- Por quê? - indagou, quando ele e Mel a alcançaram.
Como poderia explicar-lhe? Paul a ferira tanto aquela noite! Ele não
tivera consideração por seus sentimentos. Ela havia implorado para que ele
parasse, mas ele continuou.
"A primeira vez dói mesmo. - ele dissera. - Nossa, pare de chorar!
Vou terminar em um minuto e, então, você poderá ir embora."
Quando ele terminou, ela se sentiu tão humilhada e ferida que chorou
durante dias.
- Lua? - A voz de Arthur interrompeu seus pensamentos.
- O que foi? - Ela precisou de toda sua força para conter as lágrimas.
Mas não choraria. Não em público. Não daquela forma. Não seria digna de
piedade.
- Nada. - ele respondeu.
Precisando respirar, mesmo que o ar estivesse mais quente e espesso do
que vapor, ela saiu do shopping e caminhou até o calçadão que beirava o rio
Mississípi. Arthur e Mel seguiram-na.
- Lua, o que fez você chorar? - Arthur perguntou.
- Paul. - Lua escutou a amiga sussurrar para Arthur.
Lua encarou-a enquanto se esforçava para acalmar-se. Depois, inspirando
profundamente, virou-se para Arthur e disse:
- Eu gostaria de poder me atirar na cama com você, mas não posso. Não
quero ser usada dessa forma, e não quero usar você! Não consegue compreender
isso?
Com a mandíbula contraída, ele desviou o olhar.
Acompanhando a direção do olhar de Arthur, Lua viu um grupo formado pelo
que pareciam ser seis motociclistas desordeiros que caminhavam até eles. As roupas
de couro provavelmente eram sufocantes naquele calor, mas eles não pareciam
notar, enquanto faziam troça e riam.
Foi então que ela avistou a mulher que os acompanhava. Uma mulher cujo
andar lento e sedutor era o equivalente feminino ao caminhar gracioso e
elegante de Arthur.
Ela também tinha o tipo de beleza rara que superaria o de qualquer atriz
ou modelo. Alta e loira usava um corpete justo de couro e shorts curtos, que
envolviam uma silhueta que Lua mataria para ter. E a mulher estava diminuindo o
ritmo, ficando atrás dos homens enquanto abaixava um pouco os óculos escuros e
encarava Arthur.
Lua encolheu-se por dentro. Oh, bom Deus, aquilo poderia ficar feio!
Nenhum dos motociclistas surrados e durões parecia ser do tipo que
toleraria que a namorada olhasse para outro sujeito. E a última coisa que Lua
queria era uma briga ali.
Ela agarrou a mão de Arthur, tentando puxá-lo para o outro lado. Ele se
recusou a mexer-se.
- Vamos, Arthur. - ela o apressou. Precisamos voltar para dentro.
Ainda assim, ele não saiu do lugar. Em vez disso, encarou os
motociclistas como se quisesse matá-los.
Então, antes que ela pudesse piscar, ele se soltou de sua mão e adiantou-se,
agarrando um dos homens pela camisa. Aturdida, Lua observou Arthur socá-lo no
rosto.
Continua...

POSTA MAIS ESTOU ADORANDO
ResponderExcluir