sábado, 13 de fevereiro de 2016

Amante da fantasia - Cap.37


A dúvida no olhar dele oprimiu seu peito.


Incerta quanto ao que fazer ou dizer para que ele se sentisse melhor, Lua deixou o assunto de lado e dirigiu-se à porta. Tinha quase chegado à saída, quando percebeu que Arthur não a acompanhava.


Virando-se, ela o avistou com facilidade. Ele se desviara para a seção de lingerie e estava perto de uma prateleira repleta de minúsculos negligês negros.


Seu rosto ardeu. Jurava que podia escutar os pensamentos luxuriosos que cruzavam a mente dele. E o pior era que precisava alcançá-lo antes que uma das mulheres se oferecesse como modelo para ele.


Rapidamente foi até lá e pigarreou.


- Está pronto?


Ele a percorreu por inteiro com um olhar lento que dizia que tinha na mente uma imagem vívida de Lua usando aquela coisa diáfana.


- Você ficaria excitante nisso.


Ela o fitou com ceticismo. A coisa era tão fina que chegava a ser transparente.


Ao contrário de Arthur, ela não tinha um corpo que chamava a atenção, a menos que o homem estivesse desesperado. Ou que tivesse permanecido na cadeia por um par de décadas.


- Eu não sei se ficaria excitante, mas com certeza eu sentiria frio.


- Não por muito tempo.


Ela ofegou ante as palavras, não duvidando delas nem por um instante.


- Você é perverso.


- Na cama, não. - Inclinou a cabeça em sua direção. - Na verdade, eu sou bastante...


- Aí estão vocês! - Lua sobressaltou-se ao ouvir a voz de Mel.


Arthur disse a Mel algo em uma língua estranha, que Lua não entendeu.


- Ora, ora... - Mel falou com um tom de censura na voz. - Anny não entende grego antigo. Ela dormiu na aula o semestre inteiro. - Então, olhou para ela e estalou a língua. - Viu? Eu lhe disse que um dia seria útil.


- Ah, sim. - Lua respondeu, rindo. - Como se eu soubesse, naquela época, que um dia você evocaria um grego como escrav... - ela se interrompeu ao perceber o que quase dissera diante de Arthur. Embaraçada, mordeu o lábio.


- Está tudo bem, Lua. - Arthur afirmou tranquilamente. Ainda assim, ela sabia que o aborrecera. Não havia como não tê-lo afetado com aquilo. - Eu sei o que sou. Você não pode me ofender com a verdade. Na realidade, eu fico mais ofendido com o termo grego do que com escravo sexual. Fui treinado em Esparta e lutei pelos macedônios. Tornei um hábito evitar a Grécia o máximo possível, antes de ser amaldiçoado.


Lua ergueu a cabeça ao dar-se conta do que ele dissera ou, mais especificamente, do que ele não dissera. Não falara nada a respeito da infância.


- Onde você nasceu? - ela indagou.


A mandíbula de Arthur começou a pulsar, e os olhos se escureceram de forma nefasta. Onde quer que tivesse nascido, era óbvio que ele não gostava do lugar.


- Muito bem, eu sou metade grego, mas não reivindico essa metade da minha herança.


Certo, aquele era obviamente um ponto nevrálgico. Dali em diante, ela eliminaria grego de seu vocabulário.


- De volta à lingerie negra. - disse Mel. - Acho que aquela vermelha ali cairia bem melhor nela.


- Mel! - Lua a repreendeu.


Ignorando-a, Mel conduziu Arthur ao local onde estavam as peças vermelhas. Ela pegou um baby-doll transparente e aberto na frente, atado apenas por duas fitas nos ombros e uma no meio. Uma calcinha, também vermelha e transparente, com uma abertura frontal, e uma cinta-liga completavam o conjunto.


- O que você acha? - Mel indagou ao mostrar o traje diante de Arthur.


Ele lançou a Lua um olhar especulativo. Se eles continuassem com aquilo, ela morreria de vergonha.


- Vocês dois podem parar? - ela pediu. - Eu não vou usar isso.


- Vou comprar para você de qualquer forma. - Mel afirmou. - Tenho quase certeza de que Arthur pode convencê-la a vestir isso.


Arthur lançou-lhe um olhar brincalhão.


- Eu prefiro convencê-la a despir isso.


Lua cobriu o rosto com as mãos e gemeu.


- Ela vai mudar de ideia. - Mel falou, em tom conspiratório.


- Não vou. - disse Lua por trás das mãos.


- Vai, sim. - afirmou Arthur, enquanto Mel ia pagar a compra.


Havia tanta arrogância e confiança naquelas palavras... Ela sabia que o homem não estava acostumado a ser desafiado.


- Você já fracassou alguma vez? - ela indagou.


A provocação nos olhos dele desvaneceu, e ela viu a máscara cobrir-lhe o rosto. Sabia que ele estava escondendo alguma coisa por trás daquele olhar. Algo muito doloroso, a julgar pela súbita tensão em seu corpo.



            Continua...

Um comentário:

Prometida a um Vampiro - Cap.71