A dúvida no olhar dele oprimiu seu peito.
Incerta quanto ao que fazer ou dizer para que ele se sentisse melhor, Lua
deixou o assunto de lado e dirigiu-se à porta. Tinha quase chegado à saída,
quando percebeu que Arthur não a acompanhava.
Virando-se, ela o avistou com facilidade. Ele se desviara para a seção
de lingerie e estava perto de uma prateleira repleta de minúsculos negligês
negros.
Seu rosto ardeu. Jurava que podia escutar os pensamentos luxuriosos que
cruzavam a mente dele. E o pior era que precisava alcançá-lo antes que uma das
mulheres se oferecesse como modelo para ele.
Rapidamente foi até lá e pigarreou.
- Está pronto?
Ele a percorreu por inteiro com um olhar lento que dizia que tinha na
mente uma imagem vívida de Lua usando aquela coisa diáfana.
- Você ficaria excitante nisso.
Ela o fitou com ceticismo. A coisa era tão fina que chegava a ser
transparente.
Ao contrário de Arthur, ela não tinha um corpo que chamava a atenção, a
menos que o homem estivesse desesperado. Ou que tivesse permanecido na cadeia
por um par de décadas.
- Eu não sei se ficaria excitante, mas com certeza eu sentiria frio.
- Não por muito tempo.
Ela ofegou ante as palavras, não duvidando delas nem por um instante.
- Você é perverso.
- Na cama, não. - Inclinou a cabeça em sua direção. - Na verdade, eu sou
bastante...
- Aí estão vocês! - Lua sobressaltou-se ao ouvir a voz de Mel.
Arthur disse a Mel algo em uma língua estranha, que Lua não entendeu.
- Ora, ora... - Mel falou com um tom de censura na voz. - Anny não
entende grego antigo. Ela dormiu na aula o semestre inteiro. - Então, olhou
para ela e estalou a língua. - Viu? Eu lhe disse que um dia seria útil.
- Ah, sim. - Lua respondeu, rindo. - Como se eu soubesse, naquela época,
que um dia você evocaria um grego como escrav... - ela se interrompeu ao
perceber o que quase dissera diante de Arthur. Embaraçada, mordeu o lábio.
- Está tudo bem, Lua. - Arthur afirmou tranquilamente. Ainda assim, ela
sabia que o aborrecera. Não havia como não tê-lo afetado com aquilo. - Eu sei o
que sou. Você não pode me ofender com a verdade. Na realidade, eu fico mais
ofendido com o termo grego do que com escravo sexual. Fui treinado em Esparta e
lutei pelos macedônios. Tornei um hábito evitar a Grécia o máximo possível,
antes de ser amaldiçoado.
Lua ergueu a cabeça ao dar-se conta do que ele dissera ou, mais
especificamente, do que ele não dissera. Não falara nada a respeito da
infância.
- Onde você nasceu? - ela indagou.
A mandíbula de Arthur começou a pulsar, e os olhos se escureceram de
forma nefasta. Onde quer que tivesse nascido, era óbvio que ele não gostava do
lugar.
- Muito bem, eu sou metade grego, mas não reivindico essa metade da
minha herança.
Certo, aquele era obviamente um ponto nevrálgico. Dali em diante, ela
eliminaria grego de seu vocabulário.
- De volta à lingerie negra. - disse Mel. - Acho que aquela vermelha ali
cairia bem melhor nela.
- Mel! - Lua a repreendeu.
Ignorando-a, Mel conduziu Arthur ao local onde estavam as peças
vermelhas. Ela pegou um baby-doll transparente e aberto na frente, atado apenas
por duas fitas nos ombros e uma no meio. Uma calcinha, também vermelha e
transparente, com uma abertura frontal, e uma cinta-liga completavam o
conjunto.
- O que você acha? - Mel indagou ao mostrar o traje diante de Arthur.
Ele lançou a Lua um olhar especulativo. Se eles continuassem com aquilo,
ela morreria de vergonha.
- Vocês dois podem parar? - ela pediu. - Eu não vou usar isso.
- Vou comprar para você de qualquer forma. - Mel afirmou. - Tenho quase
certeza de que Arthur pode convencê-la a vestir isso.
Arthur lançou-lhe um olhar brincalhão.
- Eu prefiro convencê-la a despir isso.
Lua cobriu o rosto com as mãos e gemeu.
- Ela vai mudar de ideia. - Mel falou, em tom conspiratório.
- Não vou. - disse Lua por trás das mãos.
- Vai, sim. - afirmou Arthur, enquanto Mel ia pagar a compra.
Havia tanta arrogância e confiança naquelas palavras... Ela sabia que o
homem não estava acostumado a ser desafiado.
- Você já fracassou alguma vez? - ela indagou.
A provocação nos olhos dele desvaneceu, e ela viu a máscara cobrir-lhe o
rosto. Sabia que ele estava escondendo alguma coisa por trás daquele olhar.
Algo muito doloroso, a julgar pela súbita tensão em seu corpo.
Continua...

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