as mulheres ricas usam em festas chiques. Eu nunca tinha nem pisado lá. Para começar, meu pai não acreditava em lavagem a seco, por causa das emissões de gases que faziam mal ao meio ambiente. E, por outro lado, eu não poderia comprar sequer um pé de sapato da Boulevard St. Michel. Nem mesmo depois de um verão inteiro servindo hambúrgueres na lanchonete.

– O que você está fazendo?

Acompanhei o olhar de Arthur. Ele continuou a olhar a vitrine.

– Aquele vestido... o com flores espalhadas no corpete.

– Você falou “corpete”?

– É, e a saia...

– O vestido com decote em V?

– É. Aquele mesmo. Você ficaria deslumbrante usando algo assim.

Arthur realmente era um sem-noção. Não só achava que era um vampiro, como agora
acreditava que eu deveria me vestir como uma mulher de 30 anos que frequentava coquetéis.

Dei uma gargalhada.

– Você é pirado mesmo. Aquilo é para mulheres que fazem coisas, tipo, ir a recitais ou sei lá o quê.

Ele me lançou um olhar.

– O que há de errado com um recital?

– Nada. Só que eu não frequento essas coisas. Você consegue me ver usando aquilo na
competição de hipismo, por acaso? E aposto que custa uma grana preta.
– Experimente o vestido.

Recuei.

– Nem pensar. Tenho certeza de que eles não gostam de adolescentes entrando ali.

– Eles gostam de qualquer um que tenha dinheiro suficiente – zombou Arthur.

– Não vão gostar de mim, então. Não tenho dinheiro suficiente nem para olhar.

– Eu tenho.

– Arthur...

Vou admitir que fiquei meio intrigada. Era mesmo um vestido lindo. Eu nunca havia
experimentado nada parecido. Era tão sofisticado! Cor de creme fresco, com minúsculas flores pretas bordadas, espalhadas por todo canto, sem formar nenhum padrão, o que só o tornava mais bonito. Fez com que eu me lembrasse da teoria do caos: aleatório porém belo em sua simplicidade. O decote era mais ousado do que qualquer coisa que eu já vestira. Dava para ver o volume dos seios de plástico do manequim espiando acima do tecido. Do tecido caro.

Puxei o braço de Arthur.

– Anda. Vamos embora.

Arthur me puxou de volta e claro que ele era mais forte que eu.

– Dê só uma olhada. Toda mulher precisa de coisas bonitas.

– Eu não preciso daquilo.

– Claro que precisa. Você poderia usá-lo, digamos, na tal festa a que vai com o Atarracado. Seria perfeitamente adequado para eventos desse tipo.

– Ele não é atarracado.

– Experimente o vestido.

– Eu tenho muitas roupas – insisti.

– É. E deveria jogar todas fora. Especialmente a camiseta com o cavalo branco e o
coração. Qual é o propósito daquilo?

– Mostrar que eu amo cavalos árabes.

– Eu amo carne malpassada, mas não ando com a imagem de um bife sangrento no peito.

– Já escolhi uma roupa.

Arthur fez uma cara de desprezo.

– Algo brilhante do shopping, imagino.

Fiquei vermelha. Odiava quando Arthur estava certo.

– Acredite em mim – disse ele. – Se usar aquele vestido, não vai se arrepender. Ele foi
feito para você.

Estreitei os olhos.

– O que você sabe sobre vestir garotas?

– Não sei nada sobre vestir garotas. Sei sobre vestir mulheres. – Arthur deu um sorrisinho superior. – Agora venha. Realize meu desejo.

Ele foi entrando na loja e eu tive que ir atrás. Como eu havia previsto, a vendedora não
pareceu nada empolgada ao ver dois estudantes do ensino médio em sua loja. Mas Arthur nem pareceu notar.

– Aquele vestido da vitrine, com o bordado. – E apontou para mim. – Ela gostaria de
experimentar. – Cruzando os braços e se inclinando um pouco para trás, ele mediu meu corpo com os olhos, da cabeça aos pés. – Tamanho 38?

– Quarenta – murmurei.

– O 40 está na vitrine, naquele manequim – disse a vendedora. E pôs as mãos magricelas com unhas vermelhas nos quadris. – É muito complicado tirar. Se você não está falando sério sobre isso...

Epa. Eu não entendia muita coisa sobre Arthur Vladescu, mas sabia com certeza que o tom da vendedora não o agradaria.

Arthur arqueou uma sobrancelha.

– Eu não pareci sério? – Ele se inclinou para a frente e leu o nome no crachá da mulher. – Leigh Ann?



Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71