–Então
você está dizendo que as “presas” são como uma... – Ia dizer “ereção”, como se falasse
isso todo dia. Mas a verdade é que nunca tinha dito essa palavra em voz alta e descobri
que, naquela hora, não ia conseguir. Mas Arthur entendeu.
–
É. Exatamente. Com frequência acontece uma espécie de reação em cadeia, se é
que
você
me entende. Mas fica mais fácil de controlar, com a prática. E as mulheres também
podem fazer os dentes crescerem, é claro.
–
Então por que eu não consigo, já que sou uma megavampira?
Cedo
ou tarde eu iria confundi-lo com a lógica. Mas Arthur contra-atacou:
–
As mulheres precisam ser mordidas primeiro. Eu preciso
morder você. É um grande privilégio um homem dar a primeira mordida em sua
noiva.
–
Não comece com esse papo de noivado outra vez – respondi, séria. Ao ver a
primeira
entrada
do outlet, fiz uma curva rápida. – Nem de brincadeira. Isso já era.
Arthur
inclinou a cabeça.
–
Já era?
–
Isso aí.
Estacionei
numa vaga.
–
E os espelhos? Quando você experimentar as roupas, vai poder se enxergar num espelho?
Arthur
esfregou as têmporas.
–
Você estudou física básica na escola? Conhece os princípios da reflexão?
–
Claro que conheço. Sou eu quem acredita em ciência, lembra? Eu só estava
brincando. – Tirei a chave da ignição. – Então, vamos recapitular. Você não
pode virar morcego, não se dissolve ao sol e é visível em espelhos. O que os
vampiros podem fazer? Por que é tão irado ser um deles, afinal?
–
O que haveria de tão maravilhoso em se dissolver ao sol? Ou em não poder se
olhar num espelho para ver se você se vestiu direito?
–
Você sabe o que quero dizer. Fica aí dizendo que os vampiros são tudo de bom e
eu só quero saber por quê.
A
cabeça de Arthur tombou de volta no banco. Ele olhou para o teto da Kombi como
se
implorasse
por paciência ou orientação.
–
Somos apenas a raça mais poderosa de super-humanos. Temos o dom físico da graça
e da força. Somos um povo de rituais e tradições. Possuímos poderes mentais
ampliados: capacidade de nos comunicarmos pelo pensamento quando necessário.
Governamos o lado obscuro da natureza. Isso é suficientemente “irado” para você?
Segurei
a maçaneta.
–
Por que beber sangue?
Arthur
deu um suspiro fundo, abrindo sua porta.
–
Por que todo mundo é obcecado pelo sangue? Há tanta coisa além disso.
Deixei
para lá. Tinha ficado meio distraída agora que íamos fazer compras.
–
Onde quer ir primeiro? – perguntei.
Arthur
deu a volta pela frente da Kombi e pôs as mãos nos meus ombros, me virando para
a loja da Levi’s.
–
Ali.
Cinco
lojas e uns 500 dólares depois, Arthur Vladescu quase parecia um adolescente
americano.
E, eu precisava admitir: um adolescente americano muito gato. Ficava ainda melhor
numa calça jeans Levi’s 501 do que em suas calças pretas. E quando vestiu uma camisa
social branca por fora da calça – tendo decidido que uma camiseta seria um
pouco exagerado para alguém da realeza romena –, bom, o efeito foi bem
interessante. Eu não teria mais vergonha de ficar perto dele. Nem um pouco. Mel
provavelmente desmaiaria ao ver o cara.
– E que tal se livrar
do sobretudo de veludo? – perguntei.
Continua...

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