terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Amante da fantasia - Cap. 40



- Nunca vi nada assim na minha vida. - disse um homem ao seu lado. O sentimento dele ecoava por todo o lugar.


Devagar e com medo, Lua aproximou-se de Arthur conforme ele começava a se mexer.


- Você está bem? - Ela o ouviu perguntar para a criança.


O menino respondeu com um choro agudo. Alheio ao som alto, Arthur ergueu-se com cuidado, sem soltar o garoto.


Aliviada por vê-los vivos, Lua não conseguia acreditar em seus olhos. Como ele era capaz de se mover? Como conseguira manter a criança nos braços durante tudo aquilo?


Ele cambaleou, mas logo recuperou o equilíbrio, ainda sustentando o menino. Lua pôs a mão nas costas dele para ampará-lo.


- Você não deveria se levantar. - disse ela ao ver o sangue no braço esquerdo dele.


Arthur não pareceu escutá-la. Os olhos dele estavam escuros e estranhos.


- Shhh, pequenino. - ele murmurou, segurando o garoto em um dos braços enquanto envolvia-lhe a face com o outro.


Movendo apenas a parte de cima do corpo, ele embalou a criança de uma forma tranquilizante e segura, como apenas um pai faria. Com o olhar assombrado, Arthur apoiou a face no topo da cabeça do menino.


- Shhh, eu peguei você. - ele murmurou. - Está seguro agora.


Aquelas ações a surpreenderam. Era evidente que aquele era um homem que já confortara crianças antes. Mas quando um soldado grego poderia ter estado com crianças? A não ser que ele tivesse sido pai.


A mente de Lua girava ante essa possibilidade, enquanto Arthur entregava com cuidado o garoto soluçante para a mãe histérica, que chorava mais alto do que o menino.


Deus, seria possível que Arthur fosse pai? Nesse caso, onde estavam os filhos? O que acontecera com eles?


- Steven - a mãe chorava ao apertar o menino contra o peito -, quantas vezes eu lhe disse para ficar ao meu lado?


- Você está bem? - o pai e o motorista perguntaram a Arthur.


Fazendo uma careta, Arthur passou a mão pelo bíceps esquerdo, como se estivesse examinando o braço.


- Estou bem. - ele respondeu, mas Lua reparou no modo como ele evitava apoiar-se na perna direita, atingida pelo carro.


- Você precisa de um médico. - disse enquanto Mel se unia a eles.


- Estou bem. De verdade. - Arthur deu um sorriso indiferente, e então baixou a voz para que apenas Lua escutasse: - Mas, preciso dizer, brigas machucam muito menos do que carros quando batem em você.


Lua ficou consternada com o humor inoportuno.


- Como você pode brincar agora? Achei que estivesse morto.


Ele deu de ombros.


Enquanto o homem continuava agradecendo-o profusamente por ter salvado seu filho, Lua olhou para o sangue no braço de Arthur, acima do cotovelo. Sangue que evaporava da pele como algum estranho efeito de filme de ficção científica.


De repente, ele voltou a apoiar todo o peso na perna machucada, e a dor que enrugava sua testa desapareceu. Ela trocou um olhar arregalado com Mel, que também acompanhara a cena.


Que diabos era aquilo? Arthur era humano ou não?


- Não posso agradecer o suficiente. - disse o pai, de novo. - Achei que ele estivesse morto.


- Estou feliz por tê-lo visto. - Arthur sussurrou, estendendo a mão na direção da cabeça no garoto. Os dedos estavam prestes a roçar os cachos castanho-claros, quando ele se deteve.


Lua observou as emoções conflitantes no rosto de Arthur, antes que ele recuperasse o estoicismo e abaixasse a mão. Sem uma palavra, ele se dirigiu ao meio-fio.



Continua...

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