sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 35


–Então você está dizendo que as “presas” são como uma... – Ia dizer “ereção”, como se falasse isso todo dia. Mas a verdade é que nunca tinha dito essa palavra em voz alta e descobri que, naquela hora, não ia conseguir. Mas Arthur entendeu.

– É. Exatamente. Com frequência acontece uma espécie de reação em cadeia, se é que
você me entende. Mas fica mais fácil de controlar, com a prática. E as mulheres também podem fazer os dentes crescerem, é claro.

– Então por que eu não consigo, já que sou uma megavampira?

Cedo ou tarde eu iria confundi-lo com a lógica. Mas Arthur contra-atacou:

– As mulheres precisam ser mordidas primeiro. Eu preciso morder você. É um grande privilégio um homem dar a primeira mordida em sua noiva.

– Não comece com esse papo de noivado outra vez – respondi, séria. Ao ver a primeira
entrada do outlet, fiz uma curva rápida. – Nem de brincadeira. Isso já era.

Arthur inclinou a cabeça.

– Já era?

– Isso aí.

Estacionei numa vaga.

– E os espelhos? Quando você experimentar as roupas, vai poder se enxergar num espelho?

Arthur esfregou as têmporas.

– Você estudou física básica na escola? Conhece os princípios da reflexão?

– Claro que conheço. Sou eu quem acredita em ciência, lembra? Eu só estava brincando. – Tirei a chave da ignição. – Então, vamos recapitular. Você não pode virar morcego, não se dissolve ao sol e é visível em espelhos. O que os vampiros podem fazer? Por que é tão irado ser um deles, afinal?

– O que haveria de tão maravilhoso em se dissolver ao sol? Ou em não poder se olhar num espelho para ver se você se vestiu direito?

– Você sabe o que quero dizer. Fica aí dizendo que os vampiros são tudo de bom e eu só quero saber por quê.

A cabeça de Arthur tombou de volta no banco. Ele olhou para o teto da Kombi como se
implorasse por paciência ou orientação.
– Somos apenas a raça mais poderosa de super-humanos. Temos o dom físico da graça e da força. Somos um povo de rituais e tradições. Possuímos poderes mentais ampliados: capacidade de nos comunicarmos pelo pensamento quando necessário. Governamos o lado obscuro da natureza. Isso é suficientemente “irado” para você?

Segurei a maçaneta.

– Por que beber sangue?

Arthur deu um suspiro fundo, abrindo sua porta.

– Por que todo mundo é obcecado pelo sangue? Há tanta coisa além disso.

Deixei para lá. Tinha ficado meio distraída agora que íamos fazer compras.

– Onde quer ir primeiro? – perguntei.

Arthur deu a volta pela frente da Kombi e pôs as mãos nos meus ombros, me virando para a loja da Levi’s.

– Ali.

Cinco lojas e uns 500 dólares depois, Arthur Vladescu quase parecia um adolescente
americano. E, eu precisava admitir: um adolescente americano muito gato. Ficava ainda melhor numa calça jeans Levi’s 501 do que em suas calças pretas. E quando vestiu uma camisa social branca por fora da calça – tendo decidido que uma camiseta seria um pouco exagerado para alguém da realeza romena –, bom, o efeito foi bem interessante. Eu não teria mais vergonha de ficar perto dele. Nem um pouco. Mel provavelmente desmaiaria ao ver o cara.

– E que tal se livrar do sobretudo de veludo? – perguntei.


Continua...

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