Ela não tinha argumentos contra isso. Afastou-se depressa, tentando
ignorar o sorriso sagaz de Mel.
- Por que você tem tanto medo de mim? - Arthur perguntou de forma
inesperada ao alcançá-la.
- Não tenho medo de você.
- Não? Então o que a assusta tanto? Cada vez que eu me aproximo, você se
encolhe.
- Eu não estou me encolhendo. - Lua insistiu. Diabos havia um eco ali?
Ele a envolveu com o braço e Lua esquivou-se depressa.
- Você está se encolhendo. - ele afirmou ao retornarem para a escada rolante.
Mesmo Lua estando um degrau abaixo, ele pôs um braço de cada lado dela e
inclinou a cabeça para perto da sua.
A presença dele a envolvia, deixando-a estranhamente tonta e quente. Ela
observou a firmeza das mãos bronzeadas apoiadas no corrimão da escada rolante
atrás das suas e a forma como as veias se destacavam para enfatizar-lhes a
força e a beleza. Como o restante dele, as mãos e os braços eram deslumbrantes.
- Você nunca teve um orgasmo, teve? - ele sussurrou em seu ouvido. Lua
engasgou com o doce.
- Este não é o lugar para falar desse assunto.
- É isso, não é? - ele indagou. - É por isso...
- Não é isso. - ela o interrompeu. - Na verdade, eu já tive.
Certo, aquilo era uma mentira, mas ele não precisava saber.
- Com um homem?
- Arthur! - ela o repreendeu. - O que acontece com você e com Mel que
acham que podem discutir minha vida particular em público?
Ele inclinou ainda mais a cabeça, para perto de seu pescoço, tão perto
que ela sentia o hálito morno dele contra sua pele e o delicioso aroma
masculino.
- Sabe, Lua, eu posso lhe proporcionar um prazer que você não é capaz de
imaginar.
Um arrepio percorreu-a.
Ela podia facilmente acreditar naquilo. Seria fácil deixá-lo comprovar
aquelas palavras. Mas ela não poderia.
Seria errado e, independentemente do que ele dissera, isso a incomodava.
E, em seu íntimo, suspeitava que o incomodasse também.
Ela se inclinou um pouco para trás e encarou-o.
- Já lhe ocorreu que eu não quero isso?
Ele pareceu chocado com essas palavras.
- Como é possível?
- Eu já lhe disse. A próxima vez em que eu tiver intimidade com um
homem, quero mais do que as partes indispensáveis dele envolvidas. Quero o
coração.
Arthur fitou os lábios dela com desejo.
- Posso lhe assegurar de que você não sentiria falta disso.
- Sentiria, sim.
Recuando como se ela o tivesse estapeado, ele se endireitou. Lua sabia
que atingira outro ponto nevrálgico. Desejando descobrir mais a respeito dele,
virou-se para encará-lo.
- Por que é tão importante que eu ceda? Algo acontece com você se eu não
consentir?
Ele riu amargamente.
- Como se alguma coisa pudesse ser pior.
- Então, por que você não pode apenas apreciar o seu tempo aqui comigo
sem nenhum... - ela abaixou a voz - ... sexo?
Os olhos dele flamejaram.
- Apreciar o quê? Conhecer pessoas cujos rostos vão me assombrar pela
eternidade? Você acha que eu gosto de olhar ao redor, sabendo que, em alguns
dias, serei arrastado de volta para um buraco vazio onde eu posso escutar, mas
não posso ver, saborear, sentir ou cheirar, onde meu estômago se contrai
constantemente de fome e minha garganta arde com uma sede insaciável? Você é a
única coisa que tenho permissão para apreciar. E você me nega isso.
Lua sentiu lágrimas encherem seus olhos ao escutá-lo. Não queria
magoá-lo. De verdade, não queria. Mas Paul a manipulara de forma muito
semelhante para levá-la para a cama, e ela acabara com o coração partido.
Após a morte de seus pais, Paul alegara importar-se com ela. Ele a
confortara e a abraçara. E, então, quando ela finalmente lhe confiara seu
corpo, ele a magoara com tanta intensidade e crueldade que até hoje ela sentia
a alma ferida.
- Sinto muito, Arthur. Muito mesmo. Mas não posso fazer isso.
Ela saiu da escada rolante e continuou andando no shopping.
Continua...

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